quarta-feira, 11 de abril de 2018

As modas da vida...

Como na moda há as tendências conforme as alturas do ano, também na vida há modas conforme as idades...

Ora pensem comigo...

Há uma altura em que toda a gente desaparece porque arranjou namorado e está muito apaixonada...

Depois quase que é preciso arranjar uma agenda e um emprego extra porque toda a gente lembra se de casar. Há despedidas de solteiros e casamentos todas as semanas. Idas ao shopping arranjar vestidos, sapatos, malas, biju... Marcações semanais no cabeleireiro... Entretanto quando esta altura acalma, aparecem as grávidas...
Recomeça o stress...
Idas ao shopping comprar babygrows e babetes, idas aos chás de bebes, idas ao hospital ver os bebes recém nascidos, idas a casa dos amigos e vê los com olheiras e sem paciência para nada...

Depois o zum zum dos baptizados... E lá vamos nós para o shopping comprar vestidos, sapatos, biju, malas, presentes...

E se achamos que estas fases anteriores são aborrecidas, eis que chega uma outra fase, os divórcios...

Infelizmente esta moda do divorcio anda a rondar a minha vida... Ouvimos que aquele deixou aquela, porque ele arranjou outra... Stress... Na semana passada a moda da altura chegou à casa da minha melhor amiga... Era evidente que as coisas andavam mal, tentei aconselhar a minha amiga da melhor maneira...

"...tem calma, não stresses com tudo o que ele faz..." "...pensem na miúda..." "...tirem um fim de semana romântico..."

Nada funcionou... Quando deixa de haver coisas em comum, respeito e amor entre um casal, deixa de haver motivos para estarem juntos...

Na semana passada fui tentar anima-la, o futuro ex ia jantar com amigos.
Ela está agora a "cair na real", ele vai sair de casa e ela vai ficar com a miúda... Eles já têm tudo combinado...
Cheguei a casa deles e havia um monte de papeis espalhados em cima da mesa da sala. Ele estava a acabar de organizar as facturas... Estivemos a falar muito, do futuro, dos receios de estar sozinha, de não conseguir pagar as contas, de nunca mais conseguir encontrar alguém que a ame... Até que ele chegou mais cedo... Sentia se no ar algo estranho. Ele começou a falar comigo como se nada se passasse e sentou se na mesa para continuar o trabalho de organização...

- S tens que organizar as facturas por tipo!!! Depois trago te uma pasta de fole para organizares as facturas. - Disse ele.

- Ok. Olha vou começar a ir caminhar com a ET às quintas, ok? Ficas com a miúda às quintas?? - Disse ela na maior das descontracções.

- Claro, vou adorar estar com a minha filha... Não te esqueças de andares direitinha nas subidas, tens tendência a curvares as costas...

E eis que eu, sim eu, desato a chorar!!

Também eu cai na real...

Ver a vida da minha amiga a desmoronar assim, mesmo sabendo que ela não era feliz, partiu me o coração, eles já decidiram, o que tomamos como garantido, não está assim tão garantido. E agora como vai ser? Também os amigos que acompanharam todas as modas deste casal também vão sofrer... A S é a minha melhor amiga, é como a irmã que não tive, mas também gosto muito do J, de conversar com ele, de saber a opinião dele sobre tudo e mais alguma coisa.

Não gosto desta moda...


terça-feira, 10 de abril de 2018

A corrida do Benfica 2018


Quem me conhece sabe bem que sou benfiquista, mas que não ligo nenhuma a futebol… Bem, ligo quando o Benfica ganha, quando perde já não ligo. O que eu gosto mesmo é de picar o Gajo, que é ferrenho adepto do FCP… Tanto benfiquista no mundo e foste logo arranjar um Portista (pensam vocês)… Se o super ferrenho benfiquista do meu pai o aceitou, então o universo está em paz com a minha escolha. É até engraçado picar o meu pai e o Gajo e ver como deixam a sua ferrenhisse clubística de parte só para não se chatearem.

