quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

A ET vai aos Abutres!!! Capitulo 3

Em contagem decrescente para a primeira grande aventura do ano. A uns dias do evento era esperado que o meu gajo (aka marido) estivesse preparado, e com tudo testado, mas é claro que NÃO!!!!!

E o que é que se faz a 4 dias do trail??? Pois compram se uns ténis novos e vai-se fazer um pequeno treino para testar os ditos cujos, aonde???

No monte???

Na subida com relva e terra, que há em frente à nossa casa???

Mas é claro que não, nada como testar os ténis de trail em ESTRADA!!!!

- Ahhh são confortáveis e leves!!! – Diz o gajo com um sorriso…

- Então e a aderência??? Tens que a testar!! Tens que te sentir seguro com os ténis!!! – Disse lhe eu!!

Mas a ET não é profissional de trail (não tenho um buff da Buff), é semi profissional de caminhada (aahh pois, as botas Quechua já cá cantam e a mala também), os “caminhantes” (aka walkers) sabem lá o que é descer ravinas cheias de lama…

Não há de ser nada…

Vai estar um briol no fim de semana, e esta quinta-feira estão a prever neve acima dos 800m. Como “roady” do gajo vou poder ir de autocarro até 2 abastecimentos, e o que me está a preocupar, é o autocarro a subir até Gondramaz, com gelo... Parece mais perigoso do que se fosse a pé…

Tenho é que arranjar uma solução para “as palmas”. Como vai estar muito frio vou ter vontade de levar luvas, mas com luvas não dá para bater palmas… Aguardo as vossas sugestões!!!

 As minhas duvidas existenciais…

No domingo vai ser a minha vez, mas eu estou preparada, este fim de semana fiz duas caminhadas valentes de 10km, pelo “meu monte” (não, não… não fui a Marte), mas a minha nova vertente “walker” fica para depois.

Agora máxima concentração para os Abutres!!


Wish us luck!!!!

terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Trilhos dos Reis 2018

Já alguma vez foram a uma prova onde se sentiram da realeza e sem sequer participar em nenhuma distância?? Pois aqui a ET foi também uma rainha nos trilhos dos Reis, em Portalegre, e nem precisou de sujar os tenis.
Tudo começou em 2017 quando participamos num treino organizado pelos responsáveis do Cork Trail, em Fevereiro. Fomos treinar com gigantes. Estava lá o Hélio Fumo e o Tiago Aires… No final houve uma tertúlia super interessante onde eles falaram dos treinos, das provas, das experiencias, foi brutal. O ultimo orador foi o José Presado, que é o director da associação que organiza os Trilhos dos Reis. Ficamos deslumbrados…
Entretanto passaram uns meses, e o gajo (aka marido) voltou a registar se na ATRP, principalmente pelo seguro. Quando viu que a primeira prova do circuito era o Trilho dos Reis resolveu inscrever se, marcar hotel e não me disse nada… Só lá para o fim de 2017 é que se lembrou de me avisar e claro já não havia inscrições para nada… A ET ia à prova para estar na partida e na meta???? Que seca…

Mas esta é uma prova de 1ª linha, aqui todos se sentem da realeza…

Vi que eles tinham um programa para quem acompanha os atletas e resolvi inscrever me…
No sábado lá fomos… Para não variar saímos de casa em cima da hora. O céu ameaçava chuva e estava um briol desgraçado… Foi uma viagem muito animada e bonita. Os campos estão lindos e verdes. Fiquei agradavelmente surpreendida com Portalegre (nunca tinha ido visitado a cidade), é uma cidade muito bonita e interessante.
Chegamos por volta das 15. Deu ainda para comer algo simples e provar a maravilhosa cerveja artesanal da zona, a Velhaca…

Ás 15 começava uma visita a dois monumentos da cidade. Fomos acompanhados por uma funcionária que explicou tudo e que foi super simpática e prestável. Coitada levou com o gajo a perguntar tudo e mais alguma coisa...
No final da visita fomos até ao museu da tapeçaria onde iriam decorrer as jornadas dos réis, com a Fernanda Verde, o grande Vitorino Coragem (foi espectacular ouvir as histórias deste histórico do trail), o Pedro Sanches (que foi o grande vencedor da ultra) e o Nelson Graça .

