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segunda-feira, 15 de abril de 2019

A bola de andebol, pontos novos e a estafeta Cascais-Oeiras-Lisboa

Bolas, que tema gigante, mas teve que ser...

Ainda não vos tinha contado que sou conhecida, no hospital onde fui operada, como a senhora que tinha uma bola de andebol...

Pois, não se riam... Coitada, "aquela" coisa tinha problemas de identidade, de fruta, passa a objecto desportivo...

Esta quinta feira fui à consulta de acompanhamento da operação que fiz, e quando a minha médica viu o meu segundo umbigo resolveu chamar a colega responsável por aquela obra de arte.
Marcou um numero de telefone, e pôs em alta voz a chamada:

- Lembras-te da ET?? - pergunta a minha médica.
- Humm?? ET??? Não!!! - responde a médica artista.
- A senhora da bola de andebol!!!!!
- Ahhhh, a que demorou imenso tempo???
- Sim!! Anda cá ver o que lhe fizeste!!!

De laranja, a melão e agora bola de andebol, paz à sua alma, porque essa bola de andebol já não faz mal a ninguém!!!

Depois de muita análise ficou decidido que eu seria vista por uma cirurgiã que estava nas urgências, aparentemente era só preciso dar um "pequeno toque" (medo) para deixar de ter dois umbigos...
Antes de rumar às urgências, tive autorização para fazer TUDO!!! Estava autorizada a correr. Calhava bem, pois no domingo iria participar na mítica estafeta Cascais-Oeiras-Lisboa... Que maravilha, enquanto estive à espera de ser vista na cirurgia geral comecei a fazer um planeamento mental de treinos...
Ahhh que bom, em vez de demorar uma hora a fazer 5km, iria demorar, vá uns 55 minutos, fantástico, que saudades de correr...
Entretanto a médica da cirurgia viu o meu segundo umbigo.
- Hummm, não me parece que baste dar um "pequeno toque", mas vamos tentar?? Deite-se na maca!!

Anestesiou a zona e fez sei lá o quê... Conclusão, não ia lá com um "pequeno toque"...

- Isto tem quer aberto para desprender a pele. Se quiser posso fazer-lhe isso agora!!! - disse a médica

Ok, bora lá!!! Vamos lá despachar a coisa.
E pronto, o meu segundo umbigo foi todo cortado, a pele desprendida, sangue por todo o lado, e pontos, não sei quantos (nem quero saber) e...

- Agora durante 15 dias não pode fazer esforços!!! - disse a cirurgiã.
Bolas...
- Mas posso correr?? Ainda agora me disseram que podia correr!!!
- Não, só daqui a 2 semanas!!

NNNNNNNNNNNNNAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAOOOOOOOOOOOOOOOOOOO!!!

Porquê??? Porquê???
Lá terei que me conformar... E caminhar na estafeta e na Scalabis...

No dia da prova, juntamos-nos todos numa pastelaria. O N trazia os dorsais e as camisolas. Depois de tudo distribuído, lá fomos nós até Algés. Deixamos os carros e fomos para a estação de comboios.
A prova consiste num percurso de 20km, que pode ser feito de duas formas, em modo estafeta divido em 4 percursos de 5km , ou em modo 20km em que o atleta faz o percurso completo.
Estavam 2 colegas de equipa para os 20km, o Gonçalo e o N (que vai fazer o relato do que aconteceu na sua prova, não é N??), o resto estava dividido em 6 equipas de 4. A minha era a equipa nº1, era a equipa do relax... A Rita começava, depois a Ana fazia o 2º percurso e entregava o testemunho à Sara, que por sua vez me entregava o testemunho. Iamos terminar aquilo em beleza, comigo a caminhar...

Foi tudo de comboio, com excepção do pessoal do ponto 4 da estafeta. Estávamos a 2.5km de distancia do ultimo ponto de troca e tínhamos mais que tempo, fomos a pé. Esteve quase sempre a chover, chuva miudinha...
Quando chegámos ao ponto 4, aconteceu algo meio extraterrestre...

Estava tudo na brincadeira quando de repente um carro que passava no outro lado da estrada e que ia a grande velocidade, embateu num poste... Foi uma barulheira... Grande parte da frente do carro voou, o para-choques quase foi ter ao passeio onde estávamos... O condutor (que tinha um dorsal da corrida) saiu do carro ileso e começou a recolher as peças espalhadas na estrada. Enfiou (é que enfiou mesmo, com a ajuda dos pés) tudo nos bancos traseiros do carro e arrancou, mesmo com o carro a pingar água ou oleo...
Depois deste momento surreal... Ficamos à espera...

À espera...

O primeiro atleta dos 20km levava um avanço gigante para o segundo... E eis que começa a sair o pessoal da estafeta... Da nossa equipa o primeiro a sair foi o Adelino, depois foi a Carla, o Carlos, a Maggie e finalmente fui eu.

SARA?????!!!!!

