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segunda-feira, 19 de novembro de 2018

Pinga Trail e a chuva de lama...

Este domingo foi dia de prova, de caminhada. Ahh pois, a caminhada também pode ser uma prova dura, e a caminhada do Pinga Trail foi das boas, mesmo como gostamos.

Na sexta feira tinha andado a ler que havia alerta de CHUVA DE LAMA!!!! A única chuva de lama que vi, foi no domingo, porque choveu muito e andei a patinar na lama, podemos considerar isto como chuva de lama?? Acho que sim.

Então, no domingo logo cedo (muito cedo) a coisa prometia, tinha estado a chover e fizemos a viagem até Arruda do Vinhos debaixo de chuva.
Os amigos Kaninos, os organizadores, tiveram que alterar a partida e a chegada para a Adega Cooperativa de Arruda dos Vinhos, e alterar trajectos à ultima da hora, para garantir alguma protecção aos atletas na partida e na chegada. Comer bifanas à chuva não é agradável... Mesmo assim conseguiram garantir um ambiente de festa. O Hugo Água era o speaker, a animação estava garantida.
Tivemos 2 estreantes nas lides do trail, o M que ia com o Gajo a Maggie, a GN e o A ao trail longo, e a L que veio participar na caminhada, comigo, a M, a AM e o LB. O resto do pessoal ia ao curto.

A nossa caminhada tinha 11,9km, e prometia ser das boas. Depois da partida dos trails fiquei a olhar para o pessoal que se alinhava para a caminhada. Desde "caminhantes profissionais" com camisolas polares e capas gigantes, até pessoal com ténis de pano e chapéu de chuva. Vi alguns "caminhantes profissionais" com mochilas GIGANTES. Estive quase para ir perguntar ao grupo em questão, o que é que levavam nas mochilas...
Será que...
- Levavam o portátil, para se sentarem no meio do percurso a trabalhar??
- Levavam material para fazerem almoço, panelas, pratos, fogareiro??
- Levavam tendas para acampar??
- Levavam um corpo para enterrar na serra??
- Levavam.....?????

Como podem imaginar tivemos motivo de conversa animada durante uns kms a imaginar o que estaria naquelas mochilas.

A nossa caminhada começou animada, fomos dando umas dicas à L. Como posicionar os pés nas descidas, andar depressa nas zonas de lama, tentar andar em locais com vegetação... Isto de andar em vez de correr tem os seus truques, principalmente em descidas com lama. Se alguma vez ouvirem uma louca a gritar no cimo de uma descida:

- Agora é fechar os olhos e correr como não houvesse amanhã!!!

Sou eu. Só espero é que ninguém o faça...

Logo no inicio tentamos fugir ao pessoal que ia com ténis de pano. para não ficarmos entalados em single tracks... Isto de caminhar também tem estratégias.
Ia super bem, até chegar à 1ª subida, numa zona de vinhas. Tinha um desnível jeitoso, e lama, lama daquela que se agarra aos ténis e é quase preciso puxar a perna com as mãos, porque o pé fica engolido na lama. É nestas alturas que agradeço a mim própria não lavar os ténis. Nunca lavo os ténis, deixo-os na varada e espero que chova. Lavar para quê?? Para me chatear de andar na lama porque os ténis estavam limpinhos???

Lavar para quê??

Até ficaram com uma sola de barro...


Essa 1ª subida custou-me horrores, tenho andado com uma pequena anemia que pelos vistos ainda não passou, cheguei lá acima a ver tudo a andar à roda...

Depois de mais umas subidas e descidas na lama fofa, chegamos a uma zona com "transito parado"... Ouvimos o som de agua a passar com alguma violência, mas não conseguíamos perceber porque estava tudo parado, até que... Ohhh não...
Tínhamos que atravessar o riacho que estava um aspecto agressivo. A organização teve que pôr uma corda para ajudar à passagem e havia pessoal a ajudar. Fiquei um pouco assustada. Mas ao ver a reacção da L, fiquei mais calma, ela estava super entusiasmada por se meter num riacho com água até quase à cintura. Ohhh ET, bolas já fizeste coisas piores, vamos lá sem medo, vá menos medo.

Vista para a coisa... Foto da M



Não era a ET, mas podia ter sido...

Felizmente não há fotos da minha passagem... Não foi fácil, mas fiz. Molhei-me até à cintura, e se não fosse um Kanino que estava na água a ajudar o pessoal a passar, estava provavelmente agora a boiar no Tejo. Tá feito.

Depois foi andar mais uns 6km com os pés a boiar dentro dos ténis.
O percurso foi muito bonito, interessante e com um bom grau de dificuldade, excelente. Passamos por uma casa antiga, linda, mas abandonada que tinha um penico no meio do caminho. Porquê??? Não sei mas foi engraçado.

Estará assombrada??

Porquê???


E vimos renas, sim parece que o Pai Natal está de férias na Arruda dos Vinhos, deve ser pela pinga, que havia no abastecimento, sim aqui a ET também provou a água pé, que estava bem boa.

As renas do Pai Natal


Quase no final apanhamos uma parte de vinha com aquela lama movediça onde a AM ia perdendo a sola de um dos ténis. Não se riam!!! Coitada teve que vir com a sola na mão durante uns bons 2km...


Terminamos quase ao mesmo tempo que a malta do curto. A Maggie e a GN tiveram direito a pódio, e mais tarde tivemos a noticia de que o N também tinha tido direito a pódio na corrida Luzia Dias!!

Parabéns N!!

E parabéns à organização desta prova, adoramos a caminhada, bem marcada, difícil qb, excelente!!


sexta-feira, 22 de junho de 2018

Louzantrail 2018

Do 80 para 8...

Depois do que aconteceu no ano passado, ficou logo decidido que haveríamos de voltar à linda serra da Lousã em 2018, para o Louzantrail.

No ano passado ficamos bem impressionados com a organização, a simpatia das pessoas, as tshirts brutais, até para a caminhada, a possibilidade de fazer uma caminhada pela serra, os trilhos brutais, o passeio organizado pela Câmara Municipal. 2018 ainda seria melhor, ou não??

O problema é que quando se vai (nem que seja como trail roady) a uma prova como os Abutres ou os Reis, uma pessoa habitua-se a ser bem tratada, todos são bem vindos, até os que não correm, todos podem participar, até os que não vêm para as ultras, até os que vêm caminhar, até os que só vêm como trail roady (acompanhante de atleta de trail, para quem não sabe).
E eu vinha com a ideia de que o Louzantrail era uma prova de 1ª divisão...

