quinta-feira, 16 de novembro de 2017

A ET vai aos Abutres!!! Capitulo 1

Eu sei, eu sei, tenho andado depré, mas não se preocupem, não estou suicida. Vou à prova, mas no modo caminhada/apoio. Vai ser espetacular voltar àquela serra que eu adoro… O problema vai ser o stress, porque o meu marido vai aos 30km do Abutres…

Vou aproveitar para abordar um tema que fica muitas vezes esquecido em muitos blogs running que sigo, o apoio das mulheres/namoradas/amigas coloridas, dão nas provas e os stresses e peripécias porque passam (principalmente quando acompanhadas com filhotes)…

Ahh e nem venham com coisa do tipo “ET, e os maridos/namorados/amigos coloridos??? Eles também apoiam e têm stresses…”
TRETAS!!!

Então, a minha entrada para este mundo louco do running deveu se ao meu marido. Ele começou a treinar com um amigo e de um momento para o outro deixei de estar com ele. Durante a semana treinava e aos fins de semana ia a provas. Eu fazia as minhas caminhadas e acabei por me juntar ao grupo para ter motivo de conversa com o marido, mas comecei pelas caminhadas, porque correr é parvo, pensava eu. Acho que é algo que tooodddaaa a gente, que nunca experimentou correr, pensa…

Depois de experimentar fiquei viciada.

A primeira vez que fui acompanhar o gajo a uma prova (felizmente não me inscrevi) foi ao Louzan 1000, em 2016. Foi a primeira vez que estivemos na serra na Lousã. Foi amor à primeira vista. É uma serra linda, verde, com cascatas de agua por todo o lado, ficamos mesmo apaixonados…
Nesta prova tem que se subir 1025m em 8.5km. Parece fácil, não é?? Nem de carro é fácil, quanto mais a correr ou a andar…



Os atletas partem do Hotel Palácio da Lousã (lindo, lindo, lindo) e a chegada é no ponto mais alto da serra, em Trevim (deslumbrante a paisagem).

Palácio da Lousã

Bonito



Quando chegámos à Lousã no dia anterior e começamos a subir a serra de carro é que o gajo se apercebeu da dificuldade da prova… E eu fiquei cheia de medo, porque tenho pavor a conduzir em estradas estreitas de dois sentidos com falésias brutais… Principalmente quando a filhota vem no carro…




No dia da prova o gajo achou que não valia a pena levar os bastões que o L (o líder do nosso grupo de running) sábiamente emprestou e aconselhou a levar… Sim para quê levar bastões para uma prova onde se sobe 120,6m por km??? Era excesso de peso, de certeza!!! Então os bastões ficaram no quarto do hotel, a descansar…

Quando partiram confesso que fiquei com um pouco de inveja. Assim que consegui peguei na miúda e metemos nos no carro para começar a subir a serra até Trevim.




Ainda mal tínhamos começado a subir, quando nos mandaram parar. Era a passagem dos atletas que nem 1 km deviam ter feito… O nosso carro era o primeiro, por isso eles passavam à nossa frente. De repente aparece o gajo à nossa frente. Ponho me a apitar que nem uma louca, e ele olha para nós com um ar de quem já estava nas ultimas e grita, desesperado:

“OS BASTÕES, OS BASTÕES, ESTÃO NO CARRO????”

“NNOOOPPPP, FICARAM NO HOTEL!!!” – Gritei eu.

A cara de desapontamento do gajo… Xiiii. Lá esboçou a custo um sorriso para a miúda não ficar triste, e desapareceu.

E nós lá começamos a subir, devagar, devagarinho… Quem vinha atrás e com pressa, azares, querem ir depressa, arranjem uma autoestrada!!!!

Passado, sei lá quanto tempo, chegámos ao topo da serra, Trevim, com as ventoinhas eólicas e uma vista brutal. Lá ao fundo até se via a serra da Estrela que estava com o topo branquinho (a prova foi em Março)…

Paisagem brutal

Lindo


Coloquei me num ponto estratégico para o ver a chegar, e esperei… E esperei… E esperei…

- Oh mãe, quando é que o pai vem???

- Deve estar mesmo a chegar. Senta te ai que eu já te chamo…

E esperamos, esperamos, esperamos…

-Maaaaeeeeeee, estou farta de esperar…

E passa o senhor com o cão, o senhor com evidente excesso de peso, a senhora com evidente excesso de peso, e do gajo nada…

Cão atleta e o seu dono

-Maaaaaaaaaaaaeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee??????