A mini ET nunca se deixou seduzir com as sucessivas tentativas de suborno por parte do Gajo. Ela tinha bonecos, cachecóis do FCP e do Benfica tinha uma velhinha bandeira e o meu cachecol (que uso quando o Benfica é campeão só para chatear o Gajo), mas ela acabou por ficar uma ferrenha adepta do Benfica. É incrível, ela conhece os nomes dos jogadores e conversa com o meu pai de uma maneira quase profissional sobre bola, que orgulho…

E tudo isto para falar da corrida do Benfica… 

Há umas semanas atrás resolvi inscrever a mini ET na corrida da pequenada do Benfica, e porque não inscrever me a mim também?? Pois foi o que fiz. Mandei uma mensagem à mini ET:
- Inscrevi te na corrida do Benfica, não digas nada ao pai!!
Nesse dia quando cheguei a casa recebi um mega abraço e um “obrigada mamã” da mini ET… Ela ficou super entusiasmada. Passou as férias da Pascoa a treinar com a supervisão do avô. Eu fui também preparando a minha prova dentro dos possíveis.

O Gajo é que foi na sexta-feira levantar os dorsais!!! Não estava com vontade de se misturar com os benfiquistas… Depois lá confessou, irritado, que toda a gente foi super simpática com ele e até o prego que comeu no estádio era delicioso…

E eis que chega o dia da prova da pequenada. A mini ET estava mesmo feliz, ia correr no estádio do Benfica. Tirámos um monte de fotos sempre com o Gajo a fazer cara de enjoado… A minha sobrinha e o filho de uma amiga do grupo também iam correr. A minha sobrinha foi a primeira, ela é mesmo uma princesa, até a correr. Lá foi ela muito pequenina e correr com um passinho pequenino e os braços esticados, tadinha, foi a penúltima… Mas vinha feliz, com a sua medalha ao pescoço.

Quando fui deixar a mini ET no local de encontro do escalão dela, disse lhe ao ouvido:
- Provavelmente não vais ser a primeira porque estão aqui meninas que treinam todos os dias, por isso não fiques triste!! Diverte te muito e aproveita.
Algumas das meninas do escalão dela eram tipo "profissionais", com micro calções e mangas cava. 

A prova dela não foi má, ela começa sempre com muita velocidade e depois não consegue aguentar. A meio da pista percebi que estava a ficar sem energia, mas na ultima parte voltou a ter um boost. Também ela vinha feliz com a sua medalha ao pescoço.

A prova do filho da SB, foi logo a seguir. Ele fez uma excelente prova, penso que terá ficado nos 10 primeiros.

No domingo foi a minha vez. Fui com a SB. Antes de começar passamos por um casal que tinha a camisola do Sporting. Fizemos questão de tirar uma foto com eles. O importante era a diversão.

Queria ir ao meu ritmo sem puxar muito, fazer aquilo nas calmas, concentrada na minha musica. Os primeiros 2km foram feitos a um bom ritmo, sem parar, mas as subidas, as subidas são tão difíceis, e fico sempre a stressar, se faço as subidas a correr, não vou ter energia para o resto da prova… A porcaria da “cabeça” sempre a mil…

Normalmente em todas as provas a melhor parte é a emoção da chegada à meta, mas nesta corrida a grande emoção, é a entrada no estádio e eu que não sou adepta ferrenha fiquei arrepiada. Dei por mim a gritar coisas tipo SLB e VAMOS AO PENTA… Aquilo pega se, acho que até o gajo iria gritar SLB comigo (não, não ia). Perdemos ali uns minutos a tirar fotos, eufóricas... A única critica que posso fazer é que a entrada no estádio devia de ser mais lá para o final.

Depois da passagem pelo estádio, andámos às voltas por aquela zona. Ia bem, até que comecei a sentir as pernas super, super, super pesadas... Comecei a pôr em causa tudo, o pequeno almoço, a preparação, até fiquei arrependida de não ter roubado um gel ao Gajo, nem sequer tinha comigo uma embalagem de mel ou marmelada (que é o meu gel)... Ia tão distraída nos meus pensamentos que nem tinha reparado que estava numa longa subida. Só percebi bem a inclinação quando demos a volta e começamos a descer...

Ai  ET, ET, realmente... Tanta treta com as subidas e nem dás conta que estás a subir...

A partir dai, fui a abrir (dentro dos limites extraterrestres). Havia ainda uma subida valente, mas curtinha e voilá, eis a parte da chegada, e novamente um momento de alegria extrema (sem choros)...

1h:14m

Fiz um tempo miserável para o comum dos mortais, mas para uma ET, foi bastante bom, tendo em conta o tempo que estivemos a tirar fotos no estádio, e o grau de dificuldade da prova, que tem muitas subidas.

