segunda-feira, 26 de junho de 2017

What happens in Peniche...

Antes de começar a escrever pensei em palavras que descrevessem como me senti no sábado...

Intoxicada, embriagada, empaturrada...

Repleta, completa...

De coragem, apoio, alegria...

Confesso que hoje ainda me vem a lágrima ao canto do olho, sempre que me lembro do grito que dei naquela meta, a alegria era tanta que não cabia no meu peito, tive que exteriorizar.

O dia começou muito ensonado, deitei me tarde e acordei muito cedo. Tomei um pequeno almoço da treta e o almoço foi sushi. Ainda tentei ir a um restaurante italiano comer massas, mas só via queijos e natas nos ingredientes, e digo vos que passo mal quando me ponho a comer algo com lactose...
Ou seja fui para Peniche com um peso na consciência, porque não me alimentei adequadamente, principalmente porque me tinha portado tão bem durante a semana, sem álcool, a beber muita água, a comer coisinhas saudáveis...

A viagem foi muito animada, deu para me distrair dos nervos que tinha. Quando chegamos fomos a uma pastelaria esperar por dois colegas da equipa que foram mais cedo e que tinham os dorsais... Entre jolas e gelados (com um aspecto delicioso) a ET ficou a olhar... Não quis/consegui comer nada, tinha o estômago cheio de borboletas. Tentei concentrar me nas conversas animadas do pessoal, mas estava a ser difícil...

À medida que a hora se aproximava mais nervosa ficava, passeamos pela cidade, combinamos a estratégia para o "assalto à sardinha", encontramos conhecidos, amigos, tiramos fotos, videos... Sempre na risota e animação.

A chegada...


Na altura de ir para a zona da partida, um abraço especial de um amigo que me incentivou a participar nos 15km e que me garantiu que ia ter comigo assim que terminasse a prova dele. Obrigada pelo apoio.

E eis que começa... Musica nos ouvidos, relógio a funcionar, pernas a mexer, BORA LÁ!!!

Lá vai a ET, no ritmo possível, num ritmo confortável. Senti me tão confortável que nem olhei para o relógio, Ia distraida com a musica dos fones...
O apoio da população é realmente do outro mundo, nunca vi tanta gente na rua a apoiar, foi fantástico, só esse apoio é meio caminho andado para fazer esta prova.

Não tive dores, não senti aquela dificuldade inicial e habitual que tenho SEMPRE!!! Sim sempre, mas não sei se estava intoxicada de apoio e carinho, nunca tive vontade de desistir, nem me passou pela cabeça...
Quando passei pela divisória entre as fogueiras e fogueirinhas, olhei para cima vi o numero 15, e disse para mim:

Bora lá, tu és capaz!!!

E lá fui eu, a distribuir HI5 aos miúdos. Corri muito, nunca corri tanto na vida, mas também andei.
A visão do fogo, no escuro cerrado, o mar, as pessoas a aplaudir, o pessoal em bicicletas e motos a perguntar se estávamos bem, foi tudo perfeito. Só faltava a família... E foi mesmo a cereja no topo do bolo, ver o meu amigo a subir a rua, para me ajudar a terminar a prova... Ninguém fica para trás...
Um pouco mais à frente, eis que vemos um individuo no escuro, parece o M (de uma equipa vizinha, mas nas provas e treinos só mudam as camisolas, somos todos amigos). Era mesmo o M, disse que me vinha buscar e lá fomos de braço dado...
Até que quase no fim alguém grita o meu nome... "Alguens"... Era o resto da equipa que era suposto estar já a assar as sardinhas, mas quiseram esperar pela ET...
Acho que foi aí que quebrei, mas quebrei de felicidade (mau tanta lamechisse) fiquei tão emocionada, que nem conseguia respirar. Parei recuperei e com o pessoal atrás a puxar por mim fui a caminho daquele sitio desejado, a meta... Mesmo à chegada lá estava o L, a dar me força, orgulhoso do meu feito...
E ao pisar aquele tapete vermelho fiz algo que normalmente não consigo fazer, fui buscar forças não sei aonde aumentei a velocidade, com os Ornatos Violeta nos ouvidos, lágrimas nos olhos, o N, o M e a S atrás de mim cortei a meta com um tempo inesperado para mim, 1:50.




Depois, foi a altura das sardinhas e que boas que estavam. Foi pena estar mesmo muito frio, porque por mim tinha ficado em Peniche até mais tarde, a fazer brindes e a comer sardinhas...

Havia tanto mais para contar, mas what happens in Peniche, stays in Peniche...
Para o ano estou lá outra vez...

