quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

2017…

It ain't over till the fat lady sings”… Sim eu sei que ainda faltam uns dias para o fim do ano e que a senhora gorda ainda não cantou, mas já sei que não vou ter paciência tempo para escrever sobre o ano que está a terminar, no dia 31, assim arrumo já a coisa…

Para não variar 2017 foi um ano estranho (para uma ET, só podia)… Foi o ano em que “saí do armário” e me assumi como extraterrestre (ahhh por momentos assustei vos). Sempre me achei estranha e diferente. Sempre tentei passar despercebida, low profile, não gosto que me apontem o dedo, penso logo que estão a falar mal de mim. Ficou o trauma de uma menina que entrou na escola preparatória com uma boina, sem cabelo… Toda a gente apontava o dedo, gozava, ela só queria ser normal, mas não, tornou se numa ET…
Hoje orgulhosamente assumo, sou ET, ando de cabeça erguida e estou me nas tintas para o que pensam de mim…
Para além desta parte quase filosófico/poética de 2017, este ano foi uma treta a nível de running…
Terminei 2016 na minha melhor forma, fiz a São Silvestre com um excelente tempo e com a ideia de que podia ter feito melhor, caso tivesse ido sozinha, e até acordava de madrugada, com as galinhas, para treinar com o pessoal louco que treina de madrugada…
O ano de 2017 começou promissor, mas eis que aparece uma tosse horrível que me provocou um problema muscular no peito, sim, sim, por baixo da costela, só respirar era doloroso, depois a anemia, depois o desconforto, depois a anemia outra vez, e vou terminar o ano a fazer a São Silvestre sem treino, com tosse, o desconforto e restos de anemia (que voltou há umas semanas), maravilha…

O ponto alto de 2017?
As Fogueiras. Preparei me, treinei (vá mais ou menos) e foi espetacular, adorei. Apesar de ter feito um tempo da treta, para mim soube recorde mundial, e ter aquele final com o pessoal do grupo a acompanhar me, foi a cereja no topo…

E objectivos para 2018??? Em 2017 ficaram por fazer como deve ser, Coimbra, Évora, a Scalabis e o Cork Trail. 2018 é para as fazer, se a minha etezisse permitir claro.
Trails vão ser para fazer devagar, sem pressões, ou seja, sempre que veja que vale a pena, vou inscrever me nas caminhadas (tenho é que comprar umas botas Quechua).

O meu grande objectivo para já é a corrida dos Sinos, vou tentar os 15km e caso corra tudo bem, queria experimentar fazer a meia do Douro Vinhateiro, mas pelo andar da carruagem não me parece que tenha capacidade para tal, pelo menos para já…

Quero muito voltar a Gondramaz e ao Talasnal, e vou muito provavelmente conhecer outras serras de Portugal, como São Mamede, Sicó, Arga, Estrela, porque o gajo (aka o meu marido) anda louco e quem vai “pagar as favas” é aqui a ET…

O Strava diz que aqui a ET fez 96 corridas em 2017, num total de 583,3 km, 103h 55m (que podia ter aproveitado para dormir ou estar no sofá), com um ganho de elevação de 9.425 m…
Bolas é muito km… Mas... Até a senhora gorda cantar ainda posso chegar aos 600km…


2017 foi o ano em que cheguei a uma triste conclusão, estou a ficar velha... Quando não temos pedalada para correr ao lado da nossa filha de 10 anos, podemos tirar 2 conclusões, ou estamos velhos e fracos, ou a miúda corre como o caraças...

Para além de "correr" 2017 foi um ano em que me "meti" em coisas estranhas, como o associativismo ou a politica, e digo vos que adorei. Espero que 2018 traga boas novidades nestas áreas...

Assim aproveito para vos desejar o que desejo para mim:


Que 2018 seja melhor que 2017!!!

segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

A ET vai aos Abutres!!! Capitulo 2

Eu devo de ser uma das pessoas mais desorganizadas do mundo, mas o meu gajo (aka marido) é pior que eu...

