quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Férias à ET - Parte 2


Parte 2, centro do pais... Para não variar saímos tardíssimo. A ideia era ir depois da hora o calor à praia das Rocas, em Castanheira de Pêra, para ajudar a economia da zona que foi devastada pelos horríveis incêndios. Fomos pela A1, saímos em Torres Novas e seguimos pela nacional até Tomar, para almoçar... Eu adoro a cidade de Tomar, foi onde tirei o meu curso superior e cada pedacinho de chão tem uma recordação, já que passei 3 anos a viver lá, com outras 3 colegas, ahhh bons tempos...




Depois de matar saudades da cidade templária, lá fomos nós, por estradas estranhas, a mando do GPS...
Tudo com um aspecto verde e fresco, até que começamos a ver a área ardida... Horrível, mesmo horrível... Para quem gosta de fazer trails pelas serras, como nós, é devastador olhar para aqueles montes todos negros...

Quando entramos na estrada maldita, então é que foi... sem palavras... ficamos sem palavras, dei a mão ao meu marido e senti as lágrimas a cair pela cara, fizemos os possíveis para que a filhota não percebesse onde estava a andar, felizmente ela estava tão entusiasmada por ir à piscina de ondas que nem ligou à paisagem negra que nos rodeava.

Chegados às Rocas, verificamos que à volta não havia quase nada ardido. Foi uma tarde super divertida. Era uma dificuldade tirar a filhota da água, mesmo quando ela estava já toda enrugada. E quando saia, passados 30 segundos já estava a pedir para ir para a água... Ficamos até às 18. Aconselho vivamente a visita a estas piscinas.

Das Rocas fomos para Miranda do Corvo. O forreta do meu marido não queria meter se em "estradas pagantes" e lá fomos nós dar a volta à serra ardida... Uma tristeza para a alma... Um silencio arrasador, nem um passarinho, um cheiro a queimado... Havia ainda montinhos de cinzas fumegantes, 3 semanas depois... Ainda parámos para apagar um desses montinhos.






Quando passamos a serra para o outro lado, uma diferença abismal, tudo verde, passarinhos a cantar, o cheiro a "natureza", maravilhoso. Chegados a Miranda do Corvo, fomos às compras e voltámos para a serra. E eis que chegámos à linda e pacifica aldeia de Gondramaz...



Um paraíso no meio da serra da Lousã, sem nada à volta, só xisto e verde, tanto verde... Ficámos numa casa linda que tinha um alpendre com vista para o verde, sem rede de telemóvel e net, um descanso.

O alpendre, com vista para o verde

E perante uma paisagem assim, o que é que apetece fazer??? Calçar os ténis, pôr a mochila e explorar o trilhos, quem sabe, encontrar um veado ou uma raposa...
Lá fomos os 3... A filhota não acha grande piada subir ou descer montes escorregadios, por isso fui quase o tempo todo de mão dada com ela, a dizer lhe para não ter medo...



Fraquinho...


Como podem ver era mais o tempo que estive parada… Mas valeu pela paisagem e pela companhia…

Pipoca

No espaço do alpendre havia um grelhador. É claro que aproveitamos tentar grelhar umas febras. Compramos carvão e tentamos acender o carvão, mas aquilo não acendia nem por nada... Queimamos papel, pinhas... e o carvão ficou impávido e sereno a gozar connosco. Ainda tentei ligar ao meu pai, que é expert em grelhados no carvão, mas não havia rede de telemóvel em lado nenhum... Nem pudemos perguntar ao google, porque não havia net...

Sacana do carvão


Felizmente havia uma cozinha equipada com frigideiras, azeite e fogão (e muito mais)...


Comer com esta vista é de valor
Fomos ainda a Figueiró do Vinhos comprar o famoso pão de ló, que era maravilhoso, não me perguntem onde foi...


Infelizmente o que é bom acaba depressa... e estava na altura de ir mais para norte, para Viseu...

Pontos altos:

Gondramaz - O paraíso...

Praia das Rocas

Corridas - Vá 2km
Comer - Como não houvesse amanhã...
Paisagens - BRUTAIS!!!




Férias de ET - Parte 1

Pois claro que a ET não pode ter umas férias "normais"...