Xiii que seca ET!!! Dizem vocês, mas não foi seca nenhuma, foi tão interessante que até foi difícil ir embora, mas havia dorsais para levantar e check in para fazer...
Decidimos ir a pé, até ao mercado. Foi arriscado à noite numa cidade que não conhecemos ir à aventura. Mas correu bem pelo caminho encontramos o hotel José Régio (aconselho vivamente)...

Levantados os dorsais estava na hora de jantar. O gajo tinha que jantar bem, ia fazer 25km na serra.

Vimos na net um restaurante engraçado e o gajo "decorou" o caminho para o restaurante. Então fomos nós à aventura sem telemóveis à procura de um restaurante...

Já estão a adivinhar o que aconteceu, não??? É óbvio que nos perdemos. Andamos cerca de 1 hora à procura do tal restaurante e quando lá chegamos estava cheio, assim como os outros 5 que encontramos a seguir... Ai para a 6ª tentativa conseguimos encontramos um restaurante.

No domingo acordamos cedo. Queria ir ver a partida dos ultra, mas é claro que o gajo se atrasou, esteve um tempão a escolher a roupa, as meias... AHHHHHHHH... Já não ia dar tempo.

O pequeno almoço foi 5*. Desta vez o gajo resistiu à tentação dos ovos mexidos... Em Évora a coisa correu mal.

Chegados à zona da partida, sentia se no ar a emoção dos atletas e a alegria da organização. Foi uma partida muito bonita, digna de réis...
O gajo algures... Reparem na imaginação do pessoal...
Asas de borboleta, colants em formato"buffs"... 

Depois da partida fui procurar o autocarro que nos levaria até uma parte do percurso. Foi tudo muito pacifico. Começamos a subir a serra, por uma "mini estrada" onde mal cabia um carrito, quanto mais um autocarro, mas o motorista estava seguro... Pelo caminho vimos o pessoal do mini trail a subir a serra. São Mamede é muito bonita e com aspecto de ser difícil. Fiquei com pena de a subir de autocarro.

O ponto de paragem era onde havia a divisão entre o trail e o ultra, que ficava depois do abastecimento dos 15km.
Imaginem agora um monte de mulheres, umas a acompanhar malta do ultra outras a acompanhar malta do trail, gerou se um pequeno stress, estava a ver a coisa mal parada... Coitado do rapaz da organização, ganhou um lugar no céu...  Depois desta pequena confusão ficou combinada a hora e o ponto de encontro para depois se decidir se íamos a outro ponto da prova.

Vista do spot...
Não foi fácil tirar a foto, estava muito frio...


Escolhi um spot antes do abastecimento e aguardei... Estava mesmo muito frio, mas mesmo assim fiz questão de bater palmas a todos os atletas que passavam. Quando passava malta que conhecia lá mandava um:
Força Francisco (o sorriso quando me viu...)
Força Paulo (esse ia tão focado que nem me ouviu)
Força Filipe (Filipe Torres do blog Quarenta e Dois)
Força Bearded Runner (do blog Do fundo do sofá ao topo da montanha)

Vi muitos atletas do trail, mas do gajo nada... Tinha lhe pedido para me mandar um sms nos abastecimentos, mas nada, nickles... O gajo tira o telemóvel para tirar fotos, mas avisar me que está bem, nada...
No spot onde estava havia mais "acompanhantes" com crianças fofas... Eu agradeci mentalmente à minha mãe por ela ter ficado com a mini ET... Nem quero imaginar o stress...
- MMMMAAAAAEEEEEEEEEEE TENHO FOME
- MMMMMMMMMMAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAEEEEEEEEEEEE O PAI??
- MMMMMMMMMMMAAAAAAAAAEEEEEEEE ESTOU ABORRECIDA...