Num raro momento de ET organizada, resolvi começar a preencher a minha nova agenda para 2018.  Como vou só à caminhada, não tenho nenhum plano de treinos especifico para a caminhada (acho que me vou arrepender) e como sou uma cabeça no ar (atenção que há piores), não fazia ideia da data para o trail dos Abutres.
Procurei então o regulamento da prova e verifiquei que a caminhada é no domingo, dia 28 de Janeiro e os 30km no sábado, dia 27 de Janeiro... Estranho pensava que era tudo no domingo... Com certeza que o desorganizado do gajo sabe disso. Por via das duvidas resolvi enviar lhe um email com esta informação. Passado 1 minuto ele liga me:

- Ohhh bolas, ainda bem que viste isso, pensava que o trail era também no domingo... Só temos hotel para sábado e agora já está tudo esgotado...

Bonito gajo!! Agora vais ter que te levantar às 4 da matina (exagero) e vais a conduzir até Miranda do Corvo que a ET não gosta de conduzir à noite... E livra te de me acordares a perguntar onde estão os teus calções e as meias e o porta dorsal e o buff da Buff e a mala e...

Já agora uma perguntinha para os experientes nesta prova:

Abutres, com ou sem bastões??

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

A ET e os caminhantes profissionais, em Alcanena…

Pois é, este domingo deparei me com uma nova realidade, os caminhantes profissionais… 
Temos os corredores de estrada profissionais, que correm de camisola manga cava, com micro calções, os traillers profissionais com as suas extensas barbas e buffs da Buff e espantem se, há os caminhantes profissionais (professional walkers lol)… Estes vestem se normalmente de verde tropa ou castanho escuro (a meu ver é um perigo, porque partilham o local de caminhada com os caçadores de domingo), com calças impermeáveis, e longas capas. As botas de “caminhante” são essenciais assim como as malas gigantes e os bastões…

Isto tudo porquê??? Porque este domingo aqui a ET foi com o pessoal a Alcanena, a uma prova de trail gratuita. Ui ET, prova gratuita, deve ter sido uma porcaria, dizem vocês!!!
Noop, se metade das provas a pagar tivessem a qualidade do Alcanena Trail, viveríamos num mundo “running” melhor…

Chegamos para levantar os dorsais, e tivemos direito a Tshirt da prova (de boa qualidade), senha para almoçar e pasmem se, pequeno almoço, com bebidas quentes, pasteis de nata e coscorões…

Huuummmm


Tinha me inscrito no trail de 14km, mas como estou CANSADA de ser a ultima e de conhecer SEMPRE os vassouras, fiz uma inscrição de ultima hora para a caminhada, que também tinha 14km… Que seca, caminhar na planície e na vila, com senhoras de meia idade e casais fofos com carrinhos de bebé, pensam vocês…

Enquanto me deliciava com um pastel de nata (comi poucos, juro!!) ouvi alguém a recomendar atenção no trilho do Russo, que é uma descida perigosa cheia de pedras e lama, um grande declive que numa zona tinha a particularidade de caso alguém escorregasse teria que descer a serra a rebolar, que imagem fofa!!! Tratei de passar a mensagem ao pessoal. Eu fiquei descansada porque a caminhada havia de ter um percurso alternativo… Toma malta do trail!!! Vocês vão correr risco de vida e a ET vai passear à serra ahhhhh!!!