Espero poder repetir esta prova para o ano.





terça-feira, 3 de abril de 2018

O 1º trimestre de 2018

Ainda ontem era 2017, e hoje já estamos no inicio do 2º trimestre de 2018. O tempo passa bem depressinha…

Estive a rever os meus objectivos para 2018, e devo dizer que em 3 meses já tenho uns objectivos cumpridos. Então:

- Bombocas – Ainda não as sei fazer, mas na Pascoa uma pastelaria aqui da minha zona fez umas maravilhosas bombocas de morango… O Gajo aproveitou logo para comprar uma caixinha de 6 aqui para engraxar a ET…

- Creep dos Radiohead – Finalmente saíram da playlist, mas continua nos favoritos.

- Deixar de chorar na meta – Ahhhh algo que parecia impossível, acreditem ou não, não houve choro etezado na meta, em 2018…

- Deixar de fazer provas com o meu marido... – Para já tenho me safado…

- Aprender com os erros... – Bem, estou a tentar

- Tirar fotos nas caminhadas - Noop, continuo a não tirar fotos…

- Fazer o teste da passada – Juro que tentei duas vezes, no El Corte Ingles, mas nunca têm pessoal para o fazer…

- Deixar de ser mariquinhas e fazer uma massagem desportiva de vez em quando – Ainda não ganhei coragem…

- Aprender a pôr o carro na garagem (e limpar a garagem) – Mais uma para o 2º trimestre…

- Deixar me de tretas e correr – Em três meses tenho 266,2 km feitos (uns a correr, outros a andar). Subi 6160m e desci 7080m. Nada mau…

Os Sinos estão feitos e o Cork Trail também.

Novos objectivos:

A meia maratona não me sai da cabeça, mas depois da etezisse que me deu no final dos Sinos, tenho que proteger o meu “motorzinho”. Ainda ontem voltei a ter um “ataque etezado” depois do meu treininho soft, quando cheguei a casa. Infelizmente a C, não estava comigo e o gajo também não estava em casa. Tive que me acalmar sozinha, com a supervisão atenta da minha gata. Passou e estou vivinha da silva…

As minhas famosas/dolorosas/estranhas cãibras vão também ser estudadas, pois ninguém consegue perceber o porquê de ter cãibras nos músculos e situações mais estranhas. Mais uma vez um médico olhou para mim, como eu fosse uma ET… 
“Mas sente mais cãibras quando usa meias de compressão??? Hum… Estranho…” 
Espero obter respostas…

Tenho já a inscrição para a corrida do GLORIOSO, para a Scalabis, as fogueiras, Trail de Pina Manique (em modo walker) e para a Arga… O Louzan Trail ainda está em estudo…

Aceito sugestões!!! E vocês?? Já atingiram os vossos objectivos??

segunda-feira, 26 de março de 2018

A corrida do Sino e não do sininho

Já está, arrumado junto aos sininhos, este ano o objectivo eram os 15km, o Sino grande…

Tão lindo, laranjinha
A preparação não foi fácil, estou muito abaixo de forma (mais abaixo que o normal), lá fui fazendo uns treinos, dentro do possível, pois o tempo não abunda mesmo. A maior parte das vezes fui mesmo sozinha, o meu treino de eleição com o pessoal, que era às quintas feiras, foi transformado em treino de caminhada para mim… Sim agora sou caminhante, fiquei responsável por pôr o pessoal que não corre a caminhar… Mas continuando, treinar com pessoal tem sido complicado, por isso tenho ido sozinha, ao meu ritmo sem stress muitas vezes a horas impróprias…
Nunca tive duvidas que conseguia fazer os 15km, o meu problema era fazê-los dentro do tempo limite de 2 horas…

Ohhh ET, 15km em menos de 2 horas, é facílimo!!!

Dizem vocês, mas isto de ser ET dificulta a coisa. Tive a prova no domingo que antecedeu a prova dos Sinos. 
Resolvi juntar umas amigas, as enferrujadas, para fazermos um treino soft de 15km. O nosso líder (do grupo de corrida, não é o líder de uma religião estranha), o L, tinha sugerido fazer um trajecto sem grandes subidas, e disse para eu deixar o relógio em casa (pois, pois).