Estava na hora de voltar. Afinal tinha havido tanto stress e foi tudo pacificamente para a meta.

Quando cheguei à meta escolhi um local onde houvesse sol (nota mental, para a próxima não esquecer o protector solar) e pudesse estar sentada. Fiquei então no cimo da descida que antecede a meta.
Bati palmas e dei força a toda a gente que passou. Ouvia o policia que estava na rotunda dizer ao pessoal que ainda faltavam 2 kms lol e contradizia o agente da autoridade (espero não ir presa)... Vi gente feliz, gente que parecia que ia desta para melhor, outros cheios de sangue e do gajo nada...

Até que o vejo, ahhhh o sorriso, valeu a pena, tudo valeu a pena, só para ver aquele sorriso...
E corri com ele aqueles últimos metros até à meta... Senti naquele momento que tinha corrido os 25km com ele... Senti me uma rainha.

Opinião do gajo relativamente à prova:

- Espectacular, quero repetir em 2019!!

Parabéns à organização para o ano quero voltar, quero subir aquela serra, mas não de autocarro...





sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

Banda sonora para 2018




"Wake up
Run for your life with me
Wake up
Run for your life with me
In another perfect life
In another perfect light
We run
We run
We run
The rats are on parade
Another mad charade
What you gonna do?
The hounds are on the chase
Everything's erased
What you gonna do?
I need some room to breath
You can stay asleep
If you wanted to
They say that's nothings free
You can run with me
If you wanted to
Yeah you can run with me
If you wanted to
Before the time runs out
There's somewhere to run
Wake up
Run for your life with me
Wake up
Run for your life with me
In another perfect life
In another perfect light
We run
We run
We run
Run!
We are the nation's stakes
If everything's erased
What you gonna' do?
I need some room to breathe
You can run with me
If you wanted to
Yeah you…"




quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

2018

Aqui vão as minhas resoluções para 2018:

- Aprender a fazer bombocas de morango;
Para mim Natal sem bombocas não é Natal... É das primeiras memórias que tenho do Natal, receber uma embalagem debaixo da chaminé... Nessa altura estavam cheias de químicos estranhos, mas sabiam bem... E hoje em dia é tão difícil arranjar o meu manjar de Natal, é que têm que ser de chocolate negro com sabor a morango, não quero cá bombocas gourmet... Por isso se souberem como se fazem, agradeço que me expliquem!!

- Tirar o "Creep" dos Radiohead da minha playlist para correr;
Sim gosto muito desta música, mas é meio deprimente, não dá grande boost. Sempre que vou em provas ou treinos e a oiço penso sempre que tenho que a tirar da playlist, mas nunca tiro. Podia aproveitar e tirar a dita cuja agora, mas não, tiro amanhã...

- Deixar de chorar na meta;
Desde a minha primeira prova que fiz essa resolução, mas nunca a consegui cumprir. Querem saber quem sou?? Sou a última (ou das últimas) a passar a meta e a que está a chorar...

- Deixar de fazer provas com o meu marido...
Digo sempre isso, mas acabo por cair na esparrela, do "só vou a acompanhar" "tu é que mandas no ritmo"... Isto tem que acabar!!!

- Aprender com os erros...
Nem vou entrar em pormenores...

- Tirar fotos nas caminhadas;
Já que nas corridas sou a última, não preciso de ser a primeira nas caminhadas, posso fazer o percurso nas calmas e tirar fotos como deve ser.

- Fazer o teste da passada;
Este ano é que é!!! Com o azar que tenho ainda descobrem um novo tipo de passada, a minha...

- Deixar de ser mariquinhas e fazer uma massagem desportiva de vez em quando;
Bolas se arranjo as unhas de 15 em 15 dias, também posso fazer uma massagem desportiva, vá uma vez por ano...