Antes da prova de trail dos 14 e dos 25 começar, juntam se todos para a foto (todos menos a ET que era a única walker do grupo) e senti o olho húmido, deve ter sido da chuva… 
E eis que vão e de repente fico sozinha no meio de caminhantes profissionais com botas Quechua… Senti me uma ET, ohhh pah mas eu já sou ET, mau, mas mudei de planeta??? Não há ninguém de ténis?? Onde estão as senhoras de calças de ganga e os casais com carrinhos de bebé??? Deve ser da chuva, a tempestade Ana estava a chegar…

O senhor responsável pela caminhada, faz um pequeno discurso:
“Blá, blá, blá quem me passar fica à sua responsabilidade… Blá, blá, blá na subida o grupo vai dividir se…”

Subida??? Mas não é caminhada??? Deve ser uma subidita soft…

E lá vamos nós. Tentei ficar ao pé do líder, bolas estou farta de vassouras… Mas não estava fácil os trilhos eram estreitos, cheios de lama e possas de água (tinha chovido a noite toda) e para além dos profissionais, havia um grupo de walkers semi profissionais, com chapéus de chuva, sim aqui a ET ía ficando com os olhos vazados à conta da porcaria dos chapéus de chuva…

Mesmo com os phones nos ouvidos com musica a altos berros (sim, sim sou anti social, não quero conversa com ninguém) conseguia ouvir os tiros dos caçadores domingueiros.

A certa altura começamos a subir, mas a subir mesmo, não havia subida soft, havia uma subida diabólica, com pedras e lama à mistura, e uma bonita ribanceira mesmo ao meu lado… A certa altura comecei a sentir umas tonturas, pois ia concentrada a olhar para baixo, mas a minha visão periférica estava também concentrada na ribanceira fofa, do meu lado esquerdo… E assim com Sigur Rós nos ouvidos pensei que se caísse, morria feliz…
Foi uma subida lixada à brava, mas lá em cima esqueci as vertigens e perdi uns minutos a apreciar a paisagem maravilhosa…






A subidita, do lado esquerdo

Depois da subida caminhei em terreno plano, cheio de lama e pedras, até que chego a uma descida, o trilho do russo… Mas… Então??? As partes difíceis não eram para o trail perguntam vocês!! Noop, a caminhada fez exactamente o mesmo percurso do trail curto, mas com dificuldade acrescida, depois de todos do trail terem pisado a lama, esta fica mais apurada e escorregadia, sim a caminhada foi a prova mais difícil de ontem…
À minha frente estava um casal de tenis!!! Aleluia, ele com os seus Saloman e ela com uns Merrell, fui atrás deles uns metros, mas cheguei à triste conclusão que eles estavam piores que eu, passei os e lá fui à procura de trilhos que não fossem rios de lama... Felizmente safei me no trilho do russo, que era uma descida muito perigosa, e no final desse trilho tivemos estrada. A partir desse momento senti me mais à vontade, e corri, na estrada, nos trilhos, sem stress, só eu a minha musica e a natureza… Maravilha…

Maravilha

No final tivemos sopa quentinha, porco no espeto (à descrição), frango, salgados, pasteis de nata e um banho quente…
Deliciosa

Foi uma festa, juntamos nos a outro grupo amigo e super animado. Tínhamos chouriço que um colega assou, queijo, bolos, vinho, jeropiga caseira, eu sei lá…

Ninguém bebeu...
O chouriço e o salpicão...

Nem provei...


Uma prova a repetir, superou as expectativas de toda a gente… Comida sem restrições, marcações perfeitas, trilhos desafiantes, banhos quentes, e grátis!!! Para o ano estamos lá outra vez!!

terça-feira, 28 de novembro de 2017

Desabafos...

Às vezes fico farta de ser ET... 

Só queria ser normal, fazer coisas normais, sentir como uma pessoa normal...

Queria poder dizer que não vou correr porque me doí o joelho, como uma pessoa normal. Mas como sou ET, não corro porque me deu uma dor estranha que ninguém consegue explicar...

Queria poder dizer que me doí a cabeça porque não bebi café, como uma pessoa normal. Mas como sou ET, doí me a cabeça porque passei a manhã a chorar por causa das etzisses...

Queria poder dizer que não estou a melhorar na minha corrida porque não treino, como uma pessoa normal. Mas como sou ET e nunca vou deixar de ser a ultima nos treinos, nas provas...