- Começas “aqui” e vais até ao final do jardim de Vila Franca de Xira, sem puxar muito em modo jogging, não levas relógio para não stressares…” Disse ele. Eu não quis dar parte de fraca e disse lhe que sim, mesmo não sabendo muito bem o que era para ele modo jogging…

O Gajo disse me que o trajecto sugerido iria dar uns bons 20km. Isso era muito…

Domingo de manha lá foram as enferrujadas. O objectivo era fazer 15km, a meio do percurso arranjamos um incentivo, parar numa pastelaria XPTO para comer um pastel de nata. Ligamos a outra enferrujada, que tem estado lesionada, para nos pagar o pastel de nata na dita pastelaria (não levámos dinheiro). Uma das enferrujadas impôs logo um ritmo acelerado e eu antes de fazer 1km já tinha morrido… E lá fui eu a arrastar os varões de aço com blocos de chumbo que tinha abaixo da cintura… Sim as minhas pernas estavam tão pesadas… Lá fiz os 15km, em 2h07m. Neste tempo está incluído as fotos que andamos a tirar, e o tempo a ligar à AC para nos vir pagar o pastel de nata…

Quase chegamos a Vila Franca…

Fiquei um pouco apreensiva. Será que conseguia fazer os 15km em menos de 2 horas?? As minhas pernas iriam transformar se em blocos de aço??? Será que era melhor procurar com antecedência locais onde poderia parar para ir à casa de banho??

Eis que chega o dia.. Acho que estava bastante calma, deve ter sido do sono, pois dormi menos 1 hora que o habitual… Nos momentos que antecederam o inicio da corrida, eu tinha só um objectivo, esvaziar a bexiga, que parecia que ia rebentar, mesmo tendo ido à casa de banho uma meia hora antes… Perdi me do resto do pessoal excepto do gajo, que andava a aquecer em frente ao MacDonald’s (onde estive numa fila gigante para ir à casa de banho, que mania que as pessoas têm de ir à casa de banho quando eu vou). 
Quando dei por mim estava a corrida a começar e lá vou eu… Comecei bem, a uma boa velocidade (para mim, claro). Quando olho para o relógio penso logo que estava a ir muito depressa, mas sentia me bem e feliz, as pernas estavam com energia, a playlist calma soava nos ouvidos, não havia necessidade de parar em lado nenhum para ir ao WC, tudo perfeito… Excepto a porcaria de uma mini pedra que estava dentro dos ténis… Que treta, tive que parar para tirar a mini pedra… Como é que mesmo em estrada me entram pedras nos sapatos…

Na divisória entre os 6 e os 15, nem me passou pela cabeça desistir, o Sino ia ser meu… Fui, com cuidado nas subidas e puxar nas descidas. É um percurso engraçado, com algumas pessoas a apoiar. Gosto dos percursos tipo ir e vir, permitem passar pelo pessoal, vou distraída à procura de caras conhecidas. Na primeira parte do percurso descemos a avenida, para depois a subir…
Enquanto descia, vi o Gajo e o resto do pessoal da equipa a subir. Gritei um “Força João”, ao grande João Lima. 
Fiz os 10km numa 1hora e 13minutos, o que é excelente para mim, estava a guardar as energias, caso fosse preciso para o final. O pessoal que me passou na descida foi depois “apanhado” por mim na subida. Já a chegar ao parque municipal vi o Gajo e a M, que me acompanharam até ao fim. Mesmo antes de entrar no parque vi o N, que emoção a meta estava mesmo ali, ia conseguir, o Sino era meu!!!

Já com o Sino na mão aparece o pessoal todo!! Conseguimos todos. 

Não sei se foi a emoção, misturada com o esforço, misturado com a minha normal etezisse, mas começo a senti me estranha (sim ainda mais). A minha garganta parecia estar a fechar, não conseguia respirar, sentia me zonza, o Gajo percebeu e pergunta se estou bem…
- Não consigo respirar, chama a C!!! Pedi eu…
Digo vos uma coisa, quem tem uma enfermeira, que trabalhou 30 anos nas urgências, no grupo de corrida, tem tudo. Ela é uma vencedora, uma amiga querida, e foi fantástica comigo. Sentou me, mediu me a tensão e disse com a maior das calmas que eu estava não sei o quê, não percebi mas pareceu algo que merecia ser averiguado, mas da maneira que ela disse parecia ser algo tipo, a ET precisa de beber um copo de água, no carro dos bombeiros…
Lá fui eu. A C identifica se como enfermeira e começa com aquela conversa técnica. Parece que o meu coração quis avisar me para fazer as coisas como deve ser, em vez de ir na prova preocupada com os tempos e as velocidades, tenho que é que olhar para a frequência cardíaca… A coisa lá estabilizou, o susto passou.