E agora??? Continuar a treinar, as Dores estão a chegar...

quarta-feira, 21 de junho de 2017

Em preparação

Elas estão a chegar... As fogueiras, os 15km... E eu não estou preparada, não estou mesmo. Ontem fui fazer um teste e não correu bem. Era para ter sido na sexta feira passada, mas a agenda de uma ET é muito preenchida e não consegui encaixar umas horas para treinar.

Fui sozinha, com um mini cantil, com água. Sei que devia de ter ido com o pessoal e com um isotónico ou algo do género, mas queria testar com "más condições"... Andei muito, demais... Que irritante.



É evidente a minha fraca prestação... Até aos 10 estive a tentar controlar o ritmo, queria fazer abaixo dos 8min/km, mas a partir dos 11km as pernas não funcionaram. Ao menos não tive cãibras...

Hoje vou rolar 6km com as colegas que vão às fogueirinhas e vou fazer umas alterações para testar:

Levo as meias de compressão
Levo água com isotónico/energético do marido para testar 

Vamos ver se ajuda.

Eu não tenho duvidas de que consigo terminar, mas não quero mesmo ser a ultima, nem das ultimas.

#naomexamnasminhassardinhas

terça-feira, 20 de junho de 2017

Louzan Trail 2017

O fim de semana prometia calor, trilhos lindos, riachos refrescantes, xisto, subidas, descidas, paisagens deslumbrantes... Mas...

No sábado fomos carregados de água para a linda Lousã, sob um calor abrasador... Chegámos por volta da 14:30. Tínhamos marcado um passeio organizado pela Câmara Municipal a uma aldeia típica de Xisto... Confesso que não estava com vontade nenhuma de me meter num autocarro à hora do calor, rezei (atenção que não sou crente) para que tivesse ar condicionado. Felizmente tinha ar condicionado. Encontramos um casal conhecido e fomos para a maravilhosa serra da Lousã de visita à aldeia de Candal.

Candal - Já se percebe a trovoada





Piscina de Candal, fresquinha


Maravilha... As casas rodeadas de verde, o som dos passarinhos, misturado com o som da água dos riachos... Nem o sol a queimar a minha pele (alerta de escaldão) estragou o momento.

No caminho senti o nervosismo do pessoal que ia à prova, eu ia na boa, ia à caminhada... Vimos as famosas fitas laranja em subidas/descidas (vá paredes) com declive fofinhos, locais onde não dava para perceber como é que chegavam lá. Ia ser uma prova puxada... Eu só dizia:

"Tchiii, ainda bem que vou só à caminhada"

Sei que uma boa parte das pessoas que iam naquele autocarro, ficaram com inveja de mim...
O meu marido estava inscrito nos 25km e senti que estava um pouco receoso, mas ele já sabe por experiência, que na serra da Lousã não se brinca...

Chegados à cidade, levantamos os dorsais. Devo dizer que as Tshirts são muito giras. Entretanto começamos a ver o céu muito escuro, de trovoada.

Fomos comprar mais agua e começamos novamente a subir a serra, mas desta vez, no lado oposto, para a linda aldeia do Talasnal. Sempre a ver as fitas laranja...


Chegados ao Talasnal, fomos levados à casa onde passaríamos o fim de semana. Pequenina, com aquele aspecto rústico no exterior, mas com todas as comodidades modernas, com uma vista maravilhosa para a serra e para o alto de Trevim que é o ponto mais alto da serra e onde iriam passar os runners dos 50km.


Antes do jantar ainda deu para explorar um pouco a aldeia. Fomos até a um riacho lindo...

Talasnal

Riacho
Quando estávamos de volta vimos um helicóptero de combate a incêndios, no alto da serra, “por trás” de Trevim, isto por volta das 19.30. 
Às 20 horas já cheirava a “incendio”.

O jantar foi no típico restaurante da Ti Lena. Foi um jantar delicioso, mas alienígena, pois a luz estava constantemente a faltar, por cerca de 2 minutos, algo que a senhora do restaurante estranhou. Também as comunicações estavam etezadas, pois quando liguei para a famelga ficava sem ouvir nada no telemóvel, apesar de ter rede e do outro lado o pessoal estar num local também com rede (não, não, não estava a ligar para Marte)…

Agora ao escrever este relato, até fico agoniada, por me estar a divertir enquanto decorria aquela tragédia a uns 30km de onde estava…

Quando terminamos o jantar, estava um pôr do sol maravilhoso...

Ficamos um pouco no alpendre da casa sentados em cadeiras de baloiço a desfrutar do silêncio da serra…
Antes de deitar ainda procurei nas redes sociais onde era o incendio, mas não encontrei nada, e na TV davam conta de um incendio no distrito de Leiria (está a kms da Lousã, que é no distrito de Coimbra, pensei eu) que não me preocupou…

Dormimos mal porque estava muito calor e da rua só havia cheiro a incendio, nem uma aragem…

Acordamos muito cedo, porque a prova dos 25 km começava às 7 da manhã. O meu marido levantou se, pegou no telemóvel e abriu a janela.  
"- Ohhh cancelaram a prova..."