Estou farta, cansada, de estar sempre a receber más noticias... Quando tudo parece encaminhado, eis que aparece outra etzisse, porra...



terça-feira, 21 de novembro de 2017

Maratona de Lisboa 2017 - Apoio ao Gajo (aka marido)


 Mantendo o tema do apoio que as mulheres/namoradas/amigas coloridas, dão nas provas e os stresses e peripécias porque passam (principalmente quando acompanhadas com filhotes), vou aproveitar para contar como foi a minha primeira maratona…

Calma, calma a ET não correu os 42 e qualquer coisa kms da maratona, fiz bem mais de carro, metro, comboio e muito a pé, com a mini ET, também conta, não??
Só não passei na meta e não recebi um geladinho (ao contrário da mini ET e de muitos “atletas” que vi no comboio).

No dia anterior tínhamos combinado tudo. O meu grande “problema” era a mini ET que está numa fase pré adolescente e anda impossível, não quer fazer nada. Consegui alicia la com a passagem na meta com o pai, que é algo que ela ainda adora fazer.

Fizemos uns cartazes e tudo…

Foi o único cartaz que sobrou 


O dia começou bem cedo. Os nervos estavam à flor da pele. Era a primeira maratona do gajo. Fiquei sempre com a ideia de que ele não tinha treinado o suficiente, alem disso uns dias antes tinha andado a ler sobre o que podia acontecer a quem corre uma maratona (era só desgraças)…

Acho que nunca tinha ficado tão nervosa, nem para uma das minhas provas…

E lá fomos nós de carro para Lisboa. Levei a minha mala de trail que é bem grande e dá para encher com o que precisava para o gajo e para a mini ET. Uma t-shirt seca, um saco para pôr a t-shirt suada do gajo, garrafas de água, bolachas, bolinhos, mel, marmelada e géis para o maratonista, ou para alguém que precisasse...

Deixei o carro no Saldanha e toca a apanhar o metro até ao Cais do Sodré, para apanhar o comboio das 9. A ideia era ir a meio da prova, por volta dos 21km, em Carcavelos. O metro estava apilhado de malta para os 21km. Chegamos ao Cais do Sodré mesmo a tempo, tive que obrigar a mini ET a correr um bocadinho para ultrapassarmos os turistas que só empatavam. Tadinha ela vinha ainda meio a dormir… O percurso para Carcavelos foi pacifico q.b. …

- Maaaeeee faz me festinhas na cabeça!!!!!

- Maaaeeeeee falta muito????

- Maaaaeeeeeee tenho fome!!!!

- Maaaaaeeee tenho sede!!!

Felizmente lá chegamos… Da estação até à marginal ainda são uns 700m e eu estava com medo de não apanhar o gajo…

Chegadas à marginal ficamos num ponto estratégico, a seguir à rotunda e esperamos. Não estava a passar muita gente. Eis que passa o N, um colega que foi o desafiador do gajo para a maratona. Foi também a primeira maratona dele, e acabou aquilo em 3h17m (e foi nas calmas, estava com receio de puxar muito e depois não aguentava)…

- Maaaaaeeeeeeeeeee, o pai?????

- Maaaaaeeeeeeeeee, falta muito???

- Maaaeeeeeeeeee, estou aborrecida!!!

Aguenta coração

Deixei-a a jogar no telemóvel e fui para a rotunda, que é um pouco elevada. E esperei. Parecia uma maluquinha a olhar para a frente e para trás, para ter a certeza de que a mini ET não me desaparecia.

Esperei, esperei… Estava pronta, com a tshirt seca na mão e o bolso da frente da mochila cheio de géis… Esperei com a barriga cheia de borboletas, e eis que o vejo. Faço sinal para a pequena:

- O pai vem aí, prepara o teu cartaz!!!