- Aprender a pôr o carro na garagem (e limpar a garagem);
Este ano é que mando para o lixo metade das porcarias que tenho na garagem, e deixo de ter pavor medo de pôr o carro lá. É que a minha garagem fica nos confins da terra, próxima do núcleo do planeta,e para chegar lá é preciso descer umas rampas assustadoras e apertadas. Mas vou conseguir...

- Deixar me de tretas e correr;
Ahh doem me as costas ou os joelhos, estou com a cabeça a andar a roda??? Tretas, respiras fundo e continuas. 2018 vai ser o ano dos 1000km (no mínimo)...

E as vossas resoluções/expectativas para 2018?? Contem me tudo!!

quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

2017…

It ain't over till the fat lady sings”… Sim eu sei que ainda faltam uns dias para o fim do ano e que a senhora gorda ainda não cantou, mas já sei que não vou ter paciência tempo para escrever sobre o ano que está a terminar, no dia 31, assim arrumo já a coisa…

Para não variar 2017 foi um ano estranho (para uma ET, só podia)… Foi o ano em que “saí do armário” e me assumi como extraterrestre (ahhh por momentos assustei vos). Sempre me achei estranha e diferente. Sempre tentei passar despercebida, low profile, não gosto que me apontem o dedo, penso logo que estão a falar mal de mim. Ficou o trauma de uma menina que entrou na escola preparatória com uma boina, sem cabelo… Toda a gente apontava o dedo, gozava, ela só queria ser normal, mas não, tornou se numa ET…
Hoje orgulhosamente assumo, sou ET, ando de cabeça erguida e estou me nas tintas para o que pensam de mim…
Para além desta parte quase filosófico/poética de 2017, este ano foi uma treta a nível de running…
Terminei 2016 na minha melhor forma, fiz a São Silvestre com um excelente tempo e com a ideia de que podia ter feito melhor, caso tivesse ido sozinha, e até acordava de madrugada, com as galinhas, para treinar com o pessoal louco que treina de madrugada…
O ano de 2017 começou promissor, mas eis que aparece uma tosse horrível que me provocou um problema muscular no peito, sim, sim, por baixo da costela, só respirar era doloroso, depois a anemia, depois o desconforto, depois a anemia outra vez, e vou terminar o ano a fazer a São Silvestre sem treino, com tosse, o desconforto e restos de anemia (que voltou há umas semanas), maravilha…

O ponto alto de 2017?
As Fogueiras. Preparei me, treinei (vá mais ou menos) e foi espetacular, adorei. Apesar de ter feito um tempo da treta, para mim soube recorde mundial, e ter aquele final com o pessoal do grupo a acompanhar me, foi a cereja no topo…

E objectivos para 2018??? Em 2017 ficaram por fazer como deve ser, Coimbra, Évora, a Scalabis e o Cork Trail. 2018 é para as fazer, se a minha etezisse permitir claro.
Trails vão ser para fazer devagar, sem pressões, ou seja, sempre que veja que vale a pena, vou inscrever me nas caminhadas (tenho é que comprar umas botas Quechua).

O meu grande objectivo para já é a corrida dos Sinos, vou tentar os 15km e caso corra tudo bem, queria experimentar fazer a meia do Douro Vinhateiro, mas pelo andar da carruagem não me parece que tenha capacidade para tal, pelo menos para já…

Quero muito voltar a Gondramaz e ao Talasnal, e vou muito provavelmente conhecer outras serras de Portugal, como São Mamede, Sicó, Arga, Estrela, porque o gajo (aka o meu marido) anda louco e quem vai “pagar as favas” é aqui a ET…

O Strava diz que aqui a ET fez 96 corridas em 2017, num total de 583,3 km, 103h 55m (que podia ter aproveitado para dormir ou estar no sofá), com um ganho de elevação de 9.425 m…
Bolas é muito km… Mas... Até a senhora gorda cantar ainda posso chegar aos 600km…


2017 foi o ano em que cheguei a uma triste conclusão, estou a ficar velha... Quando não temos pedalada para correr ao lado da nossa filha de 10 anos, podemos tirar 2 conclusões, ou estamos velhos e fracos, ou a miúda corre como o caraças...