As pessoas não ETs vão cedo (tipo 7:30) para o local onde vão descansar, e ficam por lá uma ou duas semanas...
A ET sai de casa a uma quinta feira por volta das 11:30 da manha, depois de uma horas de stress a reclamar com toda a gente... Temos que despachar... Porque é que não arranjaram a mala ou lavaram o tanque da tartaruga, no dia anterior... AHHHHHHH STRESSS...

Estas férias foram divididas em três partes, 4 dias no sul, voltamos para dormir em casa, 3 dias no centro e 2 dias um pouco mais a norte, com o sogro...

Somos apaixonados pelo Alentejo e pela zona da serra da Lousã... A calma, o silencio...

Começamos então pelo Sul, vá Alentejo, interior... Mértola, Serpa, Alcoutim, Espanha, Monte Gordo, sei lá, nunca estávamos no mesmo sitio...


Guadiana

Piscina, rio, mar... Muitos km de carro, alguns a pé... Muito calor, calorias, paisagens lindas e o sossego do Alentejo... Maravilha para carregar baterias.
Pontos altos:

Praia fluvial da Mina da São Domingos:
Em Mértola, calma, limpa e muito bonita, é pena a concentração de espanhóis aos gritos...

Praia de Monte Gordo
Começamos por ir a Espanha, foi a desilusão... Então voltamos para trás e fomos experimentar o mar em Monte Gordo e foi muito divertido, sem confusões de gente muito areal, uma maravilha.

Marisqueira Fialho na Ria Formosa...
Um restaurante com uma "alma" familiar e o melhor arroz de marisco que comi... Delicioso...

Corridas - 0km
Comer - Como não houvesse amanhã...
Paisagens - BRUTAIS!!!


segunda-feira, 26 de junho de 2017

What happens in Peniche...

Antes de começar a escrever pensei em palavras que descrevessem como me senti no sábado...

Intoxicada, embriagada, empaturrada...

Repleta, completa...

De coragem, apoio, alegria...

Confesso que hoje ainda me vem a lágrima ao canto do olho, sempre que me lembro do grito que dei naquela meta, a alegria era tanta que não cabia no meu peito, tive que exteriorizar.

O dia começou muito ensonado, deitei me tarde e acordei muito cedo. Tomei um pequeno almoço da treta e o almoço foi sushi. Ainda tentei ir a um restaurante italiano comer massas, mas só via queijos e natas nos ingredientes, e digo vos que passo mal quando me ponho a comer algo com lactose...
Ou seja fui para Peniche com um peso na consciência, porque não me alimentei adequadamente, principalmente porque me tinha portado tão bem durante a semana, sem álcool, a beber muita água, a comer coisinhas saudáveis...

A viagem foi muito animada, deu para me distrair dos nervos que tinha. Quando chegamos fomos a uma pastelaria esperar por dois colegas da equipa que foram mais cedo e que tinham os dorsais... Entre jolas e gelados (com um aspecto delicioso) a ET ficou a olhar... Não quis/consegui comer nada, tinha o estômago cheio de borboletas. Tentei concentrar me nas conversas animadas do pessoal, mas estava a ser difícil...

À medida que a hora se aproximava mais nervosa ficava, passeamos pela cidade, combinamos a estratégia para o "assalto à sardinha", encontramos conhecidos, amigos, tiramos fotos, videos... Sempre na risota e animação.

A chegada...


Na altura de ir para a zona da partida, um abraço especial de um amigo que me incentivou a participar nos 15km e que me garantiu que ia ter comigo assim que terminasse a prova dele. Obrigada pelo apoio.

E eis que começa... Musica nos ouvidos, relógio a funcionar, pernas a mexer, BORA LÁ!!!

Lá vai a ET, no ritmo possível, num ritmo confortável. Senti me tão confortável que nem olhei para o relógio, Ia distraida com a musica dos fones...
O apoio da população é realmente do outro mundo, nunca vi tanta gente na rua a apoiar, foi fantástico, só esse apoio é meio caminho andado para fazer esta prova.