Lá fora chovia cinzas e o cheiro era muito intenso. Havia gente que estava hospedada na aldeia, que literalmente fugiu.

Fomos à cidade, para comer e tentar perceber o que estava a acontecer.
Ouvimos que os voluntários do abastecimento de Trevim, estavam assustados e queriam sair dali.
Eu sei que lá em cima, a 1200m de altitude a vista é deslumbrante, mas no domingo devia de ser assustadora.

Havia também quem dissesse que no sábado à noite a maior preocupação da organização era a desorientação dos veados que estavam a fugir para a zona onde iria decorrer a prova...

Lousã estava envolta em fumo...

Voltamos para o Talasnal, mas fomos parando em determinados locais para explorar alguns dos trilhos que a organização tinha preparado.


Não era nevoeiro
Ia ser uma prova linda, difícil, desafiante, mas largarem 1500 pessoas na serra, naquelas condições, era mesmo muito perigoso.


Só espero estar bem para voltar à Lousã no próximo ano, e que se mantenha assim linda e verde...

Aproveito para deixar os meus sinceros sentimentos ao familiares e amigos de todos os que faleceram.

E muita força, para quem perdeu tudo!!






quarta-feira, 14 de junho de 2017

Em contagem decrescente...

Ai, ai, ai...

Ai, os 15km estão aí e eu estou a ficar aterrorizada... A famosa subida de 3km anda a mexer com a minha cabeça...
Noutro dia falei com pessoal de um grupo de corrida vizinho sobre a famosa subida, eles disseram me que a subida de 3km,era um mito urbano... Bem, vou respirar fundo e fingir que acredito...

Ontem resolvi aproveitar o feriado de Lisboa para passar no Freeport e comprar uns ténis novos de estrada.
Fiquei em duvida entre os Nimbus da ASICS e os Pegasus da Nike. No final levei os Pegasus, achei que eram os mais leves e frescos. Acho que nunca perdi tanto tempo (e dinheiro) a escolher uns sapatos, como o que perdi ontem , fora a figura triste que fiz a "correr" nas lojas... Enfim, espero ter feito a escolha correcta...



É claro que tinha que experimentar os sapatitos novos. Optei por ir sozinha, já que o pessoal estava a combinar ir para o monte e eu comprei tenis de estrada, não de trail (desculpa esfarrapada para não ir fazer todas as subidas da zona com o L)... Fui então fazer o treininho do meu relógio, com 10 min de aquecimento, numa frequência cardíaca baixa, 1 hora a um ritmo mais elevado e 5 min de relaxamento. Senti me muito bem, apesar do calor e da baixa de forma em que tenho estado.




Para uma ET correr 1 hora com uma média de 7:52min/km, é espectacular. Apesar de ter parado muitas vezes fiquei feliz com o meu desempenho. Hoje faço um treino de séries e domingo Louzan Trail, mas no formato caminhada (que vou tentar fazer a correr) porque 17,2km com desnível positivo de 1300m não é para esta ET...

quarta-feira, 7 de junho de 2017

Treino louco

Pois é, o pico de loucura do líder do nosso grupo de corrida apareceu ontem...

A ET, que tem andado em baixo de forma (também nunca foi muita, a forma) foi treinar com o gang, à espera de algo, vá soft, não soft light porque quando o L (de líder) está em forma (o que é normal) os treinos são um pouco puxados, por isso já estava à espera de um treino duro.

Bem que preciso, vou fazer a minha primeira prova de 15km, e para alguém que mal se aguenta a fazer 10km, o treino duro é essencial, mas bolas não era preciso tanta subida.


O L passava o tempo todo a dizer, agora é sempre a descer... O tanas... Houve alturas em que corri com todas as minhas forças de maneira a chegar até ele, para lhe apertar o pescoço... Mas ele corre mais que eu.

Acabamos no topo do monte, já estava a escurecer e tivemos que descer tudo às escuras (claro que ninguém levou frontal ou sequer tenis de trail) à luz da lua, por uma zona escorregadia (claro que houve tralhos, mas a ET safou se). Fui, para não variar a ultima e houve uma altura que tive de parar, estava com tantas cãibras na perna, foi até triste/romantico, eu, sozinha, no meio do monte, agarrada à perna, à luz da lua, com vontade de chorar... Não, foi mesmo só engraçado.
Felizmente um colega voltou para trás e ajudou me. Puxei a meia de compressão para baixo e recomecei a descida, quase suicida...