Começou logo bem, todos os "atletas" inscritos receberam um email a dizer que devido ao cancelamento do evento do ano passado teriam direito a um desconto na inscrição em 2018... Pois eu em 2017 estive inscrita, mas não recebi email... E depois apercebi-me que em 2018 não ia haver caminhada... A equipa do Louzantrail não ia organizar caminhada, se eu quisesse ia aos 17km ou teria que fazer a descida nocturna desde o Trevim até à cidade... Bolas tanta serra, tanto potencial e não há disponibilidade para organizar uma caminhada??? Daquelas brutas, tipo a dos Abutres?? Devo estar mesmo mal habituada...

Lá me inscrevi na descida nocturna, onde depois de melgar a organização, tive direito a um desconto... O Gajo inscreveu-se nos 27km. Ainda ponderamos ir ao passeio organizado pela Câmara, mas ohhh, era exactamente igual ao do ano passado. Tanta coisa bonita naquela zona, não iamos outra vez ao Candal...

Sábado lá fomos nós, demos boleia a um amigo que às vezes treina connosco. Foi ele e o seu companheiro, o cajado, que ele tinha apanhado algures num momento de dificuldade. Levou-o para casa, lixou-o e agora é a sua companhia em provas mais duras!!

A viagem foi muito animada, o nosso amigo, o D tem montes de histórias engraçadas. Ele gosta tanto daquilo que por vezes contacta as organizações para participar como voluntário...

Quando chegámos à Lousã fomos deixar o D no local do "chão duro" onde ele iria passar a noite... O problema aqui foi que os atletas apenas podiam ir lá deixar as suas coisas a partir das 21.30... Nem vou comentar. O D só não andou o dia todo com a mala às costas, porque a pôde deixar no nosso carro... Ele lá ficou pela cidade e nós fomos almoçar ao Talasnal, no restaurante da Ti Lena... Ainda deu tempo para parar enquanto subíamos a serra... Que maravilha, que paz...

Pois é, e é linda...


Sai da frente, Gajo!!!

Vista da janela do restaurante Ti Lena

De barriga cheia, fomos mais uma vez explorar a aldeia, atrás do som da água, chegámos até um riacho onde deu até para molhar os pés, que fresquinho... A paz, o som da água, o cheiro da natureza, os raios de sol quentinhos a passar pelas árvores, foi espectacular...

É mesmo lindo...


Livra-te de escorregar!!!


Água fresca...
Infelizmente o que é bom acaba depressa... E já estava na hora de calçar e voltar para a realidade... Acreditem, só naquele bocadinho carreguei as minhas baterias todas... Quem me dera voltar para lá...

Estava na hora de levantar dorsais, fazer check in no Hotel Palácio da Lousã (lindo, se puderem visitem!!!).
Na zona do secretariado uma nova desilusão, a tshirt, nem vou comentar... A descida nocturna era completamente à parte, seria tudo feito noutro local. Aproveitei para perguntar se haveria alguém que pudesse levar os trail roadys até algum abastecimento, mas ninguém sabia nada... Parece que só nos Abutres e nos Reis, que são provas de 1ª divisão, é que há essa preocupação em levar apoiantes aos locais onde passam os atletas e eu pensava que o Louzantrail era uma prova de 1ª divisão...

O D, coitado andava por lá à espera das 21.30 para ir deixar as coisas no chão duro...

Check in feito no hotel e mais uma desilusão, não havia hipótese de fazer late check out... Tínhamos no máximo até às 13 para sair... Já ia obrigar me a, depois da partida do Gajo, arrumar tudo e deixar o quarto. A minha ideia era tentar ir de boleia com alguém, na partida, até algum abastecimento e depois voltava a pé... Assim os meus planos foram por água abaixo... Não queria pegar no carro para subir a serra, tenho pavor de conduzir naquelas mini estradas...

O Gajo fez questão de vir comigo à descida nocturna (sim, sim, eu não aprendo, efeitos da silly season).

E lá seguimos num autocarro, por mini estradas inclinadas até ao ponto mais alto, no Trevim... Pelo caminho ainda avistamos um veado.

A vista é deslumbrante, sem duvida...

360º

Já tinha dito que é bonito???

Lindo...

O pôr do sol

Já tinha dito que é lindo?? Já???? Mas é mesmo bonito...

A descida foi muito bonita, até que ficou tudo escuro e deixou de ter piada... E há coisas que eu não percebo, quando dizem descida nocturna, qual é a primeira coisa que pensamos que temos MESMO que levar??? Pois, é, um frontal, uma lanterna, uma vela, bolas algo que dê luz!!! E não imaginam a quantidade de gente que ia sem luz...
A descida foi basicamente em estradões, com excepção dos últimos km antes de chegar à cidade, foi um caminho muito irregular com uma inclinação tremenda. O Gajo nem aqui deixou de ser chato:

- Então?? Porque vais tão devagar??
- Vamos ultrapassar este grupo!!!

Irra, calma Gajo, não vais ganhar nada, desfruta homem!!!
No final havia uma banda que acompanhou o grupo até ao local onde ia ser servido o jantar (à meia noite), porco no espeto e arroz de feijão, uma delicia. O Gajo ficou à rasca dos pés, parece que uma das unhas do pé suicidou-se na descida nocturna...

Agora estava na hora de "descansar", esperava-nos um dia complicado.

Domingo dia da prova, para não variar, o Gajo adormeceu e desta vez eu também... E depois foi o caos, vestir, comer, e ir a correr (a correr mesmo) para a partida...

Foi a foto possível...

E eis que começa a minha agonia... Cada ambulância que ouvia, era menos um ano de vida...

Fui arrumar tudo para o check out. No hotel garantiram que o Gajo podia tomar banho nos balneários da piscina, mesmo depois de lhes dizer que ele iria chegar todo sujo e a cheirar muito mal.
E o que é que a ET fez depois???

- Foste à piscina!!!! - Dizem vocês!!!
Nooop...

- Foste comprar o jornal e ficaste numa esplanada a descansar!!! - Dizem vocês!!!
Nooop...

Fui arranjar um spot à sombra a cerca de 700m da meta e fiquei lá sentada a aplaudir todos os que passavam por mim...


Spot...


Ou seja fiquei umas 5 horas a bater palmas... Ainda hoje me doem as mãos (por isso é que demorei tanto tempo a escrever este relato) de tantas palmas que bati...
Os ténis de muitos dos que passavam por mim, faziam um barulho tipo "schlep, schlep" o que me fez concluir que havia muito atravessamento de água.
O Gajo lá ia mandando uns SMS's, o que me ia deixando mais descansada, pois o famoso tracking que foi anunciado para podermos acompanhar os atletas, pelo menos para o Gajo, só funcionou depois de ele ter chegado ao Talasnal, mais uma vez, sem comentários...