Para além de "correr" 2017 foi um ano em que me "meti" em coisas estranhas, como o associativismo ou a politica, e digo vos que adorei. Espero que 2018 traga boas novidades nestas áreas...

Assim aproveito para vos desejar o que desejo para mim:


Que 2018 seja melhor que 2017!!!

segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

A ET vai aos Abutres!!! Capitulo 2

Eu devo de ser uma das pessoas mais desorganizadas do mundo, mas o meu gajo (aka marido) é pior que eu...

Num raro momento de ET organizada, resolvi começar a preencher a minha nova agenda para 2018.  Como vou só à caminhada, não tenho nenhum plano de treinos especifico para a caminhada (acho que me vou arrepender) e como sou uma cabeça no ar (atenção que há piores), não fazia ideia da data para o trail dos Abutres.
Procurei então o regulamento da prova e verifiquei que a caminhada é no domingo, dia 28 de Janeiro e os 30km no sábado, dia 27 de Janeiro... Estranho pensava que era tudo no domingo... Com certeza que o desorganizado do gajo sabe disso. Por via das duvidas resolvi enviar lhe um email com esta informação. Passado 1 minuto ele liga me:

- Ohhh bolas, ainda bem que viste isso, pensava que o trail era também no domingo... Só temos hotel para sábado e agora já está tudo esgotado...

Bonito gajo!! Agora vais ter que te levantar às 4 da matina (exagero) e vais a conduzir até Miranda do Corvo que a ET não gosta de conduzir à noite... E livra te de me acordares a perguntar onde estão os teus calções e as meias e o porta dorsal e o buff da Buff e a mala e...

Já agora uma perguntinha para os experientes nesta prova:

Abutres, com ou sem bastões??

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

A ET e os caminhantes profissionais, em Alcanena…

Pois é, este domingo deparei me com uma nova realidade, os caminhantes profissionais… 
Temos os corredores de estrada profissionais, que correm de camisola manga cava, com micro calções, os traillers profissionais com as suas extensas barbas e buffs da Buff e espantem se, há os caminhantes profissionais (professional walkers lol)… Estes vestem se normalmente de verde tropa ou castanho escuro (a meu ver é um perigo, porque partilham o local de caminhada com os caçadores de domingo), com calças impermeáveis, e longas capas. As botas de “caminhante” são essenciais assim como as malas gigantes e os bastões…

Isto tudo porquê??? Porque este domingo aqui a ET foi com o pessoal a Alcanena, a uma prova de trail gratuita. Ui ET, prova gratuita, deve ter sido uma porcaria, dizem vocês!!!
Noop, se metade das provas a pagar tivessem a qualidade do Alcanena Trail, viveríamos num mundo “running” melhor…

Chegamos para levantar os dorsais, e tivemos direito a Tshirt da prova (de boa qualidade), senha para almoçar e pasmem se, pequeno almoço, com bebidas quentes, pasteis de nata e coscorões…

Huuummmm


Tinha me inscrito no trail de 14km, mas como estou CANSADA de ser a ultima e de conhecer SEMPRE os vassouras, fiz uma inscrição de ultima hora para a caminhada, que também tinha 14km… Que seca, caminhar na planície e na vila, com senhoras de meia idade e casais fofos com carrinhos de bebé, pensam vocês…

Enquanto me deliciava com um pastel de nata (comi poucos, juro!!) ouvi alguém a recomendar atenção no trilho do Russo, que é uma descida perigosa cheia de pedras e lama, um grande declive que numa zona tinha a particularidade de caso alguém escorregasse teria que descer a serra a rebolar, que imagem fofa!!! Tratei de passar a mensagem ao pessoal. Eu fiquei descansada porque a caminhada havia de ter um percurso alternativo… Toma malta do trail!!! Vocês vão correr risco de vida e a ET vai passear à serra ahhhhh!!!