Mais uns km e a tortura terminou... Para a semana estou lá outra vez, ma levo frontal e tenis de trail, não vá o L ter acessos de loucura.

Conclusão, a ET não consegue subir a correr. Estou lixada, como vou eu fazer uma prova de estrada de 15km??? E talvez as meias de compressão não sejam boa ideia...

Já agora, preciso de uma dica:

Tomo Cálcio e Magnésio, e tive muitas cãibras nos dedos dos pés, a subir e na zona entre a perna e o pé, quando desci o monte... Alguém recomenda alguma coisa (alem de treinos mais regulares)???

segunda-feira, 5 de junho de 2017

Triatlo

Ohhh, não se assustem, não tenho pretensões de me tornar praticante da modalidade, sou ET!!
Imaginem uma ET a nadar ou em cima de uma bicicleta!!! Até a mim me deu vontade de rir a imaginar um corpo verde e com antenas a boiar na água, porque a ET não sabe nadar yoohh...

Bem, este fim de semana estava no Sabugal onde decorreu um evento de triatlo e digo vos, fiquei fã. Às 3 da tarde (estava um calor descomunal, e tive direito a escaldão e tudo, fiquei verde escuro) partiram da barragem para fazer 1,5km a nadar a um ritmo frenético... Saem da água e toca a correr para as bicicletas que estão dispostas num corredor.





Comentário de um amigo:

"Esta prova não podia ser disputada na Amadora ou Damaia... Quando chegassem às bicicletas, não estava lá nada!"
(No coment...)



Eles correm enquanto tiram o fato térmico e a touca e pegam no capacete e na bicicleta... Merecem todos um prémio, só por esta parte da prova, porque toda a gente sabe que os homens só conseguem fazer uma coisa de cada vez.

Depois 40km de ciclismo... A uma velocidade louca, parecem pequenas naves espaciais a voar rentes ao chão...
Acabados os 40km (se eu participasse ainda estava a tentar sair da água, à espera que a corrente me levasse para terra), largam as bicicletas, os capacetes e toca a pôr os pés nos ténis, também dispostos num corredor (parques de transição) cheio de ténis...



E ala que se faz tarde, mais 10km em cima, agora a correr. E quase todos com um aspecto fresco, aquilo não era nada, correr 10km a uns 2,9/3 e tal km/min depois de 1,5km a nadar e 40km de ciclismo, é peanuts para aquela malta e ainda por cima sem meias...

Não sei se protegem os pé de alguma maneira ou simplesmente já estão habituados, mas para mim (atenção que eu sou ET) ainda pior que nadar (ET não sabe nadar yooh), pior que andar de bicicleta (odeio, não tenho coordenação nenhuma), é correr sem meias...
Respect.

Cliquem se quiserem ler uma reportagem profissional da prova que vi...




sexta-feira, 2 de junho de 2017

Eles andem aí...

Hoje foi dia de voltar aquele sítio... O mítico IPO... Fui de metro.

Incrível como o metro está apinhado de gente estranha, estrangeiros, miúdos cravejados de pearcings, tiazocas com sacos da Primark, gente a falar sozinha (sim, sim eu sei que estão a falar ao telemóvel em alta voz, ou com "kit de mãos livres", ou não, podem ser mesmo ETs), só malta digna de morar em Marte ... Ou seja no metro não me senti  extraterrestre, era na verdade a pessoa mais normal dali.

À ida para lá, sentou se ao meu lado um espanhol que falava tão rápido e alto que ponderei sair em Chelas só para não ter que o ouvir mais...

No outro sentido, quando ía para casa, sentei me ao lado de um miúdo que devia ter começado o estágio talvez numa firma de advogados, pela maneira como estava vestido. Não estava a falar ao telemóvel, nem a ouvir musica sem phones, pareceu me um ET "normal". Ele tira uma bolacha do bolso e começa a mastigar, mas de uma maneira tão delicada que parecia um pianista que tem muito cuidado com o que faz com as mãos, estava a gostar de ver, afinal o futuro da humanidade não está perdido... Depois de terminar a bolacha, começa a mexer num saco que estava no chão... "Ooohhh não é um extremista e a bolacha foi a ultima refeição..."
Não, não era uma lancheira com um bife todo cortadinho e umas massinhas (acho que era massa), tirou o garfo e almoçou ali mesmo, no banco do metro...

E a extraterrestre sou eu???



Estudantes de antropologia, vão para o metro fazer teses!!!

E por favor, não falem ao telemóvel, nas carruagens do metro, NÃO SE OUVE NADA!!!!


What happens in Peniche...

Antes de começar a escrever pensei em palavras que descrevessem como me senti no sábado... Intoxicada, embriagada, empaturrada... Replet...