Enquanto esperava o meu testemunho, passou o Gonçalo, o grande João Lima (desta vez reconheceste-me!!! ou não??) o N e até o Gajo que tinha feito o primeiro percurso da estafeta e continuo com o Miguel.
O meu trajecto foi fácil. A Sara continuou comigo e a Graça (que passou o testemunho à Maggie) também. Fomos a conversar, mas com um passo acelerado... Fomos ultrapassadas pela Rita e pela Ana (da minha equipa), que mesmo depois de passarem o testemunho continuaram.
O Gajo fez os 20km e foi apanhar-nos a meio do meu percurso, disse-nos que havia chocolates na meta, é claro que aceleramos ainda mais o passo. E voltou para a meta com a Ana.
A chegar à meta vi o resto do pessoal. Coitados, grande seca que apanharam... Apanhei a mão do N e não a larguei, ia passar a meta comigo!!
Mesmo no final ainda pensei em correr, só um bocadinho e devagar, mas a ET responsável foi mais forte. Nada de corridas!!! Bem pode ser que corra um bocadinho na Scalabis, vamos ver...

Que saudades de estar assim com a família, maravilha...

A próxima aventura, Scalabis, vamos ver o que vai acontecer...

Já agora, faz hoje 4 anos que "me cortaram o pescoço" e tiraram a tiróide!!

RIP Tiróide Extraterrestre

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

ET em modo Depré...

Pois é, às vezes sinto me assim, em modo depressivo, não me apetece fazer nada, não me apetece falar com ninguém, só me apetece ir ao facebook e pôr uma cara triste.

Não sei se é da idade ou dos químicos, pois quem fica sem tiróide, fica sem possibilidade de controlar naturalmente uma série de coisas, como a temperatura do corpo ou o humor, tem que ser por meio de um mini comprimido que se toma todos os dias, ou não porque me esqueço muitas vezes de os tomar...

Nem a  trovoada do outro dia me melhorou o humor, bem melhorou durante um bocado, pois a cada relâmpago que via ou trovão dava um gritinho de alegria, parecia uma adolescente... Ahhh adoro trovoadas...

Nem o facto de ter feito anos na semana passada e ter recebido um monte de mensagens e telefonemas de amigos e família me melhorou o humor... Só me apetecia desligar o telemóvel e meter me na cama. O facto de estar agora no ultimo ano dos "intas" é por si só já deprimente...

Nem o treino que fiz na sexta à chuva me ajudou. Nem tive vontade de saltar nas poças de água...

Nem ter comprado no (ou na???) Ikea, um novo aparador para a minha sala e ter passado o fim de semana sozinha a monta-lo (adoro montar moveis do (da??) Ikea, parecem puzzles) me animou...

Nem ter testemunhado (à distancia) duas pessoas que adoro a terminar juntos a maratona do Porto ajudou, vá por momentos ajudou, mas depois fiquei triste porque era para ter ido, mas (a agenda de uma ET é muito preenchida) não deu, queria tanto estar na meta...
Para o ano não pode falhar...

Ando a ganhar coragem para ir treinar, mas não me apetece calçar os ténis...

Enfim isto há de passar, passa sempre.


quarta-feira, 24 de maio de 2017

25 anos depois

Os 25 anos de ET, foram um marco que que fiz questão em festejar. Não sabia era que ia ser um ano, vá chatinho...

2015 começou com uns exames fofinhos à minha Tiróide. Parece que é um dos órgãos mais afectados, pela quimioterapia e TBI (total body irradiation) agressivas que fiz. Tinha um alto no pescoço há uma data de anos mas felizmente tinha estado sempre controlado. É claro que no aniversário de ET o dito cujo tinha que crescer... e a biopsia vinha inconclusiva...


A minha médica não quis arriscar. Vamos tirar isso antes que descambe... 



 A consulta com o "cirurgião" foi, estranha, digna de uma ET como eu. Imaginem o que é entrar numa sala cheia de médicos vestidos à "anatomia de Grey". Foi pena não estar o "McDreamy" ou o "McSteamy"... Saí de lá apavorada... Tanta gente para decidir se podi ser operada ou não...



Esperei então que me chamassem para me cortar pescoço.

Estava eu a descansar no sofá, quando toca o telemóvel:

"Estou a falar com a ET??"

"Pode vir amanhã a partir das 8.30, para ser operada???"

Eram umas 4 da tarde e no dia seguinte o meu marido ía para o Porto de avião, para ver um jogo da liga do campeões no estádio do dragão (sim, sim, o marido é tripeiro, mas ninguém é perfeito)...


"Claro que sim, se quiser posso ir já..." Disse eu... Ahhh, felizmente a senhora não ligou à parvoíce que eu disse...


Com o stress todo de preparar tudo, deixar a miúda na avó, jantar bem (petiscos, no Maria Azeitona, na Amadora) comprar um livro sobre o Estado Islamico (para ler no hospital) acabei por nem ter tempo para pesquisar sobre a operação, o pós operatório ou como é fácil engordar sem Tiróide...






A ultima ceia, no Maria Azeitona

Sempre fui apologista da máxima, "saber é poder", mas neste caso foi bom ter ido para a sala de operações sem saber o que me ía acontecer...

A recuperação foi uma seca. Levantava me e via tudo a andar à roda. Lembro me bem do primeiro dia em que fui à rua. Foi assustador, bancos de jardim a andar, árvores a perseguir me, tudo digno de um filme de terror. E os adesivos no pescoço a atrofiar os movimentos?? Fofo, muito fofo...

Antes de ser operada caminhava todos os dias e andava a "comer bem". Isto favoreceu a minha recuperação. E quando me senti a 100% quis logo retomar as minhas caminhadas e meti na cabeça que ía começar a correr...


Back to the game


As corridas são para outras núpcias...