Antes da prova de trail dos 14 e dos 25 começar, juntam se todos para a foto (todos menos a ET que era a única walker do grupo) e senti o olho húmido, deve ter sido da chuva… 
E eis que vão e de repente fico sozinha no meio de caminhantes profissionais com botas Quechua… Senti me uma ET, ohhh pah mas eu já sou ET, mau, mas mudei de planeta??? Não há ninguém de ténis?? Onde estão as senhoras de calças de ganga e os casais com carrinhos de bebé??? Deve ser da chuva, a tempestade Ana estava a chegar…

O senhor responsável pela caminhada, faz um pequeno discurso:
“Blá, blá, blá quem me passar fica à sua responsabilidade… Blá, blá, blá na subida o grupo vai dividir se…”

Subida??? Mas não é caminhada??? Deve ser uma subidita soft…

E lá vamos nós. Tentei ficar ao pé do líder, bolas estou farta de vassouras… Mas não estava fácil os trilhos eram estreitos, cheios de lama e possas de água (tinha chovido a noite toda) e para além dos profissionais, havia um grupo de walkers semi profissionais, com chapéus de chuva, sim aqui a ET ía ficando com os olhos vazados à conta da porcaria dos chapéus de chuva…

Mesmo com os phones nos ouvidos com musica a altos berros (sim, sim sou anti social, não quero conversa com ninguém) conseguia ouvir os tiros dos caçadores domingueiros.

A certa altura começamos a subir, mas a subir mesmo, não havia subida soft, havia uma subida diabólica, com pedras e lama à mistura, e uma bonita ribanceira mesmo ao meu lado… A certa altura comecei a sentir umas tonturas, pois ia concentrada a olhar para baixo, mas a minha visão periférica estava também concentrada na ribanceira fofa, do meu lado esquerdo… E assim com Sigur Rós nos ouvidos pensei que se caísse, morria feliz…
Foi uma subida lixada à brava, mas lá em cima esqueci as vertigens e perdi uns minutos a apreciar a paisagem maravilhosa…






A subidita, do lado esquerdo

Depois da subida caminhei em terreno plano, cheio de lama e pedras, até que chego a uma descida, o trilho do russo… Mas… Então??? As partes difíceis não eram para o trail perguntam vocês!! Noop, a caminhada fez exactamente o mesmo percurso do trail curto, mas com dificuldade acrescida, depois de todos do trail terem pisado a lama, esta fica mais apurada e escorregadia, sim a caminhada foi a prova mais difícil de ontem…
À minha frente estava um casal de tenis!!! Aleluia, ele com os seus Saloman e ela com uns Merrell, fui atrás deles uns metros, mas cheguei à triste conclusão que eles estavam piores que eu, passei os e lá fui à procura de trilhos que não fossem rios de lama... Felizmente safei me no trilho do russo, que era uma descida muito perigosa, e no final desse trilho tivemos estrada. A partir desse momento senti me mais à vontade, e corri, na estrada, nos trilhos, sem stress, só eu a minha musica e a natureza… Maravilha…

Maravilha

No final tivemos sopa quentinha, porco no espeto (à descrição), frango, salgados, pasteis de nata e um banho quente…
Deliciosa

Foi uma festa, juntamos nos a outro grupo amigo e super animado. Tínhamos chouriço que um colega assou, queijo, bolos, vinho, jeropiga caseira, eu sei lá…

Ninguém bebeu...
O chouriço e o salpicão...

Nem provei...


Uma prova a repetir, superou as expectativas de toda a gente… Comida sem restrições, marcações perfeitas, trilhos desafiantes, banhos quentes, e grátis!!! Para o ano estamos lá outra vez!!