E depois foi a festa, como só nós conseguimos fazer. Desta vez a LB levou um fogão de campismo e uma sopa. Que maravilha, mini na mão, a comer uma bela sopa quentinha, sentada numa cadeira de praia a ouvir histórias decadentes do pessoal, e o meu Sino guardadinho, foi o ponto alto do dia, o convívio com o pessoal. Só esta parte merecia um post…


Tão boa a sopinha...


quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

15 de Fevereiro

Queria deixar uma homenagem aos pequenos guerreiros e às suas famílias!!!

A todos, aos que não sobreviveram e aos que sobreviveram e que carregam nas costas um pesado fardo... Eu ainda o sinto, mesmo 27 anos depois, nunca vai passar a dor, a questão, porquê eu???

Força para todos os que infelizmente estão a sofrer... Não desistam, nunca desistam!!!




quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

A ET foi aos Abutres 2018 – Capitulo 2 versão Walker

É agora, é agora que vou falar da “caminhada”, da senhora caminhada, que houve na prova dos Abutres, mas que senhora caminhada, caminhada com “C” grande…

Depois da prova do gajo, e enquanto ele tomava banho, aproveitei para olhar como deve ser para o livro da prova, na parte da caminhada. Foi então que vi:
- 1050 de desnível negativo??? Numa caminhada de 12km???? Espera lá, isto é a descer a pique!!!! Deve ser em estradão, sem stress…
Antes do jantar ainda fomos matar saudades do Talasnal… Continua lindo e mágico, com o maroto gato zarolho a pedir festas… A descer a serra para a Lousã, um javali atravessa se na estrada como se estivesse habituado aos carros a passar por ali. Felizmente não o atropelamos, foi um misto de pânico e fascínio... 

No domingo da Srª. Caminhada (respeitinho) acordei cheia de frio e dores de cabeça. Um par de Ben-u-rons, umas camadas de roupa, buff dos Abutres na cabeça e estava pronta.

O carro estava com uma camada gigante de gelo. Estivemos um tempão para retirar o gelo todo, estava mesmo muito frio.

Quando chegamos a Miranda do Corvo, fui logo para o autocarro que nos levaria até ao local onde ia começar a “Sr.ª Caminhada”. Enquanto estava sentada a aguardar que o autocarro começasse a andar, vi que o gajo estava a falar com alguém… Aparentemente da organização… Volta e meia olhava para mim e fazia caretas de assustado e tentava avisar-me. Percebi que ele dizia:

- LAMA, LAMA, LAMA…

Lá está ele a tentar assustar me ahhh ahhh ahhh… Lama era no trail, na caminhada (mau, Srª Caminhada) não há nada disso, há estradões largos e fáceis... 

Tentei perceber o “grau de profissionalismo” dos caminhantes à minha volta, mas estava tudo sentadinho…
Entra então um senhor de cabelos brancos e bigode farfalhudo, com um bastão à moda antiga (de madeira). O senhor tinha ar de que conhecia a serra como a palma das mãos, sabia onde estavam todas as pedrinhas, todas árvores, todas as silvas…

E lá fomos nós, sempre a subir, a subir, a subir cada vez mais… Até se sentia o motorista a pôr “uma abaixo”. Houve um momento que parecia que o autocarro não tinha mais mudanças, que não conseguia subir mais, foi nessa altura que encomendei uma reza e a missa pelos meus joelhos…

Lindo


O Geodésico lá da zona

Tive que roubar umas fotos à organização da prova. O Sr. Zé foi incansável

É bonito, não é???

A ET algures...

A prova teve inicio no Observatório António dos Reis em Vila Nova, com uma vista maravilhosa, a 360º.
Lindo, aliás toda a caminhada (ai, ai, a Srª Caminhada) foi feita em locais deslumbrantes, as fotos não fazem justiça à beleza da zona, nem mostram a pureza da água ou o som da água nas cascatas, ou dos pássaros ou os cheiros, cheirava a ar puro, e a flores. Maravilhoso, fiquei ainda mais apaixonada por aquela serra...

Havia todo o tipo de caminhantes, desde pessoas com aspecto profissional, com um bastão (??? porquê um), pessoas que achavam que iam descer a serra pela estrada de alcatrão, pessoal que tinha feito o trail no dia anterior e iam também à caminhada apoiar a mulher, grupos de mulheres faladoras, e uma ET, com os ténis sujos de lama (desisti de lavar os ténis por fora) e um monte de camisolas vestidas...