Foi tanta a emoção, principalmente quando ele me viu e começou a sorrir. Ai a lágrima marota… É nesta altura que percebo que valeu a pena acordar cedo e fazer estes kms todos. Aquele sorriso valeu por tudo… E o sorriso orgulhoso da mini ET, sem preço…

Então ponho me a correr ao lado dele (nestas alturas até bato records de velocidade e resistência), ele tira a camisola encharcada em suor e eu dou lhe uma seca e cheirosa e os géis para o resto da prova. 

Trocamos umas palavras, ele vem bem.

- Vou tentar estar nos 30km, e na meta. Boa prova e diverte te!!!

E deixo o ir…

Pego na min ET e vamos de volta para o comboio. Começo a estudar o horário… No caminho para Carcavelos tinha estado com atenção para conseguir perceber qual seria a melhor estação para o apanhar por volta dos 30km. Ao mesmo tempo que dava atenção à mini ET, falava no chat com um amigo que me ia indicando onde seria o melhor local para parar, e ia vendo a app da maratona no telemóvel. Decidi arriscar tudo e parar em Algés. Tinha receio de não ter tempo para estar na meta.

No comboio ia muita gente com dorsais, não quero ser má língua, mas houve muito boa gente que fez parte do percurso de comboio. Não consigo entender isso, como é que essa malta tem a lata de andar a gabar se de fazer uma maratona??? Dormem bem à noite??

Bem continuando, lá paramos em Algés. E esperamos… Connosco veio uma francesa que estava também em Carcavelos a apoiar o pessoal a gritar:

Allez, allez, allez!!!

Em Algés também lá estava. Tínhamos um limite para estar em Algés, ou corríamos o risco de não estar a tempo na meta.

Tinha ouvido tanta gente a falar do homem da marreta, que achei que devia de estar a apoiar o gajo na zona dos 30km.

Estava um calor abrasador (a maratona foi no fatídico dia 15 de Outubro) e a mini ET estava cheia de calor.

- Maaaaaaaeeeeeeee tenho calor!!!

- Maaaaeeeeeeeeeee quando é que chega o pai??

- Maaaaaaaaaaaeeeeeeeeeee &%%&/&#&%/()/(//(&(%&&/%/(%/&&#$#!!!

Chegou a uma altura que já não ouvia nada…

- Vamos ver se o pai vem aí!!

O tempo estava a passar e resolvi andar para trás para ir de encontro a ele, alem de que estava calor demais para ficarmos paradas.

- Maaaaaeeeeeee tenho calor!!!!!

- Maaaeeeeeeee vais muito depressa!!!

- Maaaaaaaeeeeeeeeee doem me os pés!!

- Anda lá, vamos buscar o pai!!!

Já tínhamos andado uns 500m quando o vemos, e novamente o sorriso. Bolas, valeu mesmo a pena. E lá fomos as duas a correr ao lado dele até à estação de Algés. Ele já vinha a rebentar, vinha à rasca das pernas, mas percebi que a energia dele foi recarregada. Valeu mesmo a pena. Até a miúda esqueceu o calor e a dor nos pés, foi uma valente.

E lá vai ele lá ao fundo



E de volta ao comboio, juntamente com a francesa lol.

Próxima paragem Cais do Sodré. E toca a ir até ao Terreiro do Paço, onde era a meta. Fartamos nos de andar porque era longe. Chegadas lá fomos dar uma volta para perceber onde era o melhor sitio para a mini ET passar a meta com o pai…

Ainda encontramos o N, fresquinho, nem parecia que tinha acabado de correr 42km (e mais qualquer coisa).
E eis que chega o momento, o gajo vinha lá ao fundo. Toca a preparar tudo para o grande final.
Ele passa, feliz, e leva a miúda. Eu sigo do lado de fora a correr que nem uma louca, por um corredor estreitinho, a empurrar toda a gente (peço desculpa se mandei alguém ao chão) até que chego a um sitio onde já não dá para ir mais. Mas consegui vê los passar a meta… 
A NOSSA medalha (sim é dos três)