"Abastecimento bruxas. Tudo OK. Durissimo"

"Castelo 3,3km para o Talasnal sempre a subir. Tudo OK"

"Já passeio Casal Novo, agora as letras Lousã... 2km para o Talasnal"

"Chegada ao Talasnal com 4 horas certas. Perfeito."

Como sempre, via pessoal a chegar que vinha a morrer, outros que ganhavam força quando lhes dizia que faltavam uns 500m. A cada minuto que passava, o pessoal vinha mais acabado, estava muito calor. O D terminou em 4h e tal os 27km, o Gajo, ainda andava lá às voltas na serra.

Almoço de Trail Roady

De casa vinham mensagens de conforto e força, obrigada pessoal, o N, sempre incansável passou aquelas horas todas, sempre em contacto comigo, obrigada N!!

"Devo demorar mais de 6 horas :("

"Castelo parte final 25km todo roto"

Quando o Gajo passa as 7 horas em prova (sim, 7 horas) começo a ficar mesmo stressada, estava tanto calor, a barriga a dar horas... Cada vez que via uma pessoa lá ao fundo de t-shirt branca, pensava que era o Gajo... Até que, olha conheço aquele "correr", GAJO!!!!!!! Ohh que felicidade... Raios partam que o Gajo é mesmo pitosga, só me viu quando estava a uns 5 metros de mim... E o sorriso, mesmo de rastos conseguiu esboçar um sorriso...


Ohhhh Pitosga!!!! Estou aqui!!

E lá fomos os dois para o final, ele vinha mesmo KO, completamente... Na meta havia uma "refeição" mas só para quem tinha terminado o ultra e o longo. O pessoal do curto não teve direito, nem vou comentar... O Gajo lá comeu e foi tomar uma banhoca, no hotel.

No caminho para casa ouvi um monte de histórias do Gajo e do D (que para além do seu amigo cajado, levou da Lousã um pé torcido).

Fiquei um pouco desapontada... Se as organizações só querem a participação das elites, arranjem maneira de barrar os comuns mortais que gostam de se inscrever nestas provas exigentes... Não gostei da forma como esta organização tratou os atletas medianos... Arranjem formas de integrar todos os que vibram com este desporto, os que correm, os que caminham e os que querem só apoiar os atletas.

Agora a próxima loucura, é o Trail da Serra D'Arga, onde as expectativas estão lá em cima. Um evento do Carlos Sá promete ser brutal, espero não ficar desapontada...

E daqui a uma semana, as Fogueiras, ai, ai, ai...

Wish me luck!!

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

A ET foi aos Abutres 2018 – Capitulo 2 versão Walker

É agora, é agora que vou falar da “caminhada”, da senhora caminhada, que houve na prova dos Abutres, mas que senhora caminhada, caminhada com “C” grande…

Depois da prova do gajo, e enquanto ele tomava banho, aproveitei para olhar como deve ser para o livro da prova, na parte da caminhada. Foi então que vi:
- 1050 de desnível negativo??? Numa caminhada de 12km???? Espera lá, isto é a descer a pique!!!! Deve ser em estradão, sem stress…
Antes do jantar ainda fomos matar saudades do Talasnal… Continua lindo e mágico, com o maroto gato zarolho a pedir festas… A descer a serra para a Lousã, um javali atravessa se na estrada como se estivesse habituado aos carros a passar por ali. Felizmente não o atropelamos, foi um misto de pânico e fascínio... 

No domingo da Srª. Caminhada (respeitinho) acordei cheia de frio e dores de cabeça. Um par de Ben-u-rons, umas camadas de roupa, buff dos Abutres na cabeça e estava pronta.

O carro estava com uma camada gigante de gelo. Estivemos um tempão para retirar o gelo todo, estava mesmo muito frio.

Quando chegamos a Miranda do Corvo, fui logo para o autocarro que nos levaria até ao local onde ia começar a “Sr.ª Caminhada”. Enquanto estava sentada a aguardar que o autocarro começasse a andar, vi que o gajo estava a falar com alguém… Aparentemente da organização… Volta e meia olhava para mim e fazia caretas de assustado e tentava avisar-me. Percebi que ele dizia:

- LAMA, LAMA, LAMA…

Lá está ele a tentar assustar me ahhh ahhh ahhh… Lama era no trail, na caminhada (mau, Srª Caminhada) não há nada disso, há estradões largos e fáceis... 

Tentei perceber o “grau de profissionalismo” dos caminhantes à minha volta, mas estava tudo sentadinho…
Entra então um senhor de cabelos brancos e bigode farfalhudo, com um bastão à moda antiga (de madeira). O senhor tinha ar de que conhecia a serra como a palma das mãos, sabia onde estavam todas as pedrinhas, todas árvores, todas as silvas…

E lá fomos nós, sempre a subir, a subir, a subir cada vez mais… Até se sentia o motorista a pôr “uma abaixo”. Houve um momento que parecia que o autocarro não tinha mais mudanças, que não conseguia subir mais, foi nessa altura que encomendei uma reza e a missa pelos meus joelhos…

Lindo


O Geodésico lá da zona

Tive que roubar umas fotos à organização da prova. O Sr. Zé foi incansável

É bonito, não é???

A ET algures...

A prova teve inicio no Observatório António dos Reis em Vila Nova, com uma vista maravilhosa, a 360º.
Lindo, aliás toda a caminhada (ai, ai, a Srª Caminhada) foi feita em locais deslumbrantes, as fotos não fazem justiça à beleza da zona, nem mostram a pureza da água ou o som da água nas cascatas, ou dos pássaros ou os cheiros, cheirava a ar puro, e a flores. Maravilhoso, fiquei ainda mais apaixonada por aquela serra...

Havia todo o tipo de caminhantes, desde pessoas com aspecto profissional, com um bastão (??? porquê um), pessoas que achavam que iam descer a serra pela estrada de alcatrão, pessoal que tinha feito o trail no dia anterior e iam também à caminhada apoiar a mulher, grupos de mulheres faladoras, e uma ET, com os ténis sujos de lama (desisti de lavar os ténis por fora) e um monte de camisolas vestidas...

Houve um "briefing" e começa a Srª Caminhada. Por single tracks de lama (ainda soft) e gelo, sempre a descer, a descer, a descer... E as paisagens... Já falei nas paisagens deslumbrantes??