Não tive dores, não senti aquela dificuldade inicial e habitual que tenho SEMPRE!!! Sim sempre, mas não sei se estava intoxicada de apoio e carinho, nunca tive vontade de desistir, nem me passou pela cabeça...
Quando passei pela divisória entre as fogueiras e fogueirinhas, olhei para cima vi o numero 15, e disse para mim:

Bora lá, tu és capaz!!!

E lá fui eu, a distribuir HI5 aos miúdos. Corri muito, nunca corri tanto na vida, mas também andei.
A visão do fogo, no escuro cerrado, o mar, as pessoas a aplaudir, o pessoal em bicicletas e motos a perguntar se estávamos bem, foi tudo perfeito. Só faltava a família... E foi mesmo a cereja no topo do bolo, ver o meu amigo a subir a rua, para me ajudar a terminar a prova... Ninguém fica para trás...
Um pouco mais à frente, eis que vemos um individuo no escuro, parece o M (de uma equipa vizinha, mas nas provas e treinos só mudam as camisolas, somos todos amigos). Era mesmo o M, disse que me vinha buscar e lá fomos de braço dado...
Até que quase no fim alguém grita o meu nome... "Alguens"... Era o resto da equipa que era suposto estar já a assar as sardinhas, mas quiseram esperar pela ET...
Acho que foi aí que quebrei, mas quebrei de felicidade (mau tanta lamechisse) fiquei tão emocionada, que nem conseguia respirar. Parei recuperei e com o pessoal atrás a puxar por mim fui a caminho daquele sitio desejado, a meta... Mesmo à chegada lá estava o L, a dar me força, orgulhoso do meu feito...
E ao pisar aquele tapete vermelho fiz algo que normalmente não consigo fazer, fui buscar forças não sei aonde aumentei a velocidade, com os Ornatos Violeta nos ouvidos, lágrimas nos olhos, o N, o M e a S atrás de mim cortei a meta com um tempo inesperado para mim, 1:50.




Depois, foi a altura das sardinhas e que boas que estavam. Foi pena estar mesmo muito frio, porque por mim tinha ficado em Peniche até mais tarde, a fazer brindes e a comer sardinhas...

Havia tanto mais para contar, mas what happens in Peniche, stays in Peniche...
Para o ano estou lá outra vez...

E agora??? Continuar a treinar, as Dores estão a chegar...

quarta-feira, 21 de junho de 2017

Em preparação

Elas estão a chegar... As fogueiras, os 15km... E eu não estou preparada, não estou mesmo. Ontem fui fazer um teste e não correu bem. Era para ter sido na sexta feira passada, mas a agenda de uma ET é muito preenchida e não consegui encaixar umas horas para treinar.

Fui sozinha, com um mini cantil, com água. Sei que devia de ter ido com o pessoal e com um isotónico ou algo do género, mas queria testar com "más condições"... Andei muito, demais... Que irritante.



É evidente a minha fraca prestação... Até aos 10 estive a tentar controlar o ritmo, queria fazer abaixo dos 8min/km, mas a partir dos 11km as pernas não funcionaram. Ao menos não tive cãibras...

Hoje vou rolar 6km com as colegas que vão às fogueirinhas e vou fazer umas alterações para testar:

Levo as meias de compressão
Levo água com isotónico/energético do marido para testar 

Vamos ver se ajuda.

Eu não tenho duvidas de que consigo terminar, mas não quero mesmo ser a ultima, nem das ultimas.

#naomexamnasminhassardinhas

terça-feira, 20 de junho de 2017

Louzan Trail 2017

O fim de semana prometia calor, trilhos lindos, riachos refrescantes, xisto, subidas, descidas, paisagens deslumbrantes... Mas...

No sábado fomos carregados de água para a linda Lousã, sob um calor abrasador... Chegámos por volta da 14:30. Tínhamos marcado um passeio organizado pela Câmara Municipal a uma aldeia típica de Xisto... Confesso que não estava com vontade nenhuma de me meter num autocarro à hora do calor, rezei (atenção que não sou crente) para que tivesse ar condicionado. Felizmente tinha ar condicionado. Encontramos um casal conhecido e fomos para a maravilhosa serra da Lousã de visita à aldeia de Candal.

Candal - Já se percebe a trovoada





Piscina de Candal, fresquinha


Maravilha... As casas rodeadas de verde, o som dos passarinhos, misturado com o som da água dos riachos... Nem o sol a queimar a minha pele (alerta de escaldão) estragou o momento.