Bolas… Será que aconteceu algo ao gajo. A ansiedade e preocupação…

- Maaaaaaaaaaaaeeeeeeeeeeee!!!! QUERO FAZER XIXI!!! – Grita a mini ET!!!

Porra até os veados ficaram a saber que ela precisava de fazer xixi… E agora o que é que eu podia fazer??? Não havia WC, nem sequer um arbusto decente para o servicinho. E claro, ela é uma menina da cidade, que só sabe fazer xixi em sanitas, sabe lá agachar se e fazer o serviço sem se sujar toda…
Quando pego nela para procurar um local adequado, eis que vejo o gajo lá em baixo. “Olha o papá!!”

-ESTOU AFLITINHA, NÃO AGUENTO!!!

Ahhhhhh ansiedade, preocupação, felicidade, irritação, frustração… Tudo numa fracção de segundo… Aguentas pois, tens que passar na meta com o papá!!! Nem sei como, mas aguentou e passou a meta com o pai sem grande stress, porque nenhum deles conseguiu correr até à meta…
E depois pego nela e eis que consigo arranjar um espacinho e é claro xixi por todo o lado…


O gajo foi quase o ultimo a chegar e trouxe um amigo com ele, um pau que fez de bastão. As fotos dele na prova são um fartote, porque parece o pastor com o seu cajado…

Orgulhosa do meu gajo!!

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

ET em modo Depré...

Pois é, às vezes sinto me assim, em modo depressivo, não me apetece fazer nada, não me apetece falar com ninguém, só me apetece ir ao facebook e pôr uma cara triste.

Não sei se é da idade ou dos químicos, pois quem fica sem tiróide, fica sem possibilidade de controlar naturalmente uma série de coisas, como a temperatura do corpo ou o humor, tem que ser por meio de um mini comprimido que se toma todos os dias, ou não porque me esqueço muitas vezes de os tomar...

Nem a  trovoada do outro dia me melhorou o humor, bem melhorou durante um bocado, pois a cada relâmpago que via ou trovão dava um gritinho de alegria, parecia uma adolescente... Ahhh adoro trovoadas...

Nem o facto de ter feito anos na semana passada e ter recebido um monte de mensagens e telefonemas de amigos e família me melhorou o humor... Só me apetecia desligar o telemóvel e meter me na cama. O facto de estar agora no ultimo ano dos "intas" é por si só já deprimente...

Nem o treino que fiz na sexta à chuva me ajudou. Nem tive vontade de saltar nas poças de água...

Nem ter comprado no (ou na???) Ikea, um novo aparador para a minha sala e ter passado o fim de semana sozinha a monta-lo (adoro montar moveis do (da??) Ikea, parecem puzzles) me animou...

Nem ter testemunhado (à distancia) duas pessoas que adoro a terminar juntos a maratona do Porto ajudou, vá por momentos ajudou, mas depois fiquei triste porque era para ter ido, mas (a agenda de uma ET é muito preenchida) não deu, queria tanto estar na meta...
Para o ano não pode falhar...

Ando a ganhar coragem para ir treinar, mas não me apetece calçar os ténis...

Enfim isto há de passar, passa sempre.


segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Coimbra 2017 – No pain, no game…


Por motivos de agenda e outros (preguicite) não tenho treinado nada…
Fiz dois treinos sozinha de uns 7km, em duas semanas e mais nada…

Não sei se conta ter corrido uns 200m na semana anterior, durante a maratona de Lisboa com o meu marido enquanto ele mudava de camisola e mais uns 50m em Algés e uns 10m na zona da meta…
Resumindo, nem o facto de ser uma prova fácil, pois não tem subidas e é quase sempre a descer, me safou… Sem treino não há “superação” (normalmente para mim, mesmo com treino é complicado). 

O que vale é que eu sou uma ET deveras positiva e a minha decepção é rapidamente transformada em alegria, quando vou vendo os resultados dos colegas…

No ano passado “fui muito feliz em Coimbra”, por mim e pelos restantes colegas de equipa. Fiz uma prova agradável e terminei com 1h03, algo que para mim é fantástico. No ano passado tinha treinado e estava muito confiante.