É preciso legenda???



Sempre a descer...

Havia caminhos que os poderia fazer a correr, mas não estava para ai virada. Queria desfrutar e fazer aquilo nas calmas. E ver as paisagens... Já falei nas paisagens maravilhosas???

Cheguei a uma descida que me fez lembrar algo... Até que percebo, estava na zona onde há uns meses o gajo se perdeu... Estava a chegar a Gondramaz, esta descida tinha que a fazer a correr... Que bem que soube... E a paisagem??? Linda...

CORRE ET!!!!!!

Nem fazia ideia de que ia passar em Gondramaz... Tive uma pequenina esperança de ver o gajo algures, com um sorriso, à minha espera, mas não, a essa hora devia de estar a dormir, ou no café a ler o jornal...

Havia um abastecimento lá (não fazia ideia), no mesmo sitio do abastecimento do trail, em frente à casinha do México... Que coincidência, não é?? NÃO!!!!!!!

Comi umas tostas com manteiga de amendoim, tomate com sal, e fui embora. Afinal agora a descida ia ser por aquele estradão onde há uns meses tinha estado, ia ser fácil...



A ET a ir embora de Gondramaz!!!
E lá começo a descer pelo tal estradão, até mau, uma seta para sair do conforto do estradão??? Mas estou na caminhada ou no trail???? Pois estava na Srª Caminhada e agora é que ia sentir isso na pele!!! Fora isso, as paisagens, oooohhhh brutais...

Foi então que começou a descida, não ao inferno, porque a paisagem era linda... Já falei da paisagem???
Ou seja agora estávamos a fazer o percurso do trail, a descer por pedregulhos secos, pedregulhos com lama, pedregulhos com água, pedregulhos com musgo escorregadio, descidas a pique de deixar a cabeça de uma ET a andar à roda (pois, eu tenho vertigens). Perdi a conta das pontes de madeira escorregadias por onde passei, os troncos a fazer de ponte, as descidas com cordas, as descidas de rabo, sim eu tenho as pernas curtas... Felizmente havia sempre uma mão, um ombro, umas costas onde me pude apoiar...



O som da água a passar era calmante. Havia alturas em que parava e ficava a admirar a paisagem maravilhosa, a ouvir o som da água, a cheirar (snifar) a natureza... Que maravilha, quem me dera poder fazer aquilo todos os dias...
Falei com um senhor (que me apoiou numa descida tipo escalada) que trabalha na Câmara Municipal de Miranda e que anda pela serra a arranjar os trilhos, as pontes (sortudo) e que me dizia que costuma beber água directamente dos riachos...




Foi um trajecto duro, mesmo muito duro. Nunca tinha feito uma prova de trail tão dura e exigente... Se fosse a subir era bem mais fácil. Lembrei me do trail da Dores em 2016, daquela subida da corda e a Srª Caminhada foi mais bruta que o trail das Dores... Que porrada...
Demorei uma eternidade para fazer aquela parte do trajecto...

No abastecimento em Espinho havia sopa, bifanas, minis... Estão a perceber porque é que foi uma Srª Caminhada???? Foi bruta em todos os sentidos, até nos abastecimentos... Mais tarde o gajo (invejoso) disse me que não viu bifanas nem minis nesse abastecimento!! Ahhhh TOMA!!!!

Com a barriga cheia, pus-me a caminho para a 3ª parte... A parte da LAMA!!! No dia anterior tinha ouvido relatos de um mar de lama, havia lama até aos joelhos, dramas...
Pois... Havia mesmo muita lama, um riacho de lama. Como não estava com vontade de fazer SPA, lá fui agarrada às árvores, com cuidado para a lama não passar para dentro dos meus ténis.
Vou explicar, os meus ténis são impermeáveis, mas mesmo impermeáveis... Não entra nada, nadinha, o problema é que também não sai... E se entra água por cima, estou desgraçada, porque fico com os pés a boiar nos ténis...
Aquela parte da lama era rodeada por uns canais de água, então para fugir à lama enfiava me nos canais, já que o nível de água era baixo.

Conclusão, safei me, sem tralhos, sem mascara de lama na cara e com os pés sequinhos, prontinha para ultima parte da prova, o alcatrão... E aqui tirei a barriga da miséria e corri... Até que... Olha é o gajo lá ao fundo... E senti o coração mais quentinho (alerta de lamechice), uma felicidade gigante e um alivio, estava feita, a Srª Caminhada... Não deu para correr muito, pois o gajo estava de rastos da porrada que tinha levado no dia anterior... Gajos...

Obrigada Abutres!!!





terça-feira, 30 de janeiro de 2018

A ET foi aos Abutres 2018 – Capitulo 1 versão Roady

Pois fui… Doente, com febre, tosse, dores de cabeça, mas fui. Levei roupa quente, paracetamol e borboletas na barriga…

Uns dias antes tinha andado numa azafama, a comprar camisolas térmicas para a neve (sim eu sou muito friorenta) camisolas polares, leggings para a neve, meias…

A mini ET não quis ir…
- É para estar à espera do pai??? Que seca, ele demora sempre tanto tempo… Não quero ir…
Na sexta-feira tivemos que fazer um desvio para a levar aos avós. No fundo foi um alivio para mim. Eu fico bem, sem comer, de pé ao frio, durante horas, mas ela não.

Chegamos a Miranda do Corvo por volta das 22.15 e digo vos que estava um frio de rachar…
Realmente aquela organização é da primeira divisão (assim como a organização dos Reis). Não tenho nada a apontar. Mostramos o CC e recebemos o saco com o dorsal e uma pulseira com a cor correspondente à prova, até os acompanhantes (aka Roadys) tinham uma pulseira branca.

As pulseiras


No saco do gajo (aka marido) estava uma linda t-shirt alusiva ao evento. Fiquei roída de inveja. Mas quando abri o meu saco vi que tinha um buff, não da Buff, mas ainda melhor, um buff dos Abutres, lindo, que eu baptizei como o buff oficial dos walkers (aka pessoas que praticam caminhadas duras na montanha). Mas sobre a caminhada, falarei depois…

Coisinha mai linda!!!

O gajo ficou cheio de inveja. Até me ofereceu dinheiro por ele, mas nem pensar este é meu (e foi bem merecido).
- Trail runner tem buff da Buff, não tem dos abutres, e tu já tens o teu buff da Buff… - Disse lhe eu!!

Buff da Buff


Depois desta discussão acesa, que podia perfeitamente ter dado em divorcio, fomos para a Lousã, onde tínhamos um quarto (miraculosamente marcado) na Pousada da Juventude.