No caminho senti o nervosismo do pessoal que ia à prova, eu ia na boa, ia à caminhada... Vimos as famosas fitas laranja em subidas/descidas (vá paredes) com declive fofinhos, locais onde não dava para perceber como é que chegavam lá. Ia ser uma prova puxada... Eu só dizia:

"Tchiii, ainda bem que vou só à caminhada"

Sei que uma boa parte das pessoas que iam naquele autocarro, ficaram com inveja de mim...
O meu marido estava inscrito nos 25km e senti que estava um pouco receoso, mas ele já sabe por experiência, que na serra da Lousã não se brinca...

Chegados à cidade, levantamos os dorsais. Devo dizer que as Tshirts são muito giras. Entretanto começamos a ver o céu muito escuro, de trovoada.

Fomos comprar mais agua e começamos novamente a subir a serra, mas desta vez, no lado oposto, para a linda aldeia do Talasnal. Sempre a ver as fitas laranja...


Chegados ao Talasnal, fomos levados à casa onde passaríamos o fim de semana. Pequenina, com aquele aspecto rústico no exterior, mas com todas as comodidades modernas, com uma vista maravilhosa para a serra e para o alto de Trevim que é o ponto mais alto da serra e onde iriam passar os runners dos 50km.


Antes do jantar ainda deu para explorar um pouco a aldeia. Fomos até a um riacho lindo...

Talasnal

Riacho
Quando estávamos de volta vimos um helicóptero de combate a incêndios, no alto da serra, “por trás” de Trevim, isto por volta das 19.30. 
Às 20 horas já cheirava a “incendio”.

O jantar foi no típico restaurante da Ti Lena. Foi um jantar delicioso, mas alienígena, pois a luz estava constantemente a faltar, por cerca de 2 minutos, algo que a senhora do restaurante estranhou. Também as comunicações estavam etezadas, pois quando liguei para a famelga ficava sem ouvir nada no telemóvel, apesar de ter rede e do outro lado o pessoal estar num local também com rede (não, não, não estava a ligar para Marte)…

Agora ao escrever este relato, até fico agoniada, por me estar a divertir enquanto decorria aquela tragédia a uns 30km de onde estava…

Quando terminamos o jantar, estava um pôr do sol maravilhoso...

Ficamos um pouco no alpendre da casa sentados em cadeiras de baloiço a desfrutar do silêncio da serra…
Antes de deitar ainda procurei nas redes sociais onde era o incendio, mas não encontrei nada, e na TV davam conta de um incendio no distrito de Leiria (está a kms da Lousã, que é no distrito de Coimbra, pensei eu) que não me preocupou…

Dormimos mal porque estava muito calor e da rua só havia cheiro a incendio, nem uma aragem…

Acordamos muito cedo, porque a prova dos 25 km começava às 7 da manhã. O meu marido levantou se, pegou no telemóvel e abriu a janela.  
"- Ohhh cancelaram a prova..."

Lá fora chovia cinzas e o cheiro era muito intenso. Havia gente que estava hospedada na aldeia, que literalmente fugiu.

Fomos à cidade, para comer e tentar perceber o que estava a acontecer.
Ouvimos que os voluntários do abastecimento de Trevim, estavam assustados e queriam sair dali.
Eu sei que lá em cima, a 1200m de altitude a vista é deslumbrante, mas no domingo devia de ser assustadora.

Havia também quem dissesse que no sábado à noite a maior preocupação da organização era a desorientação dos veados que estavam a fugir para a zona onde iria decorrer a prova...

Lousã estava envolta em fumo...

Voltamos para o Talasnal, mas fomos parando em determinados locais para explorar alguns dos trilhos que a organização tinha preparado.


Não era nevoeiro
Ia ser uma prova linda, difícil, desafiante, mas largarem 1500 pessoas na serra, naquelas condições, era mesmo muito perigoso.


Só espero estar bem para voltar à Lousã no próximo ano, e que se mantenha assim linda e verde...

Aproveito para deixar os meus sinceros sentimentos ao familiares e amigos de todos os que faleceram.

E muita força, para quem perdeu tudo!!