Este ano não estava nada confiante, mas ía tentar melhorar a marca do ano passado.

Saímos logo bem cedo, 3 carros. Chegados a Coimbra fomos levantar os dorsais e toca de tomar o pequeno almoço. Um sumo de laranja, um croissant de chocolate e um café… Foi o meu erro para esta manha… Já há alguns anos atrás tinha pago caro o café antes de um treino e voltei a repetir… É que o café em ETs é SUPER diurético, pelo menos para esta ET… Nem uma ida ao WC antes da prova me ía safar…

Antes da prova, as fotos de família. Eramos 15, eu e a SB fomos para a mini, o meu marido, o N, o PM, e os estreantes PF e CL iam para os 21. O resto do pessoal foi caminhar com os miúdos.
Depois do grito de força e dos abraços, estava tudo pronto…

O pessoal dos 21 ficou mais à frente, eu e a SB fomos para o fim para não estorvar ninguém. E eis que começa, e é tão bom começar uma prova a descer… A SB ía deslumbrada, “ET esta prova é espectacular, é sempre a descer…”

Logo no inicio a minha bexiga deu sinal de vida, bolas mas estive naquela fila para ir à casa de banho antes da prova e nem assim, não devia de ter bebido o café… E lá fomos, a SB eu e a minha bexiga.

No ano passado tinha ido sozinha e tinha passado a prova toda a pensar onde ia parar para ir à casa de banho. Via um café e pensava, é agora, é agora… E não parava… "Bolas agora já não dá para parar, paro no próximo…" 
Mas nunca parei, e acabei por me distrair com outras coisas, tipo ir atrás de um rapazito jeitoso 😊

Este ano, nem que um Brad Pitt com 20 anos fosse comigo… A minha bexiga estava demasiado irritante… Raios partam o café… Fui durante uns 4 km aflitinha…

“Paro agora, não paro para a próxima…” Até que não aguentei mais. Ví o toldo do café e disse para mim (outra vez), vou parar ali. E parei, entrei e perguntei se podia ir à casa de banho (sou uma ET bem educada). A rapariga que estava ao balcão disse que sim, era só descer as escadinhas… E lá fui eu, desci as escadas e ai, ai, ai, a ET ía tralhando nas escadas… Esvaziei a bexiga e voltei, mais leve… Agora só tinha que me concentrar em acabar e depressa… Passei o resto da prova a fazer contas de cabeça. Via a SB lá ao fundo, mas nunca mais a consegui alcançar.

A chegada foi agridoce, é sempre bom passar a meta, mas fiquei desiludida comigo, tinha que ter treinado mais.


Há alturas em que fico meia deprimida… Sou sempre a ultima a chegar, a que tem mais dificuldade nos treinos. Tenho evitado treinar com o pessoal, porque estou sempre a atrasar toda a gente. Ainda noutro dia, num treino, apareceu uma rapariga nova, que eu acompanhei. Em tom de brincadeira disse lhe que normalmente era sempre eu que acompanhava as pessoas “novas”, porque toda a gente evolui menos eu, sou sempre a ultima…


Mas continuando o relato de Coimbra. Passei a meta, e fui à procura da SB e do pessoal da caminhada. A ideia era pôr os miúdos a passar a meta com os pais.


PF na sua estreia nos 21km


Fui então para a ponte sobre o Mondego, antes da recta da meta esperar pelo pessoal dos 21km. Quando visse alguém, ligava para a RT a avisar e elas aprontavam os miúdos para passar a meta com os pais. Esta parte correu super bem, à excepção do meu marido, ele foi o primeiro dos 21km a chegar. Não o vi passar, como ele tinha feito a maratona no domingo anterior, pensei que fosse chegar mais tarde… A minha filha ficou muito triste, porque ela adora passar a meta com o pai… 

Quando o meu marido estava a passar



No final lá passou a meta com ele, porque a nossa enfermeira preferida fez a sua primeira prova de 21km, e teve a companhia de uma grande parte do pessoal, foi o meu momento favorito desse dia.


E uma prova em Coimbra, tem que terminar com as famosas (e horríveis) escadas do Quinchorro…
As famosas

Cada degrau tem uma altura diferente

Cansa mais subir isto do que a prova...


sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Quem raptou o Outono???


