quarta-feira, 14 de junho de 2017

Em contagem decrescente...

Ai, ai, ai...

Ai, os 15km estão aí e eu estou a ficar aterrorizada... A famosa subida de 3km anda a mexer com a minha cabeça...
Noutro dia falei com pessoal de um grupo de corrida vizinho sobre a famosa subida, eles disseram me que a subida de 3km,era um mito urbano... Bem, vou respirar fundo e fingir que acredito...

Ontem resolvi aproveitar o feriado de Lisboa para passar no Freeport e comprar uns ténis novos de estrada.
Fiquei em duvida entre os Nimbus da ASICS e os Pegasus da Nike. No final levei os Pegasus, achei que eram os mais leves e frescos. Acho que nunca perdi tanto tempo (e dinheiro) a escolher uns sapatos, como o que perdi ontem , fora a figura triste que fiz a "correr" nas lojas... Enfim, espero ter feito a escolha correcta...



É claro que tinha que experimentar os sapatitos novos. Optei por ir sozinha, já que o pessoal estava a combinar ir para o monte e eu comprei tenis de estrada, não de trail (desculpa esfarrapada para não ir fazer todas as subidas da zona com o L)... Fui então fazer o treininho do meu relógio, com 10 min de aquecimento, numa frequência cardíaca baixa, 1 hora a um ritmo mais elevado e 5 min de relaxamento. Senti me muito bem, apesar do calor e da baixa de forma em que tenho estado.




Para uma ET correr 1 hora com uma média de 7:52min/km, é espectacular. Apesar de ter parado muitas vezes fiquei feliz com o meu desempenho. Hoje faço um treino de séries e domingo Louzan Trail, mas no formato caminhada (que vou tentar fazer a correr) porque 17,2km com desnível positivo de 1300m não é para esta ET...

quarta-feira, 7 de junho de 2017

Treino louco

Pois é, o pico de loucura do líder do nosso grupo de corrida apareceu ontem...

A ET, que tem andado em baixo de forma (também nunca foi muita, a forma) foi treinar com o gang, à espera de algo, vá soft, não soft light porque quando o L (de líder) está em forma (o que é normal) os treinos são um pouco puxados, por isso já estava à espera de um treino duro.

Bem que preciso, vou fazer a minha primeira prova de 15km, e para alguém que mal se aguenta a fazer 10km, o treino duro é essencial, mas bolas não era preciso tanta subida.


O L passava o tempo todo a dizer, agora é sempre a descer... O tanas... Houve alturas em que corri com todas as minhas forças de maneira a chegar até ele, para lhe apertar o pescoço... Mas ele corre mais que eu.

Acabamos no topo do monte, já estava a escurecer e tivemos que descer tudo às escuras (claro que ninguém levou frontal ou sequer tenis de trail) à luz da lua, por uma zona escorregadia (claro que houve tralhos, mas a ET safou se). Fui, para não variar a ultima e houve uma altura que tive de parar, estava com tantas cãibras na perna, foi até triste/romantico, eu, sozinha, no meio do monte, agarrada à perna, à luz da lua, com vontade de chorar... Não, foi mesmo só engraçado.
Felizmente um colega voltou para trás e ajudou me. Puxei a meia de compressão para baixo e recomecei a descida, quase suicida...

Mais uns km e a tortura terminou... Para a semana estou lá outra vez, ma levo frontal e tenis de trail, não vá o L ter acessos de loucura.

Conclusão, a ET não consegue subir a correr. Estou lixada, como vou eu fazer uma prova de estrada de 15km??? E talvez as meias de compressão não sejam boa ideia...

Já agora, preciso de uma dica:

Tomo Cálcio e Magnésio, e tive muitas cãibras nos dedos dos pés, a subir e na zona entre a perna e o pé, quando desci o monte... Alguém recomenda alguma coisa (alem de treinos mais regulares)???

segunda-feira, 5 de junho de 2017

Triatlo

Ohhh, não se assustem, não tenho pretensões de me tornar praticante da modalidade, sou ET!!
Imaginem uma ET a nadar ou em cima de uma bicicleta!!! Até a mim me deu vontade de rir a imaginar um corpo verde e com antenas a boiar na água, porque a ET não sabe nadar yoohh...

Bem, este fim de semana estava no Sabugal onde decorreu um evento de triatlo e digo vos, fiquei fã. Às 3 da tarde (estava um calor descomunal, e tive direito a escaldão e tudo, fiquei verde escuro) partiram da barragem para fazer 1,5km a nadar a um ritmo frenético... Saem da água e toca a correr para as bicicletas que estão dispostas num corredor.





Comentário de um amigo:

"Esta prova não podia ser disputada na Amadora ou Damaia... Quando chegassem às bicicletas, não estava lá nada!"
(No coment...)