No sábado de manhã cedo o pessoal do Ultra que estava na Pousada fez questão de acordar toda a gente… Obrigadinho!!!!
O gajo mesmo assim ficou a ronhar. Tive que o mandar levantar. Tinha que escolher a roupa e preparar a mala e as bebidas. É claro que ele não fez nada de véspera…

Eu calcei 2 pares de meias das quentinhas, vesti as leggings por baixo das calças de ganga, camisola térmica, camisola polar de gola alta, camisola polar e a sweat da equipa. Ainda levei o casaco, não fosse estar mesmo muito frio. Cachecol, mochila e os meus Merrells para dar umas corridinhas e estava pronta para a minha prova do dia... Ia ser duro.

Na zona de partida sentia se a ansiedade, estava cheia de pessoas de barba, bastões e buffs da Buff e havia um cheiro intenso a canfora... Acho que estava mais nervosa que o gajo... E se ele cai e magoa-se, e se eu não consigo estar nos abastecimentos quando ele passar...
Houve uma triagem para verem se ele tinha o material obrigatório, e começou a caminhada até à partida...
O speaker era um espanhol, não sei porquê...
1 minuto para a partida, o gajo dá me os óculos (já estão a perceber a minha preocupação, ele é pitosga e vai para os trilhos sem óculos), ultimas palavras de apoio e outras lamechices e eis que vai ele...
De repente faz se um silencio e começo a perceber que estou mesmo em Miranda do Corvo, ou dos corvos, pois o silencio era quebrado pelo som dos corvos... Até me arrepiei toda...

Estava na altura de ir para os autocarros. Estas subidas de autocarro pela serra, não são aconselhadas a cardíacos, nem a quem enjoa com facilidade... No caminho as ambulâncias... Cada uma que passa é menos um ano de vida que tenho... Fico apavorada com a ideia de que é o gajo que vai lá dentro...

Como houve muita gente que foi também para a serra e levou o seu carro, o autocarro teve que ficar bem longe do local onde os atletas passavam. E toca a subir a passo rápido, correr um pouquinho... Já se ouve o barulho do pessoal a apoiar.

A foto não faz justiça ao grau de fofice da descida...


Os atletas apareciam numa descida, daquelas fofas, propicias a bonitos tralhos. Vi umas quedas bem bonitas, mas o pessoal é rijo e levanta se logo.
Esperei, esperei, esperei, esperei, esperei, esperei, esperei, desesperei, esperei, esperei, esperei...
E eis que vejo lá ao fundo um individuo de calças pretas e camisola azul... Era o gajo, finalmente o alivio. Lá desceu aquilo, deu um pequeno tralho e levantou se...

FORÇA GAJO!!!!

Finalmente viu-me (sem óculos é mesmo pitosga), e lá estava o sorriso rasgado, o sorriso que me sossega. Começo a correr a seu lado. Diz me que está bem e que está a gostar muito.

Estão bonitos, estão!!! Ténis novos e já estão assim...


Fiquei com ele no abastecimento. Comeu uma sopa, bebeu água... Trocamos mais umas lamechices e deixo o ir, com o coração apertado. Reparei que logo a seguir a este abastecimento há uma subida fofa...
Olho para o relógio, bolas não vai dar tempo para apanhar o próximo autocarro, tenho que dar uma corridinha. Queria ficar mais um pouco no abastecimento para ver chegar pessoal conhecido de outra equipa, mas o meu foco era o gajo...
Felizmente consigo apanhar o autocarro para Gondramaz. Novamente a enchente de carros não permite que o autocarro fique perto da aldeia.

Bolas Gondramaz é realmente um local mágico, mesmo cheio de gente.
Posiciono me num sitio estratégico, mas à sombra. Estava demasiado frio. Mesmo assim fiz questão de aplaudir todos os atletas que passaram. Houve um que estava em tronco nu... Ou a camisola tinha ficado algures toda rasgada ou é um homem muito calorento...
Passado uma horinha, achei que devia arranjar um spot que tivesse sol, então meti me mais para o interior do percurso.
Esperei, esperei, esperei, esperei, esperei, esperei, esperei, desesperei, esperei, esperei, esperei... Desesperei mesmo, como a rede é escassa nem conseguia falar com o meu apoio habitual nestas situações, que costuma estar a ver o live traking... Desesperei tanto que nem reparei que estava cheia de fome. Mas a fome pode esperar, o gajo pode aparecer de repente, não há tempo de ir à mochila procurar algo para comer... Desesperei tanto que quase chorei, de medo, de aflição por estar ali parada ao sol, ele podia precisar da minha ajuda...
Finalmente apareceu, finalmente. Vi que vinha de rastos, o sorriso estava lá, mas era um sorriso para me sossegar. Fiquei tão feliz por vê-lo... Comecei a correr com ele até ao abastecimento, que era em frente à Casinha do México 💗...

A casinha...

Estava a ser uma prova muito dura. Tiveram uma subida muito perigosa e ele vinha muito cansado. Levou uma tareia. Comeu mais uma sopa (cheirava bem e eu estava cheia de fome), bebeu água, mais umas lamechices trocadas e lá vai ele. E lá fui eu para o autocarro. Finalmente pude comer o meu "almoço" e consegui sossegar o pessoal que estava preocupado.

Almoço de roady...


Na zona da chegada escolhi um ponto estratégico para o ver chegar. Estava no final de uma recta enorme que parece que não tem fim (como eu iria verificar no dia seguinte), e que cruzava à direita para a zona da meta. Sentei me no muro e comecei a apoiar os atletas que chegavam:

-Vá, está feita!!! Só mais uns metros!!!

- É só mais uma subidinha!!! (para quem vinha na cavaqueira)

Mais uma vez esperei, esperei, esperei, esperei, esperei, esperei, esperei, desesperei, esperei, esperei, esperei... E eis que lá ao fundo vejo alguém de calças pretas e camisola azul, era ele. Ponho me de pé, em cima do muro e começo a acenar (bolas é mesmo pitosga).

Bolas, estou aqui!!!


Começo então a correr até ele. Vejo então o mais esperado, o sorriso... Ele vinha ainda mais cansado, a ultima parte tinha sido muito técnica e para terminar em beleza, parece que estiveram a patinar na lama.
E lá fomos os dois para a meta.

Já está, o gajo fez os Abutres e ficou com vontade de repetir...

A meta.