Eu gosto de todas as estações do ano, mas o Outono é especial… 

Primeiro, porque ninguém gosta do Outono e eu adoro “coisas” que ninguém gosta, só para ser do contra, e depois porque o Outono transporta me para momentos felizes da minha infância…

Esta estação do ano está cheia de sons, cheiros e imagens únicas…


O cheiro da terra molhada, das primeiras chuvas, ooohhh, adoro, adoro, adoro… Não que goste particularmente da chuva, mas o cheiro a terra molhada é quase um portal do tempo para mim… E quem não gosta de saltar nas poças de água???


As folhas secas… Não sei porquê, mas adoro o som das folhas secas a serem pisadas. Etzisses…

A recente tradição do dia das Bruxas é algo que também adoro. 

Buuuuuuuu




Os meu pais vivem no campo, e no outono têm sempre imensas abóboras. De há uns anos para cá começamos a tradição de esculpir abóboras assustadoras, que colocamos na entrada da casa dos meus pais.
Tem feito tanto sucesso que todos os vizinhos nos imitaram. Na noite de 31 para 1 aquela rua fica toda iluminada com abóboras assustadoras…


Assustadora!!!


E as trovoadas??? As trovoadas de fins/meados de Setembro??? Era o sinal de que o verão tinha acabado. E eu ADORO trovoadas!!! Querem ver me feliz??? Só preciso de uma boa trovoada, e uma janela com visão ampla, se possível sem vidros duplos, para se ouvir bem…


Mas este ano não há trovoadas, chuva, folhas secas, e pelo andar da carruagem nem abóboras… 


Que outono triste, só há sol e calor…

Devolvam o outono!!!

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Trilho das Dores 2017 – Ai ai ai…

Esta quinta-feira que passou, na minha consulta anual de pediatria a minha tensão estava um pouco alta, algo que é estranho para mim porque tenho normalmente a tensão muito baixa. Foi de tal maneira estranho que a médica mediu novamente. Ela os associou valores elevados (15/10) aos nervos (síndrome da bata branca). No sábado voltei a medir a tensão e estava a 14/10, e não estava ninguém de bata branca… Comecei a stressar (ainda mais)…

A noite de sábado foi muito malpassada, dormi muito mal, estava mesmo muito nervosa.

E eis que chega o grande dia (madrugada)… Fomos 7 numa carrinha, o resto do pessoal foi lá ter.
A viagem foi muito animada, sempre na risota, foi excelente para os meus nervos acalmarem.

Chegamos lá e sempre bem dispostos fomos à procura do colega que tinha levantado os dorsais. Na zona da partida estavam uns estudantes de enfermagem a medir a tensão a quem quisesse participar num pequeno inquérito. Eu aproveitei logo… Valores 14/10…
- Vamos repetir? Este 10 está muito alto. Disse a rapariga (futura enfermeira)!!
14/9, ok um pouco melhor, ainda perguntei se deveria participar… Confesso que estava com esperança de que ela me dissesse que era melhor ficar quietinha ou fazer só a caminhada, mas não, ela disse me que não havia problema nenhum em participar… Bolas…

O pequeno almoço foi muito bom, uma mesa farta, fruta, pão, bolinhos, gelatina, cereais… E nós sempre na brincadeira uns com os outros… Foi novamente excelente para diminuir o nervosismo.
Mesa das Dores :)

Estava na hora dos bravos dos 35km partirem. Um desses loucos era o meu marido. Ia com mais 2 loucos da equipa e um amigo. Meia hora depois foi a vez dos 17km, fomos caminhando para a zona de partida sempre na brincadeira, mas acho que todos perceberam que eu estava muito nervosa.
Eis que grito: “vou atacar o ultimo lugar com unhas e dentes!!!!”  O FP que é um colega que parece um militar a falar disse me: “É isso ET, garra, e energia”!!! Acho que todos pensaram que eu ía chegar NOVAMENTE em ultimo lugar… Principalmente eu…

O meu objectivo era chegar antes do meu marido (foi o N que me lançou o desafio) algo que na partida me pareceu quase impossível, mas ia tentar…
A ultima prova que “participei” foi o Trail da Calhandriz. Decidi participar, quando fomos levantar os dorsais no dia antes. É claro que foi uma desgraça e acabei por fazer algo que nunca tinha feito antes, desistir… A ultima coisa que queria fazer nas Dores era desistir, a não ser que não conseguisse andar…

E eis que começa. Logo de inicio comecei a ficar para traz e a distanciar me da AC e da SB, que são normalmente as minhas companheiras de batalha para este tipo de prova. Mas não quis puxar muito logo de inicio. Fui ao meu ritmo, devagar, devagarinho…
Quando dei por mim ia ao pé dos vassouras… Bolas, era a ultima coisa que queria. Puxei um pouco para alcançar quem ia à minha frente. Reconheci logo a senhora que no ano passado foi connosco até aos 15km e que desistiu com a AC. Fui um pouco a falar com ela e com os vassouras (super simpáticos).