Eles correm enquanto tiram o fato térmico e a touca e pegam no capacete e na bicicleta... Merecem todos um prémio, só por esta parte da prova, porque toda a gente sabe que os homens só conseguem fazer uma coisa de cada vez.

Depois 40km de ciclismo... A uma velocidade louca, parecem pequenas naves espaciais a voar rentes ao chão...
Acabados os 40km (se eu participasse ainda estava a tentar sair da água, à espera que a corrente me levasse para terra), largam as bicicletas, os capacetes e toca a pôr os pés nos ténis, também dispostos num corredor (parques de transição) cheio de ténis...



E ala que se faz tarde, mais 10km em cima, agora a correr. E quase todos com um aspecto fresco, aquilo não era nada, correr 10km a uns 2,9/3 e tal km/min depois de 1,5km a nadar e 40km de ciclismo, é peanuts para aquela malta e ainda por cima sem meias...

Não sei se protegem os pé de alguma maneira ou simplesmente já estão habituados, mas para mim (atenção que eu sou ET) ainda pior que nadar (ET não sabe nadar yooh), pior que andar de bicicleta (odeio, não tenho coordenação nenhuma), é correr sem meias...
Respect.

Cliquem se quiserem ler uma reportagem profissional da prova que vi...




sexta-feira, 2 de junho de 2017

Eles andem aí...

Hoje foi dia de voltar aquele sítio... O mítico IPO... Fui de metro.

Incrível como o metro está apinhado de gente estranha, estrangeiros, miúdos cravejados de pearcings, tiazocas com sacos da Primark, gente a falar sozinha (sim, sim eu sei que estão a falar ao telemóvel em alta voz, ou com "kit de mãos livres", ou não, podem ser mesmo ETs), só malta digna de morar em Marte ... Ou seja no metro não me senti  extraterrestre, era na verdade a pessoa mais normal dali.

À ida para lá, sentou se ao meu lado um espanhol que falava tão rápido e alto que ponderei sair em Chelas só para não ter que o ouvir mais...

No outro sentido, quando ía para casa, sentei me ao lado de um miúdo que devia ter começado o estágio talvez numa firma de advogados, pela maneira como estava vestido. Não estava a falar ao telemóvel, nem a ouvir musica sem phones, pareceu me um ET "normal". Ele tira uma bolacha do bolso e começa a mastigar, mas de uma maneira tão delicada que parecia um pianista que tem muito cuidado com o que faz com as mãos, estava a gostar de ver, afinal o futuro da humanidade não está perdido... Depois de terminar a bolacha, começa a mexer num saco que estava no chão... "Ooohhh não é um extremista e a bolacha foi a ultima refeição..."
Não, não era uma lancheira com um bife todo cortadinho e umas massinhas (acho que era massa), tirou o garfo e almoçou ali mesmo, no banco do metro...

E a extraterrestre sou eu???



Estudantes de antropologia, vão para o metro fazer teses!!!

E por favor, não falem ao telemóvel, nas carruagens do metro, NÃO SE OUVE NADA!!!!


terça-feira, 30 de maio de 2017

Nada de loucuras...

Depois da confiança ganha com o meu amigo Carlinhos (agora está mais Carlos) achei que estava na hora de me juntar a um grupo de corrida. Optei por um grupo que corre na cidade e esporadicamente vão para o monte explorar trilhos.
Não há atletas profissionais no grupo. São  pessoas normais que adoram correr e conviver. O líder é um homem muito ponderado com uns picos de loucura. Já corre há muitos anos, conhece os melhores trilhos e caminhos da zona...
Na primeira vez que fui senti que apesar das minhas evidentes dificuldades, ninguém parecia importar se em fazer piscinas, para voltar para trás, para saber como é que eu estava.
Não faltaram as dicas, de como respirar ou fazer uma subida (smalls steps)... É claro que no primeiro dia acompanhei o pessoal apenas um bocadinho, mas fiquei feliz.
Mas o meu objetivo era correr 1 km sem parar. Não estava fácil.
Quando fui ao IPO para a consulta de endocrinologia comentei com a médica, que tinha muita dificuldade em correr, controlar a respiração...
Ela vira se para mim e diz algo do género:
"Minha querida ET, nunca vais conseguir correr muito, os teus pulmões foram também bastante afectados pela radioterapia..."
Eu ouvi aquilo e pensei, #@#€@€ (asneira daquelas gordas) outra vez a mesma desculpa... $%$#&$, não vou desistir...
No dia seguinte fui treinar de manhã para um parque muito conhecido em Lisboa. Na altura usava a aplicação ​da Nike, que tem a possibilidade de avisar cada vez que completamos um km. Estava uma manhã de janeiro, solarenga, perfeita...