Houve um "briefing" e começa a Srª Caminhada. Por single tracks de lama (ainda soft) e gelo, sempre a descer, a descer, a descer... E as paisagens... Já falei nas paisagens deslumbrantes??

É preciso legenda???



Sempre a descer...

Havia caminhos que os poderia fazer a correr, mas não estava para ai virada. Queria desfrutar e fazer aquilo nas calmas. E ver as paisagens... Já falei nas paisagens maravilhosas???

Cheguei a uma descida que me fez lembrar algo... Até que percebo, estava na zona onde há uns meses o gajo se perdeu... Estava a chegar a Gondramaz, esta descida tinha que a fazer a correr... Que bem que soube... E a paisagem??? Linda...

CORRE ET!!!!!!

Nem fazia ideia de que ia passar em Gondramaz... Tive uma pequenina esperança de ver o gajo algures, com um sorriso, à minha espera, mas não, a essa hora devia de estar a dormir, ou no café a ler o jornal...

Havia um abastecimento lá (não fazia ideia), no mesmo sitio do abastecimento do trail, em frente à casinha do México... Que coincidência, não é?? NÃO!!!!!!!

Comi umas tostas com manteiga de amendoim, tomate com sal, e fui embora. Afinal agora a descida ia ser por aquele estradão onde há uns meses tinha estado, ia ser fácil...



A ET a ir embora de Gondramaz!!!
E lá começo a descer pelo tal estradão, até mau, uma seta para sair do conforto do estradão??? Mas estou na caminhada ou no trail???? Pois estava na Srª Caminhada e agora é que ia sentir isso na pele!!! Fora isso, as paisagens, oooohhhh brutais...

Foi então que começou a descida, não ao inferno, porque a paisagem era linda... Já falei da paisagem???
Ou seja agora estávamos a fazer o percurso do trail, a descer por pedregulhos secos, pedregulhos com lama, pedregulhos com água, pedregulhos com musgo escorregadio, descidas a pique de deixar a cabeça de uma ET a andar à roda (pois, eu tenho vertigens). Perdi a conta das pontes de madeira escorregadias por onde passei, os troncos a fazer de ponte, as descidas com cordas, as descidas de rabo, sim eu tenho as pernas curtas... Felizmente havia sempre uma mão, um ombro, umas costas onde me pude apoiar...



O som da água a passar era calmante. Havia alturas em que parava e ficava a admirar a paisagem maravilhosa, a ouvir o som da água, a cheirar (snifar) a natureza... Que maravilha, quem me dera poder fazer aquilo todos os dias...
Falei com um senhor (que me apoiou numa descida tipo escalada) que trabalha na Câmara Municipal de Miranda e que anda pela serra a arranjar os trilhos, as pontes (sortudo) e que me dizia que costuma beber água directamente dos riachos...




Foi um trajecto duro, mesmo muito duro. Nunca tinha feito uma prova de trail tão dura e exigente... Se fosse a subir era bem mais fácil. Lembrei me do trail da Dores em 2016, daquela subida da corda e a Srª Caminhada foi mais bruta que o trail das Dores... Que porrada...
Demorei uma eternidade para fazer aquela parte do trajecto...

No abastecimento em Espinho havia sopa, bifanas, minis... Estão a perceber porque é que foi uma Srª Caminhada???? Foi bruta em todos os sentidos, até nos abastecimentos... Mais tarde o gajo (invejoso) disse me que não viu bifanas nem minis nesse abastecimento!! Ahhhh TOMA!!!!

Com a barriga cheia, pus-me a caminho para a 3ª parte... A parte da LAMA!!! No dia anterior tinha ouvido relatos de um mar de lama, havia lama até aos joelhos, dramas...
Pois... Havia mesmo muita lama, um riacho de lama. Como não estava com vontade de fazer SPA, lá fui agarrada às árvores, com cuidado para a lama não passar para dentro dos meus ténis.
Vou explicar, os meus ténis são impermeáveis, mas mesmo impermeáveis... Não entra nada, nadinha, o problema é que também não sai... E se entra água por cima, estou desgraçada, porque fico com os pés a boiar nos ténis...
Aquela parte da lama era rodeada por uns canais de água, então para fugir à lama enfiava me nos canais, já que o nível de água era baixo.