Aproveito para apelar às organizações de provas:

NÃO PONHAM VASSOURAS GIROS E SIMPÁTICOS!!
Quase que dá vontade de ir com eles…

Enquanto os vassouras e as senhoras que iam no fim estavam na palheta, eu aproveitei para os passar e lá vai a ET.
Ao chegar ao primeiro abastecimento vejo uma rapariga a ser carregada em braços… Bolas… E lá estavam a SB e a AC a petiscar. Disse lhes que que podiam ir, estava a sentir me bem. Bebi água comi um pouco de marmelada, tomate com sal e toca a ir embora, nem queria ver os vassouras ao pé de mim…

A prova estava super bem marcada. Corri, andei, subi muito, desci muito. Reconhecia alguns trilhos do ano passado, mas pareciam mais fáceis. Dei por mim a pensar que estava mesmo a gostar, mesmo perante trilhos mais difíceis, bolas, aquela paixão que tinha pelo monte (antes das Dores de 2016) estava a regressar. Dava comigo a sorrir ao deparar me com subidas onde o sitio para pôr o pé ficava mais alto que eu… 
Até que… 

Ia a ET a admirar o trilho rodeado por árvores lindas, quando, BANNDUUUU, mega tralho para o chão. Nem sei como caí, nem o que provocou, só sei que quando dei por mim estava à rasca da minha perna esquerda e do joelho direito. Levantei me, lavei a perna e continuei. O joelho estava esfolado mas a perna esquerda doía me um pouco… Mas afinal, estava no trail das dores ou o trail das nuvens fofinhas???
E lá foi a ET, sempre a fugir dos vassouras a ultrapassar quem já estava KO. A partir do ultimo abastecimento fui com a SB. Desta vez a subida dos 15km e dos 18km não faziam parte do trail curto, parece que tudo o que era horrivelmente difícil passou para o trail longo.
Concluindo, a ET acabou com 3h56m, nada mau…E o objectivo?? Alcançado, estive 3,5 horas à espera do meu marido...

E agora perguntam vocês, vais voltar a fazer provas de trail????


Pois… Parece que tenho que voltar às dores. Um dos colegas dos 35km teve que desistir, ele tinha treinado muito, mas não estava à espera de uma prova tão difícil (alguns comparam o trial longo das Dores aos Abutres) e desistiu aos 30… Assim vou ser OBRIGADA a voltar… Para o ano levo equipamento de protecção dos guarda redes de hóquei…

Os gráficos


sábado, 23 de setembro de 2017

Quase que dava para rir...

Mas não consigo...

Ontem foi dia de voltar lá... Aquele sitio, onde até posso ter tido momentos felizes, mas não me consigo lembrar deles, aquele sitio que me arrepia, aquele sitio que só me traz recordações tristes...

Era o dia do check up "à moda antiga", já que há 27 anos que vou lá, tiro sangue de manhã, e de tarde tenho a consulta...
Muita coisa mudou nestes 27 anos(felizmente para melhor), o médico, o local, o nome da consulta, até as cadeiras da sala de espera estão mais confortáveis, mas sinto me sempre da mesma maneira, triste e revoltada... Porquê eu??? Porquê??? Nunca me conformei...

Desta vez fui a primeira a ser chamada, e estava tudo "normal" ou quase... É claro que tinha que haver ETzisses. As minhas constantes cãibras em locais estranhos (pescoço, costas e peito) aparentemente não têm explicação...

No final há sempre, mas sempre a mesma conversa quando marco a consulta do próximo ano:

-Então mãe, a que horas é que quer marcar as análises?

Resposta da ET:
-Sou eu a paciente!! Vê-se bem pelo tamanho do processo, já por aqui ando há uns anitos...