Sobre a caminhada, a rainha das caminhadas, posso já dizer que foi BRUTA!!! Mas terá que ficar para depois...


quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

A ET vai aos Abutres!!! Capitulo 3

Em contagem decrescente para a primeira grande aventura do ano. A uns dias do evento era esperado que o meu gajo (aka marido) estivesse preparado, e com tudo testado, mas é claro que NÃO!!!!!

E o que é que se faz a 4 dias do trail??? Pois compram se uns ténis novos e vai-se fazer um pequeno treino para testar os ditos cujos, aonde???

No monte???

Na subida com relva e terra, que há em frente à nossa casa???

Mas é claro que não, nada como testar os ténis de trail em ESTRADA!!!!

- Ahhh são confortáveis e leves!!! – Diz o gajo com um sorriso…

- Então e a aderência??? Tens que a testar!! Tens que te sentir seguro com os ténis!!! – Disse lhe eu!!

Mas a ET não é profissional de trail (não tenho um buff da Buff), é semi profissional de caminhada (aahh pois, as botas Quechua já cá cantam e a mala também), os “caminhantes” (aka walkers) sabem lá o que é descer ravinas cheias de lama…

Não há de ser nada…

Vai estar um briol no fim de semana, e esta quinta-feira estão a prever neve acima dos 800m. Como “roady” do gajo vou poder ir de autocarro até 2 abastecimentos, e o que me está a preocupar, é o autocarro a subir até Gondramaz, com gelo... Parece mais perigoso do que se fosse a pé…

Tenho é que arranjar uma solução para “as palmas”. Como vai estar muito frio vou ter vontade de levar luvas, mas com luvas não dá para bater palmas… Aguardo as vossas sugestões!!!

 As minhas duvidas existenciais…

No domingo vai ser a minha vez, mas eu estou preparada, este fim de semana fiz duas caminhadas valentes de 10km, pelo “meu monte” (não, não… não fui a Marte), mas a minha nova vertente “walker” fica para depois.

Agora máxima concentração para os Abutres!!


Wish us luck!!!!

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Trilho das Dores 2017 – Ai ai ai…

Esta quinta-feira que passou, na minha consulta anual de pediatria a minha tensão estava um pouco alta, algo que é estranho para mim porque tenho normalmente a tensão muito baixa. Foi de tal maneira estranho que a médica mediu novamente. Ela os associou valores elevados (15/10) aos nervos (síndrome da bata branca). No sábado voltei a medir a tensão e estava a 14/10, e não estava ninguém de bata branca… Comecei a stressar (ainda mais)…

A noite de sábado foi muito malpassada, dormi muito mal, estava mesmo muito nervosa.

E eis que chega o grande dia (madrugada)… Fomos 7 numa carrinha, o resto do pessoal foi lá ter.
A viagem foi muito animada, sempre na risota, foi excelente para os meus nervos acalmarem.

Chegamos lá e sempre bem dispostos fomos à procura do colega que tinha levantado os dorsais. Na zona da partida estavam uns estudantes de enfermagem a medir a tensão a quem quisesse participar num pequeno inquérito. Eu aproveitei logo… Valores 14/10…
- Vamos repetir? Este 10 está muito alto. Disse a rapariga (futura enfermeira)!!
14/9, ok um pouco melhor, ainda perguntei se deveria participar… Confesso que estava com esperança de que ela me dissesse que era melhor ficar quietinha ou fazer só a caminhada, mas não, ela disse me que não havia problema nenhum em participar… Bolas…

O pequeno almoço foi muito bom, uma mesa farta, fruta, pão, bolinhos, gelatina, cereais… E nós sempre na brincadeira uns com os outros… Foi novamente excelente para diminuir o nervosismo.
Mesa das Dores :)

Estava na hora dos bravos dos 35km partirem. Um desses loucos era o meu marido. Ia com mais 2 loucos da equipa e um amigo. Meia hora depois foi a vez dos 17km, fomos caminhando para a zona de partida sempre na brincadeira, mas acho que todos perceberam que eu estava muito nervosa.
Eis que grito: “vou atacar o ultimo lugar com unhas e dentes!!!!”  O FP que é um colega que parece um militar a falar disse me: “É isso ET, garra, e energia”!!! Acho que todos pensaram que eu ía chegar NOVAMENTE em ultimo lugar… Principalmente eu…

O meu objectivo era chegar antes do meu marido (foi o N que me lançou o desafio) algo que na partida me pareceu quase impossível, mas ia tentar…
A ultima prova que “participei” foi o Trail da Calhandriz. Decidi participar, quando fomos levantar os dorsais no dia antes. É claro que foi uma desgraça e acabei por fazer algo que nunca tinha feito antes, desistir… A ultima coisa que queria fazer nas Dores era desistir, a não ser que não conseguisse andar…

E eis que começa. Logo de inicio comecei a ficar para traz e a distanciar me da AC e da SB, que são normalmente as minhas companheiras de batalha para este tipo de prova. Mas não quis puxar muito logo de inicio. Fui ao meu ritmo, devagar, devagarinho…
Quando dei por mim ia ao pé dos vassouras… Bolas, era a ultima coisa que queria. Puxei um pouco para alcançar quem ia à minha frente. Reconheci logo a senhora que no ano passado foi connosco até aos 15km e que desistiu com a AC. Fui um pouco a falar com ela e com os vassouras (super simpáticos).

Aproveito para apelar às organizações de provas:

NÃO PONHAM VASSOURAS GIROS E SIMPÁTICOS!!
Quase que dá vontade de ir com eles…

Enquanto os vassouras e as senhoras que iam no fim estavam na palheta, eu aproveitei para os passar e lá vai a ET.
Ao chegar ao primeiro abastecimento vejo uma rapariga a ser carregada em braços… Bolas… E lá estavam a SB e a AC a petiscar. Disse lhes que que podiam ir, estava a sentir me bem. Bebi água comi um pouco de marmelada, tomate com sal e toca a ir embora, nem queria ver os vassouras ao pé de mim…

A prova estava super bem marcada. Corri, andei, subi muito, desci muito. Reconhecia alguns trilhos do ano passado, mas pareciam mais fáceis. Dei por mim a pensar que estava mesmo a gostar, mesmo perante trilhos mais difíceis, bolas, aquela paixão que tinha pelo monte (antes das Dores de 2016) estava a regressar. Dava comigo a sorrir ao deparar me com subidas onde o sitio para pôr o pé ficava mais alto que eu… 
Até que… 

Ia a ET a admirar o trilho rodeado por árvores lindas, quando, BANNDUUUU, mega tralho para o chão. Nem sei como caí, nem o que provocou, só sei que quando dei por mim estava à rasca da minha perna esquerda e do joelho direito. Levantei me, lavei a perna e continuei. O joelho estava esfolado mas a perna esquerda doía me um pouco… Mas afinal, estava no trail das dores ou o trail das nuvens fofinhas???
E lá foi a ET, sempre a fugir dos vassouras a ultrapassar quem já estava KO. A partir do ultimo abastecimento fui com a SB. Desta vez a subida dos 15km e dos 18km não faziam parte do trail curto, parece que tudo o que era horrivelmente difícil passou para o trail longo.
Concluindo, a ET acabou com 3h56m, nada mau…E o objectivo?? Alcançado, estive 3,5 horas à espera do meu marido...