Conclusão, safei me, sem tralhos, sem mascara de lama na cara e com os pés sequinhos, prontinha para ultima parte da prova, o alcatrão... E aqui tirei a barriga da miséria e corri... Até que... Olha é o gajo lá ao fundo... E senti o coração mais quentinho (alerta de lamechice), uma felicidade gigante e um alivio, estava feita, a Srª Caminhada... Não deu para correr muito, pois o gajo estava de rastos da porrada que tinha levado no dia anterior... Gajos...

Obrigada Abutres!!!





terça-feira, 30 de janeiro de 2018

A ET foi aos Abutres 2018 – Capitulo 1 versão Roady

Pois fui… Doente, com febre, tosse, dores de cabeça, mas fui. Levei roupa quente, paracetamol e borboletas na barriga…

Uns dias antes tinha andado numa azafama, a comprar camisolas térmicas para a neve (sim eu sou muito friorenta) camisolas polares, leggings para a neve, meias…

A mini ET não quis ir…
- É para estar à espera do pai??? Que seca, ele demora sempre tanto tempo… Não quero ir…
Na sexta-feira tivemos que fazer um desvio para a levar aos avós. No fundo foi um alivio para mim. Eu fico bem, sem comer, de pé ao frio, durante horas, mas ela não.

Chegamos a Miranda do Corvo por volta das 22.15 e digo vos que estava um frio de rachar…
Realmente aquela organização é da primeira divisão (assim como a organização dos Reis). Não tenho nada a apontar. Mostramos o CC e recebemos o saco com o dorsal e uma pulseira com a cor correspondente à prova, até os acompanhantes (aka Roadys) tinham uma pulseira branca.

As pulseiras


No saco do gajo (aka marido) estava uma linda t-shirt alusiva ao evento. Fiquei roída de inveja. Mas quando abri o meu saco vi que tinha um buff, não da Buff, mas ainda melhor, um buff dos Abutres, lindo, que eu baptizei como o buff oficial dos walkers (aka pessoas que praticam caminhadas duras na montanha). Mas sobre a caminhada, falarei depois…

Coisinha mai linda!!!

O gajo ficou cheio de inveja. Até me ofereceu dinheiro por ele, mas nem pensar este é meu (e foi bem merecido).
- Trail runner tem buff da Buff, não tem dos abutres, e tu já tens o teu buff da Buff… - Disse lhe eu!!

Buff da Buff


Depois desta discussão acesa, que podia perfeitamente ter dado em divorcio, fomos para a Lousã, onde tínhamos um quarto (miraculosamente marcado) na Pousada da Juventude.

No sábado de manhã cedo o pessoal do Ultra que estava na Pousada fez questão de acordar toda a gente… Obrigadinho!!!!
O gajo mesmo assim ficou a ronhar. Tive que o mandar levantar. Tinha que escolher a roupa e preparar a mala e as bebidas. É claro que ele não fez nada de véspera…

Eu calcei 2 pares de meias das quentinhas, vesti as leggings por baixo das calças de ganga, camisola térmica, camisola polar de gola alta, camisola polar e a sweat da equipa. Ainda levei o casaco, não fosse estar mesmo muito frio. Cachecol, mochila e os meus Merrells para dar umas corridinhas e estava pronta para a minha prova do dia... Ia ser duro.

Na zona de partida sentia se a ansiedade, estava cheia de pessoas de barba, bastões e buffs da Buff e havia um cheiro intenso a canfora... Acho que estava mais nervosa que o gajo... E se ele cai e magoa-se, e se eu não consigo estar nos abastecimentos quando ele passar...
Houve uma triagem para verem se ele tinha o material obrigatório, e começou a caminhada até à partida...
O speaker era um espanhol, não sei porquê...
1 minuto para a partida, o gajo dá me os óculos (já estão a perceber a minha preocupação, ele é pitosga e vai para os trilhos sem óculos), ultimas palavras de apoio e outras lamechices e eis que vai ele...
De repente faz se um silencio e começo a perceber que estou mesmo em Miranda do Corvo, ou dos corvos, pois o silencio era quebrado pelo som dos corvos... Até me arrepiei toda...

Estava na altura de ir para os autocarros. Estas subidas de autocarro pela serra, não são aconselhadas a cardíacos, nem a quem enjoa com facilidade... No caminho as ambulâncias... Cada uma que passa é menos um ano de vida que tenho... Fico apavorada com a ideia de que é o gajo que vai lá dentro...

Como houve muita gente que foi também para a serra e levou o seu carro, o autocarro teve que ficar bem longe do local onde os atletas passavam. E toca a subir a passo rápido, correr um pouquinho... Já se ouve o barulho do pessoal a apoiar.