Lembro me bem (o que é uma raridade, já que​ também a minha memória funciona muito mal, por causa da TBI) o momento em que ouvi nos fones 1km... Fiquei tão feliz... O meu primeiro kilometro sem parar...  Mas havia de ser o início, ia conseguir correr...
Mais tarde, já com a minha pediatra (lol, quase quarentona mas ainda tenho pediatra) voltei a falar sobre a minha dificuldade em correr. Resposta:
"ET, correres 10km equivale a 1 maratona para o teu coração. Ele já passou por tanto. Vai com calma e nada de esforços extremos"

Ok, ok, nada de loucuras...

segunda-feira, 29 de maio de 2017

ETs a pseudocorrer

Depois de me cortarem o pescoço para tirar a tiróide achei que devia manter o modo de vida saudável. Não tenho vontade de voltar a ficar internada naquele sitio...

Comecei com umas caminhadas. A minha zona tem um passeio bem jeitoso à beira do rio, com patinhos (infelizmente vejo alguns literalmente a boiar). Adorava ir bem cedo para ver as teias das aranhas, executadas na perfeição e cheias de gotinhas de água.

Trabalho das Senhoras Engenheiras Aranhas

Caminhava devagar, mais depressa, mas correr, nopp... Não conseguia mesmo.
Caminhava uns 2 km, e corria 200m e quase que morria. Durante meses andei assim. Corria 200m, "morria", caminhava 200...

Num belo dia encontrei um amigo, enquanto "treinava". Ele é também um ET, com uma história engraçada.
Cresci com ele, e no nosso "bairro" era conhecido como o Carlão... Um dia o meu marido que tinha começado a treinar, desafiou o Carlão para ir correr com ele. E ambos ficaram com o bichinho... Quando encontrei o Carlão no passeio Ribeirinho, ele era agora conhecido como o Carlinhos...
Eu expliquei lhe que só aguentava correr 200m seguidos, mas ele não quis saber, puxou por mim e consegui bater o meu recorde de 200m a correr, para vá uns 400m...
Tenho que lhe agradecer, pois nesse dia percebi que até os ETs poderiam correr.

Bolas, meti na cabeça que ía conseguir...

quarta-feira, 24 de maio de 2017

25 anos depois

Os 25 anos de ET, foram um marco que que fiz questão em festejar. Não sabia era que ia ser um ano, vá chatinho...

2015 começou com uns exames fofinhos à minha Tiróide. Parece que é um dos órgãos mais afectados, pela quimioterapia e TBI (total body irradiation) agressivas que fiz. Tinha um alto no pescoço há uma data de anos mas felizmente tinha estado sempre controlado. É claro que no aniversário de ET o dito cujo tinha que crescer... e a biopsia vinha inconclusiva...


A minha médica não quis arriscar. Vamos tirar isso antes que descambe... 



 A consulta com o "cirurgião" foi, estranha, digna de uma ET como eu. Imaginem o que é entrar numa sala cheia de médicos vestidos à "anatomia de Grey". Foi pena não estar o "McDreamy" ou o "McSteamy"... Saí de lá apavorada... Tanta gente para decidir se podi ser operada ou não...



Esperei então que me chamassem para me cortar pescoço.

Estava eu a descansar no sofá, quando toca o telemóvel:

"Estou a falar com a ET??"

"Pode vir amanhã a partir das 8.30, para ser operada???"

Eram umas 4 da tarde e no dia seguinte o meu marido ía para o Porto de avião, para ver um jogo da liga do campeões no estádio do dragão (sim, sim, o marido é tripeiro, mas ninguém é perfeito)...


"Claro que sim, se quiser posso ir já..." Disse eu... Ahhh, felizmente a senhora não ligou à parvoíce que eu disse...


Com o stress todo de preparar tudo, deixar a miúda na avó, jantar bem (petiscos, no Maria Azeitona, na Amadora) comprar um livro sobre o Estado Islamico (para ler no hospital) acabei por nem ter tempo para pesquisar sobre a operação, o pós operatório ou como é fácil engordar sem Tiróide...






A ultima ceia, no Maria Azeitona

Sempre fui apologista da máxima, "saber é poder", mas neste caso foi bom ter ido para a sala de operações sem saber o que me ía acontecer...

A recuperação foi uma seca. Levantava me e via tudo a andar à roda. Lembro me bem do primeiro dia em que fui à rua. Foi assustador, bancos de jardim a andar, árvores a perseguir me, tudo digno de um filme de terror. E os adesivos no pescoço a atrofiar os movimentos?? Fofo, muito fofo...

Antes de ser operada caminhava todos os dias e andava a "comer bem". Isto favoreceu a minha recuperação. E quando me senti a 100% quis logo retomar as minhas caminhadas e meti na cabeça que ía começar a correr...


Back to the game


As corridas são para outras núpcias...