Que orgulho…


E foi assim a história de uma ET na maratona, foi cansativo…

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

A ET vai aos Abutres!!! Capitulo 1

Eu sei, eu sei, tenho andado depré, mas não se preocupem, não estou suicida. Vou à prova, mas no modo caminhada/apoio. Vai ser espetacular voltar àquela serra que eu adoro… O problema vai ser o stress, porque o meu marido vai aos 30km dos Abutres…

Vou aproveitar para abordar um tema que fica muitas vezes esquecido em muitos blogs running que sigo, o apoio das mulheres/namoradas/amigas coloridas, dão nas provas e os stresses e peripécias porque passam (principalmente quando acompanhadas por filhotes)…

Ahh e nem venham com coisa do tipo “ET, e os maridos/namorados/amigos coloridos??? Eles também apoiam e têm stresses…”
TRETAS!!!

Então, a minha entrada para este mundo louco do running deveu se ao meu marido. Ele começou a treinar com um amigo e de um momento para o outro deixei de estar com ele. Durante a semana treinava e aos fins de semana ia a provas. Eu fazia as minhas caminhadas e acabei por me juntar ao grupo para ter motivo de conversa com o marido, mas comecei pelas caminhadas, porque correr é parvo, pensava eu. Acho que é algo que tooodddaaa a gente, que nunca experimentou correr, pensa…

Depois de experimentar fiquei viciada.

A primeira vez que fui acompanhar o gajo a uma prova (felizmente não me inscrevi) foi ao Louzan 1000, em 2016. Foi a primeira vez que estivemos na serra na Lousã. Foi amor à primeira vista. É uma serra linda, verde, com cascatas de agua por todo o lado, ficamos mesmo apaixonados…
Nesta prova tem que se subir 1025m em 8.5km. Parece fácil, não é?? Nem de carro é fácil, quanto mais a correr ou a andar…



Os atletas partem do Hotel Palácio da Lousã (lindo, lindo, lindo) e a chegada é no ponto mais alto da serra, em Trevim (deslumbrante a paisagem).

Palácio da Lousã

Bonito



Quando chegámos à Lousã no dia anterior e começamos a subir a serra de carro é que o gajo se apercebeu da dificuldade da prova… E eu fiquei cheia de medo, porque tenho pavor a conduzir em estradas estreitas de dois sentidos com falésias brutais… Principalmente quando a filhota vem no carro…




No dia da prova o gajo achou que não valia a pena levar os bastões que o L (o líder do nosso grupo de running) sábiamente emprestou e aconselhou a levar… Sim para quê levar bastões para uma prova onde se sobe 120,6m por km??? Era excesso de peso, de certeza!!! Então os bastões ficaram no quarto do hotel, a descansar…

Quando partiram confesso que fiquei com um pouco de inveja. Assim que consegui peguei na miúda e metemos nos no carro para começar a subir a serra até Trevim.




Ainda mal tínhamos começado a subir, quando nos mandaram parar. Era a passagem dos atletas que nem 1 km deviam ter feito… O nosso carro era o primeiro, por isso eles passavam à nossa frente. De repente aparece o gajo à nossa frente. Ponho me a apitar que nem uma louca, e ele olha para nós com um ar de quem já estava nas ultimas e grita, desesperado:

“OS BASTÕES, OS BASTÕES, ESTÃO NO CARRO????”

“NNOOOPPPP, FICARAM NO HOTEL!!!” – Gritei eu.

A cara de desapontamento do gajo… Xiiii. Lá esboçou a custo um sorriso para a miúda não ficar triste, e desapareceu.

E nós lá começamos a subir, devagar, devagarinho… Quem vinha atrás e com pressa, azares, querem ir depressa, arranjem uma autoestrada!!!!