E agora perguntam vocês, vais voltar a fazer provas de trail????


Pois… Parece que tenho que voltar às dores. Um dos colegas dos 35km teve que desistir, ele tinha treinado muito, mas não estava à espera de uma prova tão difícil (alguns comparam o trial longo das Dores aos Abutres) e desistiu aos 30… Assim vou ser OBRIGADA a voltar… Para o ano levo equipamento de protecção dos guarda redes de hóquei…

Os gráficos


terça-feira, 19 de setembro de 2017

A dolorosa...

Não me perguntem porquê, mas a prova de trail fetiche do pessoal da equipa, é o trilho das dores, que se realiza em terras ribatejanas (não, não é na Serra da Estrela, ou na serra da Lousã) mais precisamente nas Abitureiras, em Santarém.
No ano passado foi a maioria do pessoal, só não foi quem não gosta de trails, quem estava lesionado ou quem preferiu fazer meia maratona de Viseu...
Eu que nunca tinha feito uma prova de jeito de trail inscrevi me, claro, ía toda a gente, a ET também tinha que ir.
Depois de em Agosto fazer o TNLO2016 (na altura foi 15km) achei que mais uns 5 ou 6km não iriam fazer grande diferença, fazia as dores na boa...
Mas devo dizer que não foi na boa, mas não foi MESMO, as dores foram DOLOROSAS, pelo menos para mim.
Imagino que para 98% do pessoal achou as dores fáceis, mas para mim não. Ok, vou parar de "dizer" que foi difícil para mim...
Vá, continuando, logo de inicio ataquei a minha posição habitual na classificação, que é o ultimo lugar, mas não foi fácil a concorrência era feroz!!! Vinha num grupo com mais 4 colegas de equipa. Duas delas ficaram KO logo de inicio, era joelhos lixados, pés com bolhas, sei lá mais o quê... Mas nunca desistiram, nem com a nossa insistência... Entretanto "apanhamos" uma senhora que tinha sido abandonada pela equipa. Lá fomos sempre muito devagar, a subir e a descer em passo de caracol, a escorregar, com um calor abrasador. O pessoal que ía mais à frente ligou a dizer que por volta dos 15km havia uma subida horrível, mas por volta dos 18 km, havia uma muito pior, com corda. Nunca mais me esqueço no abastecimento dos 15km estar a olhar para aquela subida à minha frente. Pensei tanta vez em desistir, principalmente quando a AC afirmou que ía ficar por ali. Nesse abastecimento ficou a AC e a senhora da outra equipa. Eu "engoli em seco" e continuei.


Olha a ET, sempre no fim...



Na subida dos 15 km bati com a cabeça numa rocha e mais à frente numa descida fofinha caí de rabo e bati numa pedra. Por momentos pensei que a minha prova tivesse acabado ali. Foi um momento estranho, porque só ouvia a minha cabeça, mas via as minhas colegas a chamarem me, via as bocas delas mexerem, mas ouvia na minha cabeça algo do género:
-"Já te lixaste, como é que vais trabalhar amanha?? Devias de ter ficado no abastecimento com a AC!!"
Foi um momento etezado... Terra chama ET, terra chama ET!!! De repente oiço uma das vassouras que já nos acompanhava, a dizer algo reconfortante:
 - Agora aqui, só de helicóptero!!
Que coisa fofa de se dizer. E oiço a uma das minhas colegas a gritar me; "ET, LEVANTA TE!!! OLHA PARA MIM E LEVANTA TE!!!"
Bolas, eu levantei me, não tinha hipótese... Durante uns dias custou me sentar me, mas levantei me e continuei.
Ao chegarmos à famosa subida das cordas, já íamos tão assustadas que parecia que íamos escalar o monte Evereste... Quando cheguei lá acima, fiquei tão emocionada que confesso que houve uma lágrima sacana que escapou...
O final foi estranho, tinha vontade de correr, mas não podia deixar as minhas companheiras de batalha. Fomos a caminhar devagar, sobre um sol abrasador.
Quando passei a meta, prometi a mim mesma:

NUNCA MAIS VOU PARTICIPAR NESTES TRAILS LOUCOS!!!


É claro que voltei a inscrever me, na condição de a AC terminar aquilo este ano.

E depois das Dores 2017:


NUNCA MAIS VOU PARTICIPAR NESTES TRAILS LOUCOS!!!

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

TNLO – Silly season

Para mim sempre que falam do mês de agosto, lembro me logo dessa expressão. Parece que fica tudo louco… 
É carros na faixa do meio da A1 a 50km à hora, carros “tunning”com matriculas estrangeiras a 120km no meio das localidades a passar nas lombas, é ETs a fazerem trails sem preparação…

Pois, agosto é sempre mês de jantaradas, poucos treinos, e a meio um ou outro trail…

Em 2016 o TNLO foi o primeiro trail a sério que fiz. Foi até engraçado (na altura não achei piada nenhuma) porque o meu marido virou se para mim e disse que se tinha inscrito no trail longo, e aproveitou e inscreveu me no trail curto (em 2016 foram 15km).
- Então e quem vai da equipa???
- Vou eu e tu!!! “responde o gajo.
Só me apeteceu apertar lhe o pescoço… Então inscreve me para fazer 15km à noite, sozinha e nem me pede opinião... Era efeitos da “silly season”, só podia…

Lá comprei um “frontal” numa dessas lojas de desporto, que é claro não iluminava nada (again silly season) e um cinto para uma garrafa maior… O trail longo partiu primeiro, e de repente dei por mim sozinha no castelo de Óbidos, à noite a olhar para todos aqueles atletas (ou com aspecto disso)… E eis que começa a aventura…

Foi espectacular, adorei ir sozinha, ao meu ritmo, foi pena não ver grande coisa (prometi a mim mesma que ia arranjar um frontal a sério). A uns kms do fim deparei me com um “túnel” de canaviais. Estava completamente sozinha e não queria entrar ali sem companhia. Então voltei para trás ate encontrar duas pessoas que por acaso são de uma equipa vizinha. Fui com eles até quase ao fim, porque à chegada à vila senti uma energia extra e eles não conseguiram acompanhar me. Demorei 2h58m, foi brutal para uma ET como eu…

Este ano aumentaram as distancias, 21km para o curto, 42 para o longo. Então combinei ir com o meu marido aos 21km (silly, silly, silly), e digo vos, que foi HORRÍVEL… Sim foi uma prova para esquecer… Ir com uma melga durante 21km a chatear, é muito mau…

“Então mas já estás cansada, depois de fazeres esta subida com uma inclinação enorme…” “Mas como é possível doerem te os joelhos a fazer descidas tipo downhill…” “E não corres??” “Tás parada a beber água???”