A foto não faz justiça ao grau de fofice da descida...


Os atletas apareciam numa descida, daquelas fofas, propicias a bonitos tralhos. Vi umas quedas bem bonitas, mas o pessoal é rijo e levanta se logo.
Esperei, esperei, esperei, esperei, esperei, esperei, esperei, desesperei, esperei, esperei, esperei...
E eis que vejo lá ao fundo um individuo de calças pretas e camisola azul... Era o gajo, finalmente o alivio. Lá desceu aquilo, deu um pequeno tralho e levantou se...

FORÇA GAJO!!!!

Finalmente viu-me (sem óculos é mesmo pitosga), e lá estava o sorriso rasgado, o sorriso que me sossega. Começo a correr a seu lado. Diz me que está bem e que está a gostar muito.

Estão bonitos, estão!!! Ténis novos e já estão assim...


Fiquei com ele no abastecimento. Comeu uma sopa, bebeu água... Trocamos mais umas lamechices e deixo o ir, com o coração apertado. Reparei que logo a seguir a este abastecimento há uma subida fofa...
Olho para o relógio, bolas não vai dar tempo para apanhar o próximo autocarro, tenho que dar uma corridinha. Queria ficar mais um pouco no abastecimento para ver chegar pessoal conhecido de outra equipa, mas o meu foco era o gajo...
Felizmente consigo apanhar o autocarro para Gondramaz. Novamente a enchente de carros não permite que o autocarro fique perto da aldeia.

Bolas Gondramaz é realmente um local mágico, mesmo cheio de gente.
Posiciono me num sitio estratégico, mas à sombra. Estava demasiado frio. Mesmo assim fiz questão de aplaudir todos os atletas que passaram. Houve um que estava em tronco nu... Ou a camisola tinha ficado algures toda rasgada ou é um homem muito calorento...
Passado uma horinha, achei que devia arranjar um spot que tivesse sol, então meti me mais para o interior do percurso.
Esperei, esperei, esperei, esperei, esperei, esperei, esperei, desesperei, esperei, esperei, esperei... Desesperei mesmo, como a rede é escassa nem conseguia falar com o meu apoio habitual nestas situações, que costuma estar a ver o live traking... Desesperei tanto que nem reparei que estava cheia de fome. Mas a fome pode esperar, o gajo pode aparecer de repente, não há tempo de ir à mochila procurar algo para comer... Desesperei tanto que quase chorei, de medo, de aflição por estar ali parada ao sol, ele podia precisar da minha ajuda...
Finalmente apareceu, finalmente. Vi que vinha de rastos, o sorriso estava lá, mas era um sorriso para me sossegar. Fiquei tão feliz por vê-lo... Comecei a correr com ele até ao abastecimento, que era em frente à Casinha do México 💗...

A casinha...

Estava a ser uma prova muito dura. Tiveram uma subida muito perigosa e ele vinha muito cansado. Levou uma tareia. Comeu mais uma sopa (cheirava bem e eu estava cheia de fome), bebeu água, mais umas lamechices trocadas e lá vai ele. E lá fui eu para o autocarro. Finalmente pude comer o meu "almoço" e consegui sossegar o pessoal que estava preocupado.

Almoço de roady...


Na zona da chegada escolhi um ponto estratégico para o ver chegar. Estava no final de uma recta enorme que parece que não tem fim (como eu iria verificar no dia seguinte), e que cruzava à direita para a zona da meta. Sentei me no muro e comecei a apoiar os atletas que chegavam:

-Vá, está feita!!! Só mais uns metros!!!

- É só mais uma subidinha!!! (para quem vinha na cavaqueira)

Mais uma vez esperei, esperei, esperei, esperei, esperei, esperei, esperei, desesperei, esperei, esperei, esperei... E eis que lá ao fundo vejo alguém de calças pretas e camisola azul, era ele. Ponho me de pé, em cima do muro e começo a acenar (bolas é mesmo pitosga).

Bolas, estou aqui!!!


Começo então a correr até ele. Vejo então o mais esperado, o sorriso... Ele vinha ainda mais cansado, a ultima parte tinha sido muito técnica e para terminar em beleza, parece que estiveram a patinar na lama.
E lá fomos os dois para a meta.

Já está, o gajo fez os Abutres e ficou com vontade de repetir...

A meta.


Sobre a caminhada, a rainha das caminhadas, posso já dizer que foi BRUTA!!! Mas terá que ficar para depois...