Passado, sei lá quanto tempo, chegámos ao topo da serra, Trevim, com as ventoinhas eólicas e uma vista brutal. Lá ao fundo até se via a serra da Estrela que estava com o topo branquinho (a prova foi em Março)…

Paisagem brutal

Lindo


Coloquei me num ponto estratégico para o ver a chegar, e esperei… E esperei… E esperei…

- Oh mãe, quando é que o pai vem???

- Deve estar mesmo a chegar. Senta te ai que eu já te chamo…

E esperamos, esperamos, esperamos…

-Maaaaeeeeeee, estou farta de esperar…

E passa o senhor com o cão, o senhor com evidente excesso de peso, a senhora com evidente excesso de peso, e do gajo nada…

Cão atleta e o seu dono

-Maaaaaaaaaaaaeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee??????

Bolas… Será que aconteceu algo ao gajo. A ansiedade e preocupação…

- Maaaaaaaaaaaaeeeeeeeeeeee!!!! QUERO FAZER XIXI!!! – Grita a mini ET!!!

Porra até os veados ficaram a saber que ela precisava de fazer xixi… E agora o que é que eu podia fazer??? Não havia WC, nem sequer um arbusto decente para o servicinho. E claro, ela é uma menina da cidade, que só sabe fazer xixi em sanitas, sabe lá agachar se e fazer o serviço sem se sujar toda…
Quando pego nela para procurar um local adequado, eis que vejo o gajo lá em baixo. “Olha o papá!!”

-ESTOU AFLITINHA, NÃO AGUENTO!!!

Ahhhhhh ansiedade, preocupação, felicidade, irritação, frustração… Tudo numa fracção de segundo… Aguentas pois, tens que passar na meta com o papá!!! Nem sei como, mas aguentou e passou a meta com o pai sem grande stress, porque nenhum deles conseguiu correr até à meta…
E depois pego nela e eis que consigo arranjar um espacinho e é claro xixi por todo o lado…


O gajo foi quase o ultimo a chegar e trouxe um amigo com ele, um pau que fez de bastão. As fotos dele na prova são um fartote, porque parece o pastor com o seu cajado…

Orgulhosa do meu gajo!!

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

ET em modo Depré...

Pois é, às vezes sinto me assim, em modo depressivo, não me apetece fazer nada, não me apetece falar com ninguém, só me apetece ir ao facebook e pôr uma cara triste.

Não sei se é da idade ou dos químicos, pois quem fica sem tiróide, fica sem possibilidade de controlar naturalmente uma série de coisas, como a temperatura do corpo ou o humor, tem que ser por meio de um mini comprimido que se toma todos os dias, ou não porque me esqueço muitas vezes de os tomar...

Nem a  trovoada do outro dia me melhorou o humor, bem melhorou durante um bocado, pois a cada relâmpago que via ou trovão dava um gritinho de alegria, parecia uma adolescente... Ahhh adoro trovoadas...

Nem o facto de ter feito anos na semana passada e ter recebido um monte de mensagens e telefonemas de amigos e família me melhorou o humor... Só me apetecia desligar o telemóvel e meter me na cama. O facto de estar agora no ultimo ano dos "intas" é por si só já deprimente...

Nem o treino que fiz na sexta à chuva me ajudou. Nem tive vontade de saltar nas poças de água...

Nem ter comprado no (ou na???) Ikea, um novo aparador para a minha sala e ter passado o fim de semana sozinha a monta-lo (adoro montar moveis do (da??) Ikea, parecem puzzles) me animou...

Nem ter testemunhado (à distancia) duas pessoas que adoro a terminar juntos a maratona do Porto ajudou, vá por momentos ajudou, mas depois fiquei triste porque era para ter ido, mas (a agenda de uma ET é muito preenchida) não deu, queria tanto estar na meta...
Para o ano não pode falhar...

Ando a ganhar coragem para ir treinar, mas não me apetece calçar os ténis...

Enfim isto há de passar, passa sempre.