AHHHHHHHH parecíamos o Statler e o Waldorf dos marretas, a discutir às escuras (sim estávamos na silly season, por isso não comprei um frontal decente) no meio do monte…

Statler e Waldorf

Foram 5 horas de tortura, sim demoramos 5 horas para fazer 21km… É claro que não estava nada, nada preparada para uma distancia tão grande, até porque passei o mês todo com a ideia de que era uma prova de 17km (nas Dores é que vão ser 17km) e não treinei nada de jeito.

No final fomos fazer uma massagem, onde levei uma sova da massagista.

Foi para aprender… Ou não???

terça-feira, 20 de junho de 2017

Louzan Trail 2017

O fim de semana prometia calor, trilhos lindos, riachos refrescantes, xisto, subidas, descidas, paisagens deslumbrantes... Mas...

No sábado fomos carregados de água para a linda Lousã, sob um calor abrasador... Chegámos por volta da 14:30. Tínhamos marcado um passeio organizado pela Câmara Municipal a uma aldeia típica de Xisto... Confesso que não estava com vontade nenhuma de me meter num autocarro à hora do calor, rezei (atenção que não sou crente) para que tivesse ar condicionado. Felizmente tinha ar condicionado. Encontramos um casal conhecido e fomos para a maravilhosa serra da Lousã de visita à aldeia de Candal.

Candal - Já se percebe a trovoada





Piscina de Candal, fresquinha


Maravilha... As casas rodeadas de verde, o som dos passarinhos, misturado com o som da água dos riachos... Nem o sol a queimar a minha pele (alerta de escaldão) estragou o momento.

No caminho senti o nervosismo do pessoal que ia à prova, eu ia na boa, ia à caminhada... Vimos as famosas fitas laranja em subidas/descidas (vá paredes) com declive fofinhos, locais onde não dava para perceber como é que chegavam lá. Ia ser uma prova puxada... Eu só dizia:

"Tchiii, ainda bem que vou só à caminhada"

Sei que uma boa parte das pessoas que iam naquele autocarro, ficaram com inveja de mim...
O meu marido estava inscrito nos 25km e senti que estava um pouco receoso, mas ele já sabe por experiência, que na serra da Lousã não se brinca...

Chegados à cidade, levantamos os dorsais. Devo dizer que as Tshirts são muito giras. Entretanto começamos a ver o céu muito escuro, de trovoada.

Fomos comprar mais agua e começamos novamente a subir a serra, mas desta vez, no lado oposto, para a linda aldeia do Talasnal. Sempre a ver as fitas laranja...


Chegados ao Talasnal, fomos levados à casa onde passaríamos o fim de semana. Pequenina, com aquele aspecto rústico no exterior, mas com todas as comodidades modernas, com uma vista maravilhosa para a serra e para o alto de Trevim que é o ponto mais alto da serra e onde iriam passar os runners dos 50km.


Antes do jantar ainda deu para explorar um pouco a aldeia. Fomos até a um riacho lindo...

Talasnal

Riacho
Quando estávamos de volta vimos um helicóptero de combate a incêndios, no alto da serra, “por trás” de Trevim, isto por volta das 19.30. 
Às 20 horas já cheirava a “incendio”.

O jantar foi no típico restaurante da Ti Lena. Foi um jantar delicioso, mas alienígena, pois a luz estava constantemente a faltar, por cerca de 2 minutos, algo que a senhora do restaurante estranhou. Também as comunicações estavam etezadas, pois quando liguei para a famelga ficava sem ouvir nada no telemóvel, apesar de ter rede e do outro lado o pessoal estar num local também com rede (não, não, não estava a ligar para Marte)…

Agora ao escrever este relato, até fico agoniada, por me estar a divertir enquanto decorria aquela tragédia a uns 30km de onde estava…

Quando terminamos o jantar, estava um pôr do sol maravilhoso...

Ficamos um pouco no alpendre da casa sentados em cadeiras de baloiço a desfrutar do silêncio da serra…
Antes de deitar ainda procurei nas redes sociais onde era o incendio, mas não encontrei nada, e na TV davam conta de um incendio no distrito de Leiria (está a kms da Lousã, que é no distrito de Coimbra, pensei eu) que não me preocupou…

Dormimos mal porque estava muito calor e da rua só havia cheiro a incendio, nem uma aragem…

Acordamos muito cedo, porque a prova dos 25 km começava às 7 da manhã. O meu marido levantou se, pegou no telemóvel e abriu a janela.  
"- Ohhh cancelaram a prova..."

Lá fora chovia cinzas e o cheiro era muito intenso. Havia gente que estava hospedada na aldeia, que literalmente fugiu.

Fomos à cidade, para comer e tentar perceber o que estava a acontecer.
Ouvimos que os voluntários do abastecimento de Trevim, estavam assustados e queriam sair dali.
Eu sei que lá em cima, a 1200m de altitude a vista é deslumbrante, mas no domingo devia de ser assustadora.

Havia também quem dissesse que no sábado à noite a maior preocupação da organização era a desorientação dos veados que estavam a fugir para a zona onde iria decorrer a prova...

Lousã estava envolta em fumo...

Voltamos para o Talasnal, mas fomos parando em determinados locais para explorar alguns dos trilhos que a organização tinha preparado.


Não era nevoeiro
Ia ser uma prova linda, difícil, desafiante, mas largarem 1500 pessoas na serra, naquelas condições, era mesmo muito perigoso.


Só espero estar bem para voltar à Lousã no próximo ano, e que se mantenha assim linda e verde...

Aproveito para deixar os meus sinceros sentimentos ao familiares e amigos de todos os que faleceram.

E muita força, para quem perdeu tudo!!