Apesar de terem dado um nome diferente à consulta (DUROS), continua a ser a pediatria, sim a ET, já a caminhar para os 40, ainda tem uma pediatra...

Quase que dava para rir, mas não consigo...

Laço dourado - Na parede da ACREDITAR

terça-feira, 19 de setembro de 2017

A dolorosa...

Não me perguntem porquê, mas a prova de trail fetiche do pessoal da equipa, é o trilho das dores, que se realiza em terras ribatejanas (não, não é na Serra da Estrela, ou na serra da Lousã) mais precisamente nas Abitureiras, em Santarém.
No ano passado foi a maioria do pessoal, só não foi quem não gosta de trails, quem estava lesionado ou quem preferiu fazer meia maratona de Viseu...
Eu que nunca tinha feito uma prova de jeito de trail inscrevi me, claro, ía toda a gente, a ET também tinha que ir.
Depois de em Agosto fazer o TNLO2016 (na altura foi 15km) achei que mais uns 5 ou 6km não iriam fazer grande diferença, fazia as dores na boa...
Mas devo dizer que não foi na boa, mas não foi MESMO, as dores foram DOLOROSAS, pelo menos para mim.
Imagino que para 98% do pessoal achou as dores fáceis, mas para mim não. Ok, vou parar de "dizer" que foi difícil para mim...
Vá, continuando, logo de inicio ataquei a minha posição habitual na classificação, que é o ultimo lugar, mas não foi fácil a concorrência era feroz!!! Vinha num grupo com mais 4 colegas de equipa. Duas delas ficaram KO logo de inicio, era joelhos lixados, pés com bolhas, sei lá mais o quê... Mas nunca desistiram, nem com a nossa insistência... Entretanto "apanhamos" uma senhora que tinha sido abandonada pela equipa. Lá fomos sempre muito devagar, a subir e a descer em passo de caracol, a escorregar, com um calor abrasador. O pessoal que ía mais à frente ligou a dizer que por volta dos 15km havia uma subida horrível, mas por volta dos 18 km, havia uma muito pior, com corda. Nunca mais me esqueço no abastecimento dos 15km estar a olhar para aquela subida à minha frente. Pensei tanta vez em desistir, principalmente quando a AC afirmou que ía ficar por ali. Nesse abastecimento ficou a AC e a senhora da outra equipa. Eu "engoli em seco" e continuei.


Olha a ET, sempre no fim...



Na subida dos 15 km bati com a cabeça numa rocha e mais à frente numa descida fofinha caí de rabo e bati numa pedra. Por momentos pensei que a minha prova tivesse acabado ali. Foi um momento estranho, porque só ouvia a minha cabeça, mas via as minhas colegas a chamarem me, via as bocas delas mexerem, mas ouvia na minha cabeça algo do género:
-"Já te lixaste, como é que vais trabalhar amanha?? Devias de ter ficado no abastecimento com a AC!!"
Foi um momento etezado... Terra chama ET, terra chama ET!!! De repente oiço uma das vassouras que já nos acompanhava, a dizer algo reconfortante:
 - Agora aqui, só de helicóptero!!
Que coisa fofa de se dizer. E oiço a uma das minhas colegas a gritar me; "ET, LEVANTA TE!!! OLHA PARA MIM E LEVANTA TE!!!"
Bolas, eu levantei me, não tinha hipótese... Durante uns dias custou me sentar me, mas levantei me e continuei.
Ao chegarmos à famosa subida das cordas, já íamos tão assustadas que parecia que íamos escalar o monte Evereste... Quando cheguei lá acima, fiquei tão emocionada que confesso que houve uma lágrima sacana que escapou...
O final foi estranho, tinha vontade de correr, mas não podia deixar as minhas companheiras de batalha. Fomos a caminhar devagar, sobre um sol abrasador.
Quando passei a meta, prometi a mim mesma:

NUNCA MAIS VOU PARTICIPAR NESTES TRAILS LOUCOS!!!


É claro que voltei a inscrever me, na condição de a AC terminar aquilo este ano.

E depois das Dores 2017:


NUNCA MAIS VOU PARTICIPAR NESTES TRAILS LOUCOS!!!

A ET vai aos Abutres!!! Capitulo 1

Eu sei, eu sei, tenho andado depré, mas não se preocupem, não estou suicida. Vou à prova, mas no modo caminhada/apoio. Vai ser espetacular ...